Poluição aumenta riscos de ataque cardíaco

Steve Sternberg
USA Today

A fumaça do escapamento de caminhões e carros -mais especificamente as partículas que são expelidas de milhões de canos de escapamento- representa sério risco para as pessoas que sofrem de doenças cardíacas, de acordo com um novo estudo.

O estudo preliminar é o primeiro a vincular a poluição nas estradas à escassez de oxigênio induzida por esforço físico, que pode causar um ataque cardíaco em pessoas que tenham moléstias do coração.

Cerca de 12,4 milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem de doenças coronárias, e elas são a principal causa de mortes entre os norte-americanos. Esse tipo de doença custa cerca de meio milhão de vidas por ano, de acordo com estatísticas da Associação Cardíaca Norte-Americana.

Os resultados oferecem o primeiro "elo biológico" entre as partículas dos escapamentos e a doença e mortes causadas pelas moléstias coronárias, afirmam o líder da pesquisa, Juha Pekkanen, do Instituto Nacional de Saúde Pública em Kuopio, Finlândia, e seus colegas, na versão online da revista científica Circulation. Estudos anteriores já haviam explorado a relação entre a poluição gerada por carros e caminhões e as moléstias cardíacas.

"Trata-se de um novo caminho de exploração, e ela abre caminho para que pensemos de maneira diferente sobre a poluição do ar e as doenças cardíacas", diz George Sopko, cardiologista no Instituto Nacional do Coração, Pulmões e Sangue dos Estados Unidos.

"O problema da poluição atmosférica por particulados é pervasivo e está crescendo", acrescentam Richard Verrier, Murray Mittleman e Peter Stone, da Escola de Medicina de Harvard, em editorial publicado em uma revista de medicina.

A equipe de Harvard prevê um maior impacto desse "fator insidioso de contribuição à doença cardíaca" à medida que o tráfego piore e mais pessoas da geração baby boom (os norte-americanos nascidos entre 1946 e 1964) contraiam doenças cardíacas.

O estudo foi pequeno, e envolveu apenas 45 pacientes finlandeses de doenças cardíacas. Os pacientes mantiveram diários sobre os seus sintomas e faziam duas visitas por semana aos seus médicos. Em cada visita, eles faziam um eletrocardiograma por meio de teste de seis minutos em bicicleta de exercício. Os resultados do eletrocardiograma, que detectam anormalidades elétricas vinculadas à escassez de oxigênio, foram relacionados a uma análise do ar perto da casa de cada paciente.

As análises vinculam a privação "significativa" de oxigênio às partículas finas e ultrafinas emitidas pelos escapamentos de carros e caminhões. "Pode-se detectar essas partículas na corrente sangüínea, e essa é a parte fascinante", diz Sopko. Os pesquisadores não encontraram relação com pólens ou com partículas "derivadas da terra".

Medicamentos chamados betabloqueadores, que estimulam o suprimento de sangue ao coração, servem como proteção parcial contra esse problema. Mas os médicos dizem que resta resolver muitas questões. Entre elas que partículas causam mais problemas, de que maneira elas afetam o coração e o risco que elas acarretariam para pessoas saudáveis, se é que existem.

Tradução: Paulo Migliacci

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