Bush precisa apresentar motivos consistentes para atacar o Iraque

DeWayne Wickham
USA Today
Em Washington (EUA)

Antes que a vida do primeiro soldado norte-americano seja colocada em risco para derrubar Saddam Hussein, e antes que a primeira bomba seja lançada contra Bagdá, George W. Bush precisa dar muitas explicações.

Embora o presidente tenha deixado claro que pretende usar a guerra travada pelo seu país contra o terrorismo como uma desculpa -- para não dizer um motivo -- para uma campanha militar destinada a derrubar Saddam do poder, ele precisa ainda explicar a necessidade de tal ação.

É verdade que o líder iraquiano é um ditador repugnante que governa o seu país com uma fúria assassina. Durante os anos em que está no poder, Saddam lançou uma guerra contra o seu próprio povo e contra os vizinhos Irã e Kuait.

Até que as suas tropas sofressem uma humilhante derrota na Guerra do Golfo, o regime de Saddam era uma força respeitável no Oriente Médio. Mas, no decorrer da última década, a ditadura iraquiana mostrou que faz muitas ameaças, mas que tem pouco poder de fogo. Enquanto permanece no poder, Saddam parece ser mais um lembrete irritante da insuficiência da campanha militar de Bush pai contra o Iraque do que uma grave ameaça à paz mundial.

Mesmo assim, o presidente Bush afirmou que o Iraque, governado por Saddam, é um dos três países mais perigosos do mundo, e está ameaçando enviar tropas americanas para remover o ditador iraquiano do poder.

A pergunta é: Por que?

O que o presidente pode dizer aos pais e aos entes queridos dos soldados que deseja enviar ao Iraque, a fim de explicar a necessidade de tal ação?

Tomara que Bush tenha motivos melhores do que a sua alegação sobre a possibilidade de que o Iraque possua armas químicas e biológicas, ou que o país possa estar desenvolvendo uma bomba atômica.

Embora não me agrade a idéia de que Saddam fique à frente de um governo que possui armas tão letais, não creio que tal alegação seja motivo suficiente para entrarmos em guerra com o Iraque. Mesmo sob uma política de "primeiro ataque", o governo Bush precisa de desculpas melhores do que essas.

No decorrer do último quarto de século, a lista de nações dotadas de armas de destruição em massa cresceu. Muita gente acredita que a Índia, o Paquistão e Israel possuem armas nucleares e que a Coréia do Norte e o Irã as estejam desenvolvendo. Estes dois países, assim como o Iraque, são parte do suposto "eixo do mal", denunciado no início do ano por George W. Bush.

Se o presidente quer atacar o Iraque apenas porque o país possui ou tenta obter tais armas, então ele deveria dizer ao povo norte-americano qual é o risco iminente que esses armamentos representam para a população dos Estados Unidos.

Será que o presidente tem um bom motivo para achar que Saddam lançaria tais armas contra nós ou que forneceria a outros os meios para fazê-lo? Será que ele tem conhecimento de um perigo presente e claro que nos aguarda, caso Saddam obtenha uma pequena quantidade das armas mortíferas que tanto nós como outros países possuem? Um Iraque nuclearmente armado representaria uma ameaça aos nossos aliados da Otan? Saddam estaria prestes a usar algumas armas de destruição em massa no Oriente Médio e atrair as tropas dos Estados Unidos para um conflito mais amplo na região?

Casa qualquer dessas situações exista, então Bush deveria tornas públicas as suas provas.

Tendo sofrido perdas devastadoras com o ataque terrorista do ano passado, o povo norte-americano apoiaria uma ação militar elaborada para impedir a repetição de um evento tão letal. E, embora alguns possam discordar, caso o motivo de Bush para querer atacar o Iraque seja a defesa da Otan ou impedir que os Estados Unidos sejam tragados por um conflito maior no Oriente Médio, eu suspeito que a maioria dos norte-americanos aceitaria tal explicação. Mas o presidente precisa defender o seu ponto de vista.

Caso não o faça -- ou se não puder fazê-lo -- o Congresso deve impedir que Bush envie um norte-americano que seja para lutar e possivelmente morrer no Iraque. Embora esta nação tenha que agir decisivamente para se defender e honrar os seus compromissos internacionais, ela não pode fazê-lo sem um motivo justificável.

Até o momento, o presidente Bush precisa ainda nos dar tal motivo para terminar o trabalho que o seu pai não completou.

Tradução: Danilo Fonseca

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