Pesquisa mostra que ambiente de trabalho é propício a relacionamentos amorosos

Susan Guyett
USA Today

Uma pesquisa recente realizada pela MSNBC.com e pela revista "Elle" indica que, para muita gente, o local de trabalho é ótimo para se ter um relacionamento romântico.

Das mais de 30 mil pessoas entrevistadas pela pesquisa, 62% admitiram estar envolvidas em casos românticos no escritório. Cerca de um em cada dez entrevistados admitiu que já teve quatro ou mais relacionamentos amorosos no ambiente de trabalho. Os resultados da pesquisa não surpreenderam os especialistas.

"Se a pessoa passa a maior parte do dia no trabalho, então os seus relacionamentos consistem de indivíduos que trabalham no mesmo local ou de amigos desses indivíduos", diz Robert Billingham, professor de desenvolvimento humano e estudos da família da Universidade de Indiana. "O trabalho se transforma no espaço físico em que se procura por um parceiro amoroso".

Os finais felizes são fantásticos, mas não é necessário ter acesso aos dados de uma pesquisa para saber que muitos relacionamentos amorosos com colegas trabalho terminam de forma desastrosa.

Stephen Hundsley, professor de liderança e supervisão organizacional da Universidade de Indiana, concorda que o ambiente de trabalho é propício aos relacionamentos amorosos, mas frisa que o escritório pode ser também um território arriscado.

"É um bom local para se encontrar parceiros, mas é preciso que se exercite muita cautela", afirma Hunsdley.

Segundo a pesquisa, uma em cada quatro pessoas que tiveram o rompimento de um relacionamento com colega de trabalho disse que o fato teve pelo menos uma conseqüência grave. No caso de 11% dos entrevistados, pelo menos um dos ex-parceiros amorosos pediu demissão ou transferência da companhia. E 3% foram despedidos.

Outras conseqüências não são assim tão sérias. Cerca de 37% dos entrevistados disseram que passaram por um "desconforto" de curto prazo após o término da relação.

Atualmente, Ingrid Cummings olha para o passado e ri da época em que se desfez em lágrimas, quando era apresentadora de um noticiário de televisão em outra cidade. Um relacionamento problemático com um outro apresentador desmoronou quando começaram a circular boatos na empresa de que os dois estavam tendo um caso.

A tempestade emocional ocorreu no início do telejornal das 18h, quando Cummings irrompeu em prantos, no momento em que estava no ar.

Segundo ela, o episódio foi o apogeu de todos os tipos de problemas relacionados ao caso e ao relacionamento profissional.

O namorado acabou sendo transferido para o departamento esportivo e ela permaneceu no telejornal. Atualmente os dois são bons amigos que riem do episódio.

Cummings, que atualmente é proprietária da Rubicon Communications LLC, diz acreditar que companheiros de trabalho podem ter um relacionamento amoroso, caso a "química" entre os dois seja boa. "Creio que encontrar uma pessoa compatível é algo como um milagre".

As pessoas que participaram da pesquisa, que não tem valor científico, disseram que alguns casos levaram ao divórcio, quando o objeto de amor de uma das partes era uma pessoa casada.

Muitos dos entrevistados -- cerca de 42% - disseram que já estavam casados ou que tinham um relacionamento sério quando tiveram o caso no local de trabalho.

Segundo Billingham, o local de trabalho deve continuar sendo uma grande opção para os solteiros. À medida que os norte-americanos adiam cada vez mais o casamento (a média de idade para o casamento é de 26 anos para os homens e 23 para as mulheres), o grupo de potenciais parceiros românticos se desloca da sala de aula para o ambiente de trabalho.

As decisões ditadas pelo coração, tomadas no ambiente de trabalho, podem afetar carreiras e criar problemas de supervisão e conflitos de interesse. As conseqüências de um rompimento conflituoso podem prejudicar o ambiente de trabalho, sem falar nos problemas advindos da dor de cotovelo.

Embora ninguém possa prever quando Cupido vá disparar a sua flecha, companheiros de trabalho talvez queiram pensar primeiro antes de mergulharem em um caso com colega de profissão. Você quer se sentar em um cubículo, próximo a seu ex-companheiro, caso a relação azede? Quase todos os entrevistados que tiveram casos amorosos no escritório -- cerca de 82% - tentaram manter sigilo sobre o relacionamento, e 15% disseram que tal atitude se deveu às regras da empresa em que trabalhavam.

Poucas companhias possuem regras estritas contra o namoro e a paquera entre companheiros de trabalho, afirmam os especialistas. Mas, ainda que não haja uma política nesse sentido, diz Hundsley, o emprego das pessoas pode ser afetado. Um patrão tem todo o direito de dizer a um funcionário que ele ou ela deve aceitar o que aconteceu e lidar com o fato de uma maneira adulta.

"Se houver um problema que influa na performance dos funcionários, medidas disciplinares podem ser tomadas", diz ele.

Manter casos com chefes ainda é algo comum para as mulheres. A pesquisa indica que metade das mulheres que tiveram um romance no ambiente de trabalho se relacionaram com um funcionário hierarquicamente superior, sendo que 28% tiveram casos com o chefe.

Somente 20% dos homens tiveram relacionamentos amorosos com mulheres hierarquicamente superiores na empresa, e apenas 10% se envolveram com a chefe.

As mulheres ainda têm que enfrentar o preconceito quando se trata de pagar o preço dos relacionamentos no trabalho. As pesquisas revelam que 46% das mulheres e 42% dos homens acreditam que as mulheres não têm o direito de reclamar, caso elas rompam o relacionamento, e os ex-parceiros continuem a procura-las.

Quarenta e um por cento dos entrevistados disseram que as mulheres que ascendem rapidamente na carreira são objetos de fofocas, segundo as quais o sexo teria sido um fator a influenciar na sua ascensão. Quatro em cada dez entrevistados disseram acreditar que tais boatos são verdadeiros, para surpresa do editor de saúde da MSNBC.com.

"Eu esperava ou acreditava que tal número seria menor", afirmou Laino.

Segundo Billingham, o fato de se esconder um relacionamento sincero e honesto pode alimentar boatos no ambiente de trabalho sobre a ascensão profissional.

"Certifique-se de que haja a compreensão de que os dois parceiros prezam o relacionamento", diz ele. "Pergunte a si mesmo o que deve ser feito para proteger a companhia e para se proteger de acusações e boatos".

E qual é o conselho do especialista quando a questão é relativa ao envolvimento com um parceiro casado? "O melhor é não entrar nesse tipo de relacionamento", diz ele.

Tradução: Danilo Fonseca

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