Cientistas descobrem proteína que cria músculos resistentes a fadiga

Kathleen Fackelmann
USA Today

Cientistas descobriram a chave molecular que converte um músculo que fica facilmente fatigado naquele de um outro tipo, mais magro, que permite que um maratonista corra por horas a fio, afirma um novo estudo.

A descoberta pode ajudar os pesquisadores a criar uma pílula que poderia auxiliar na formação de músculos resistentes a fadiga. Tal pílula poderia auxiliar pacientes acamados e indivíduos enfraquecidos pela inatividade ou por doenças, afirma o pesquisador Bruce Spielgelman, do Instituto do Câncer Dana-Farber, em Boston.

Spiegelman e seus colegas sabem que atletas que percorrem longas distâncias adotam regimes de treinamento estritos, que os ajudam a transformar músculos do tipo 2, as fibras maciças que se cansam facilmente, em tecidos do tipo 1, um músculo mais magro, que permite que os maratonistas corram por horas sem parar.

Na última edição da revista Nature, os pesquisadores descrevem ratos criados através da engenharia genética que adquirem muitos músculos do tipo 1 sem fazer grandes esforços. Esses ratos foram elaborados pela bioengenharia para ativarem uma proteína chamada PGC-1.

A equipe descobriu que a PGC-1 causou uma transformação surpreendente: ratos normais possuem músculos dos tipos 1 e 2. Mas os roedores criados pela engenharia genética possuíam músculos do tipo 2 que foram transformados em músculos do tipo 1.

A equipe descobriu que os músculos transformados tinham um desempenho igual e se pareciam exatamente com os do tipo 1. Ao invés da cor rosa pálida característica dos músculos do tipo 2, o novo músculo era de um vermelho brilhante, característico dos músculos resistentes a fadiga, afirma Spiegelman.

A equipe não submeteu os ratos aos rigores de uma maratona, mas ela testou os músculos no laboratório, utilizando estímulos elétricos. Os cientistas descobriram que os músculos produzidos pela bioengenharia atuavam como aqueles do tipo 1: eles se contraíam muito mais do que os músculos do tipo 2 retirados dos ratos normais.

Os pesquisadores acreditam que exercícios físicos intensos podem desencadear a produção da PGC-1 em atletas que treinam para uma maratona ou para outras competições que exigem esforço prolongado. Os corredores e ciclistas de percursos longos trabalham basicamente com os músculos do tipo 1, enquanto que os velocistas recorrem aos músculos do tipo 2 para explosões curtas de velocidade.

Estudos adicionais precisam confirmar o papel da PGC-1 no desenvolvimento dos músculos resistentes a fadiga. O próximo passo pode ser a criação de uma droga que provocaria a mesma transformação em seres humanos, diz Spiegelman.

Os pesquisadores podem levar dez anos ou mais para criar tal pílula. Enquanto isso, Spiegelman afirma que a pesquisa com a PGC-1 pode em breve levar a exercícios mais localizados -- aqueles especificamente elaborados para ativar a PGC-1 e criar músculos do tipo 1.

Os atletas não são os únicos que poderiam vir a se beneficiar do ganho de músculos resistentes a fadiga, afirma o pesquisador Daniel Kelly, da Universidade Washington, de Saint Louis. Ele afirma que o músculo cardíaco também depende da PGC-1. Segundo ele, este e outros estudos poderão um dia possibilitar novos tratamentos para a insuficiência cardíaca, uma doença que faz com que o músculo cardíaco comece a funcionar de forma precária, após anos bombeando o sangue pelo corpo.

Tradução: Danilo Fonseca

Clique aqui para ler mais notícias de saúde.

UOL Cursos Online

Todos os cursos