Alguns quilos a mais já são suficientes para comprometer saúde

Steve Sternberg
USA Today

Como parte de um grande estudo para avaliar a relação progressiva entre ganho de peso e insuficiência cardíaca, médicos norte-americanos anunciaram que o simples fato de estar acima do peso faz com que o risco de se padecer dessa doença aumente.

Segundo o estudo, o ganho de alguns quilos extras aumenta o risco de insuficiência cardíaca em um terço. O risco para os obesos, indivíduos que estão cerca de 14 quilos acima do peso ideal, é duas vezes mais alto do que para pessoas normais.

Infelizmente, nos Estados Unidos o normal não é a regra -- 61% da população adulta está acima do peso ou é obesa, afirmam os médicos. O novo estudo revelou que todos esses indivíduos estão pedindo para sofrer de insuficiência cardíaca.

"As nossas descobertas sugerem que a obesidade é um importante fator de risco para a insuficiência cardíaca, tanto em mulheres como em homens", afirma Ramachandran Vasan, da Escola de Medicina da Universidade de Boston e os seus colegas. O estudo foi publicado no New England Journal of Medicine.

De fato, um índice de massa corporal excessivo por si só aumenta o risco de insuficiência cardíaca, independente de fatores como o tabagismo, o alto nível de colesterol, a diabetes, a pressão alta e outros. O índice de massa corporal é a medida do peso do indivíduo em relação à sua altura. Um índice de 25 ou mais faz com que o indivíduo seja considerado como estando acima do peso e 30 ou mais define a obesidade.

As descobertas emergiram de um estudo de décadas com 5.881 pessoas. Desde 1976, 496 pessoas desenvolveram insuficiência cardíaca, sendo que metade delas eram mulheres. O risco de insuficiência cardíaca aumenta em 5% para os homens e 7% para as mulheres para cada unidade de aumento do índice de massa corporal.

As pessoas que estão acima do peso apresentam maior probabilidade de ter pressão alta, o que obriga o coração a trabalhar mais intensamente para bombear o sangue para todo o corpo. Elas têm mais propensão de apresentar níveis anormais de colesterol e são mais vulneráveis a doenças metabólicas, como a diabetes. A obesidade torna o quadro ainda pior. Os médicos sabem há muito tempo que a obesidade contribui para o surgimento da insuficiência cardíaca -- uma deterioração da capacidade do coração em bombear o sangue -- mas não haviam feito pesquisas para determinar o quanto do risco extra se devia à obesidade, ou qual o seu impacto sobre a pressão arterial e outros fatores de risco. Baseados nesse estudo, diz Vasan, os pesquisadores podem relacionar aproximadamente 11% dos casos de insuficiência cardíaca entre os homens, e 14% entre as mulheres, "somente à obesidade".

"A partir de agora, a obesidade deve ser acrescentada à lista de fatores de risco para a insuficiência cardíaca", afirma Barry Massie, do Veterans Affairs Medical Center, de São Francisco, em um editorial publicado no mesmo periódico.

Gregg Fonarow, cardiologista da Universidade da Califórnia, foi co-autor de um estudo polêmico, atualmente apoiado por outros pesquisadores, que demonstra que pessoas obesas que padecem de insuficiência cardíaca tendem a viver mais do que pacientes de insuficiência cardíaca não obesos, provavelmente porque os seus corpos ativam sistemas que ajudam a dar suporte aos seus corações dilatados e enfraquecidos.

Mas, segundo ele, isso não é motivo para se deixar de adotar um estilo de vida mais saudável que possa prevenir o surgimento da insuficiência cardíaca. "Tão logo uma pessoa tenha insuficiência cardíaca, ela ainda estará muitas vezes mais propensa a morrer do que indivíduos que não têm a doença".

Segundo ele, a chave para a prevenção está em se parar de fumar, adotar uma dieta saudável, fazer exercícios físicos, reduzir a pressão arterial e o nível de colesterol e, para os diabéticos, tomar medicamentos que protejam o seu coração e aparelho circulatório.

Tradução: Danilo Fonseca

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