Em novo filme, diretor de "Sexto Sentido" reitera amor por Filadélfia e pelo sobrenatural

Scott Bowles
USA Today

Os atores e a equipe de produção do novo filme de M. Night Shyamalan, "Signs" (ainda sem título em português), sabiam exatamente quando o diretor encerraria o trabalho diário.

Quando o relógio marcasse 18 horas.

"Ele estabeleceu que iria manter um horário e uma vida normais", diz Frank Marshall, que produziu o filme. "Neste negócio, é muito confortante o seu compromisso para com o lar".

Tal compromisso vai além do fato de garantir que Shyamalan esteja com a mulher, Bahvna, e as duas filhas, de cinco e de dois anos de idade, na sua residência em Filadélfia na hora certa. O diretor, assim como uns poucos outros cineastas, prefere a sua cidade à Hollywood.

Shyamalan roda e edita os seus filmes na Filadélfia, que com freqüência desempenha um papel em seus filmes. Foi nessa cidade que se desenrolou a trama dos filmes "O Sexto Sentido", que gerou uma renda de US$ 293,5 milhões e "Corpo Fechado", que conseguiu arrecadar US$ 95 milhões.

A região desempenha um papel ainda mais importante em "Signs", que mostra a luta de Mel Gibson contra extraterrestres e os seus próprios demônios. O filme, que estreou na sexta-feira (02) nos Estados Unidos, gira em torno da descoberta de círculos em plantações, próximos a Bucks County, Pensilvânia, a cerca de 32 quilômetros de Filadélfia.

"Não quero que a minha família passe pelos sofrimentos inevitáveis de quem se muda para Hollywood", diz Shyamalan, que faz 32 anos na próxima terça-feira. "Quero que minhas filhas possam me visitar no trabalho e comer com elas na minha mesa de jantar. É muito fácil perder a perspectiva desses fatos quando o trabalho se torna excessivamente importante para nós".

Shyamalan também acredita que trabalhar em casa auxilia o processo criativo.

"É uma forma orgânica de filmar", explica. "Vivendo aqui, em um lugar mais sólido do que Hollywood, posso conhecer muita gente interessante. E também consigo ter idéias mais originais para novos filmes".

Idéias como, por exemplo, círculos em campos agrícolas. Shyamalan diz que sempre ficou intrigado com as estranhas formas geométricas, geralmente tidas como fraudes pelos cientistas.

"É um fenômeno cultural interessante", disse ele em uma entrevista por telefone. "Eles têm um grande apelo visual e dramático. Trata-se de uma forma de mostrar a pele da criatura, sem, no entanto, mostrar ainda a criatura. O trabalho consiste em uma forma de insinuar que há algo de maior por vir".

Shyamalan estava pensando grande antes mesmo de começar a rodar o filme. Ele fez com que a equipe de produção plantasse um milharal de 162 mil metros quadrados e construísse uma casa de verdade próxima ao Delaware Valley College para a filmagem de "Signs".

Tão logo as filmagens foram concluídas, a casa foi demolida e o milho colhido e doado para a faculdade.

Marshall, que também produziu "O Sexto Sentido", afirma que a insistência de Shyamalan em ficar perto de casa ajudou a conferir autenticidade ao filme.

"Quando você filma uma cena que se supõe que aconteça em um centro de cidade bizarro, o que poderia ser melhor do que estar exatamente em um centro de cidade bizarro?", diz ele. "Isso ajuda a centrar os atores e dá uma sensação de que tudo não se trata de uma ilusão".

Além disso, diz Shamalan, Filadélfia é um ótimo local para se fazer filmes. "É uma cidade que tem muita diversidade", diz ele. "Pode-se fazer tanto um filme de época, como 'Bem Amada', quanto uma peça futurista, como 'Os 12 Macacos'".

Embora nunca se afaste da família, Shyamalan viajou mais de duas horas diariamente para eventos com a mídia em Nova York no fim de semana passado.

Filho de médicos indianos que vieram para Filadélfia a fim de concluir a sua educação profissional, Shyamalan quebrou com a tradição da família em praticar a medicina. O cineasta tem também tios e tias que são médicos.

Mesmo assim, ele diz que aprendeu as lições mais importantes com esses parentes.

"Descobri como é importante se afastar do seu filme e penetrar no mundo real", conta. "É importante vir para casa, jantar e falar com sua mulher sobre algo diferente do trabalho. É algo de saudável. Isso faz com que nos sintamos melhor na nossa profissão".

Mas trata-se de um luxo impossível para a maioria dos cineastas. Shamalan diz que o fato de escrever o roteiro de todos os seus filmes lhe dá uma vantagem que outros diretores não possuem.

"Se escrevo sobre coisas como Bucks County e a Penitenciária Eastern State (em Filadélfia), isso obriga os estúdios a virem para cá", afirma. "Se escrever algo que possa se passar em outro local, eles vão querer que eu viaje para Los Angeles".

E isso é algo que Shyamalan não tem planos para fazer. Embora ele não tenha nenhum outro projeto de filme no momento, o diretor diz que "há algumas idéias na sua cabeça". Ele logo acrescenta. "Se virarem filmes, eles provavelmente serão rodados aqui".

Tradução: Danilo Fonseca

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