Pesquisa mostra que americanos ainda estão otimistas quanto à economia

Thomas A. Fogarty e Sandra Block
USA Today

O mercado de ações é repugnante e a economia navega por mares agitados. Mas uma pesquisa USA Today/Gallup revelou uma profunda fonte de otimismo no país, até mesmo entre os norte-americanos que foram diretamente atingidos pela crise.

Um exemplo é Debra Espelund, de 41 anos, gerente empresarial em Lincoln, Nebraska. Os entrevistadores descobriram que ela é uma otimista ansiosa. Debra não consulta mais os extratos mensais do seu fundo de aposentadoria. Ela se preocupa com as finanças familiares. E está furiosa com "os idiotas" responsáveis pelos ataques de 11 de setembro, que acredita serem os culpados pelos transtornos econômicos.

Apesar de tudo, Espelund diz: "Não sei quando ou como acontecerá, mas vamos superar os problemas. Essa é a natureza do país no qual vivemos. É assim que nós somos".

A visão dos norte-americanos quanto à economia e os investimentos se encaixa em cinco grupos básicos, segundo a pesquisa Gallup, feita com 1.003 adultos, finalizada no dia 31 de julho. Em um extremo estão os norte-americanos atingidos pelas perdas nas Bolsas de Valores, irritados com a situação das finanças pessoais e pessimistas quanto à economia. No extremo oposto estão aqueles que não foram afetados pelo mercado de ações, que estão confiantes quanto às próprias finanças e otimistas com relação às perspectivas econômicas.

Segundo a pesquisa, os tranqüilos e os otimistas -- os dois maiores grupos, que formam a maioria dos norte-americanos -- se preocupam pouco com a possibilidade de desemprego, recessão, gastos com saúde e educação, aposentadoria ou a queda do padrão de vida. Coloque em meio a esses dois grupos os otimistas ansiosos, como Espelund -- muitos deles indivíduos de meia-idade e do Centro-Oeste dos Estados Unidos -- e se perceberá que uma nítida maioria está se agarrando à esperança de que o período de adversidades passará.

Esse retrato do humor econômico da nação não dá margem a previsões. Mas um dos elaboradores da pesquisa, David Moore, cita algumas implicações. Entre elas:

A economia. Os tranqüilos e os otimistas -- que são 54% da população -- expressam preocupação mínima quanto à redução de gastos. Isso sugere que uma súbita queda do consumo é improvável. Além disso, consumidores dispostos a gastar poderiam encorajar os acionistas.

Política. Os dois grupos anteriores são predominantemente republicanos, aprovam a performance do presidente Bush e acreditam que um congresso controlado pelo Partido Republicano seria melhor para o país. Isso significa bons augúrios para o Partido Republicano nas eleições parlamentares de novembro.

Os norte-americanos não são Polianas quando se trata de avaliar as condições econômicas do país. Dois em cada três entrevistados disseram ver a atual economia de forma negativa. E 71% dizem que levará mais de um ano para que o país se recupere completamente. Quase dois terços dos entrevistados afirmam que as fortes quedas nas Bolsas de Valores se constituem em uma crise ou em um grande problema.

A despeito disso, Moore, do Gallup, diz que os norte-americanos estão longe de encarar as condições atuais como sendo as do dia do juízo final.

"A maioria das pessoas se sente em geral confortável com a situação, ou pelo menos otimista com a possibilidade de que ela melhore", diz ele.

Tradução: Danilo Fonseca

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