Novos dados mostram fragilidade da recuperação econômica dos EUA

George Hager
USA Today
Em Washington (EUA)

Novos dados sugerem que a economia dos Estados Unidos pode não estar se recuperando tão solidamente quanto esperavam os economistas. Indicadores de encomendas às fábricas sofreram uma queda acentuada em junho e as vendas de imóveis usados despencaram de forma inesperada.

"Não acredito que isso signifique que chegou a hora de procurar o 'abrigo antibombas', mas os dados sugerem que a economia vem sofrendo uma desaceleração", afirma David Wyss, economista-chefe da Standard & Poors.

Porém, também há algumas notícias bastante positivas. Na semana passada, diminuiu o número de novos trabalhadores desempregados que aguardavam para receber pela primeira vez o auxílio-desemprego, um sinal de que o abalado mercado de trabalho pode estar se recuperando. E as vendas de novas residências bateram um recorde em junho.

Conforme vem acontecendo há meses, os números expressam um quadro contraditório de uma economia que não parece se acelerar rumo a uma recuperação robusta, não indicando, tampouco, que o país esteja correndo sérios ricos de mergulhar de volta na recessão, apesar das perdas históricas registradas no mercado de ações.

"Basicamente, o que vem acontecendo é que o prazo previsto para a recuperação aumentou", diz Sung Won Sohn, economista-chefe do Wells Fargo. "Na melhor das hipóteses, podemos estar presenciando uma recuperação anêmica, pelo menos este ano".

Eis alguns detalhes dos números divulgados nesta semana:

- As encomendas por "bens duráveis" com longo "prazo de vida", desde aviões a jato até chips de computador, sofreram uma queda inesperada de 3,8% em junho, segundo o Departamento de Comércio, em uma indicação de que a recuperação da indústria pode não ser tão sólida quanto outros dados sugeriam. Por outro lado, esse é um número notoriamente volátil, e os analistas vão observar se há alguma recuperação em julho. Um preocupante subgrupo dos dados divulgados indicou um aparente recuo dos investimentos empresariais.

- As vendas de imóveis usados despencaram 11,7%, ficando em uma taxa de 5,07 milhões de moradias por ano em junho, de acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis, o que fez aumentar a preocupação com a possibilidade de que um dos pilares da economia norte-americana possa estar se enfraquecendo. Mas os analistas observam que as vendas ainda estão em um nível historicamente alto, e o crescimento das aplicações em hipotecas indica uma recuperação em julho.

- As vendas de imóveis novos aumentaram 0,5%, alcançando a taxa de 1,001 milhão de unidades por ano, segundo um relatório do Departamento de Comércio, o que se constitui em um recorde. Embora o volume de novas residências represente apenas um quinto do total de vendas de imóveis, esse dado se constitui em uma evidência de que o mercado de residências continua aquecido.

- Os pedidos de auxílio-desemprego por aqueles desempregados que recorrem a esse expediente pela primeira vez caíram em 21.000, chegando a 362 mil na semana passada, o índice mais baixo registrado em 17 meses. Isso fez com que a média menos volátil de quatro semanas caísse para 385 mil, a menor em 16 meses.

"É óbvio que as notícias econômicas não são auspiciosas", afirma William Cheney, economista-chefe da firma John Hancock Financial Services. "Mas me parece que, ao integrarmos todos os fatores, há uma tendência de recuperação e não de queda".

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos