Pesquisa com células-troncos segue a passos lentos nos EUA

Elizabeth Weise
USA Today

Um ano após a polêmica decisão do presidente Bush no sentido de permitir apenas financiamento federal limitado para estudos com células-tronco, a pesquisa segue a passos lentos, e os cientistas estão trabalhando com somente uma fração das linhagens de células que Bush disse que estariam disponíveis.

Nos próximos meses, novos suprimentos de células serão fornecidos aos pesquisadores. Mas muitos cientistas dizem que, ainda que tivessem acesso a todas as 64 linhagens prometidas -- cada uma delas uma colônia de células derivadas de um embrião específico -- isso não seria o bastante para concretizar o potencial de cura contido nessas células.

As células-tronco oferecem a promessa de substituir outras células, a fim de curar doenças letais, como a diabetes, o mal de Parkinson e a doença de Alzheimer. Mas, devido ao fato de embriões humanos de quatro a seis dias de idade serem destruídos durante o processo, vários grupos antiaborto são energicamente contra o seu uso.

Bush chegou a um acordo, aceitando as linhagens de células-tronco já existentes na ocasião do seu discurso de 9 de agosto do ano passado, recusando-se, entretanto, a permitir que dinheiro do contribuinte fosse utilizado para a criação de mais linhagens, o que implicaria na destruição de mais embriões.

O plano se baseou em uma pesquisa da Casa Branca que demonstrou que as 64 linhagens de células-tronco existentes seriam o bastante, disse ele à época, "para explorar a promessa e o potencial da pesquisa com células-tronco, sem, porém, cruzar uma linha moral fundamental". A comunidade de pesquisas e vários parlamentares democratas criticaram o presidente, afirmando que o número apresentado era inadequado.

Atualmente, somente cerca de cico das 78 linhagens de células-tronco que constam da lista aprovada pelo governo federal estão disponíveis para os pesquisadores acadêmicos.

O número é limitado em parte porque a ciência de boa qualidade exige tempo, diz Ronald McKay, investigador do Instituto Nacional de Desordens Neurológicas e Derrames, que é parte do Instituto Nacional de Saúde. "O simples fato de o presidente ter dito algo não significa que isso vá ocorrer amanhã. Leva tempo para realmente cultivar essas células", diz McKay.

As linhagens mais disponíveis são provenientes do Instituto de Pesquisas WiCell, da Universidade de Wisconsin-Madison, onde as linhagens de células-tronco foram originalmente geradas pelo pesquisador James Thomson, e da ES Cell International, da Austrália.

Com relação às outras, algumas estão sendo utilizadas em instituições onde foram desenvolvidas, mais ainda não estão disponíveis para uma grande comunidade acadêmica. Outras ainda estão sendo testadas, e alguns laboratórios comerciais estão guardando para si as suas linhagens.

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, defendeu que se disponibilizassem a todos os pesquisadores as células-tronco. "Este é um novo campo de pesquisas, e não seria coerente esperar ação instantânea com relação a algo tão promissor, ainda pouco testado e tão novo. O que importa é que o progresso está sendo feito e será feito".

Ele disse que o presidente ainda pensa ter tomado a decisão acertada. "Trata-se de uma questão muito delicada, que divide a sociedade norte-americana. Ela envolve, ao mesmo tempo, a promessa e a destruição da vida. O presidente tomou uma decisão ponderada, e a sustenta com orgulho. O progresso será atingido sem que haja destruição da vida".

Além disso, o governo está apoiando a pesquisa com células-tronco retiradas de adultos, o que não gera as mesmas questões de ordem ética.

Mesmo assim, até que haja dezenas de linhagens de células-tronco embrionárias, os cientistas não serão capazes de estabelecer procedimentos padrão para a pesquisa, diz Fred Gage, do Instituto Salk.

"Segundo a situação atual, creio que o progresso será atrasado pela falta de acesso a linhagens viáveis de células-tronco", diz Gage.

Tradução: Danilo Fonseca

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