Animais transgênicos podem comprometer ecossistemas

Elizabeth Weise
USA Today

Uma das maiores preocupações dos cientistas com relação aos avanços da biotecnologia animal é que peixes, moluscos e insetos criados pela engenharia genética escapem para o meio-ambiente e tomem o lugar dos seus primos naturais, afirma um relatório da Academia Nacional de Ciências.

Foi solicitado a um grupo de 12 cientistas que avaliasse as atuais pesquisas sobre a questão dos animais geneticamente modificados, criados para produzir alimentos e produtos biomédicos de melhor qualidade. O anúncio feito este ano, sobre cabras que foram geneticamente modificadas para produzir seda semelhante a de teias de aranha em seu leite é um exemplo de tais produtos.

"Não se sabe ao certo o que ocorre quando animais transgênicos, dotados de atributos que lhes conferem vantagens em relação a animais selvagens, são soltos no meio-ambiente", afirma Michael Taylor, membro do comitê que redigiu o relatório.

Outras preocupações dizem respeito à possibilidade de que produtos derivados de animais transgênicos possam causar alergias em pessoas que os comam, além dos efeitos adversos que a manipulação genética possa ter sobre os próprios animais. Por exemplo, bezerros e cordeiros frutos da biotecnologia tendem a nascer tardiamente e a ser maiores, o que resulta em partos difíceis, que muitas vezes exigem cesarianas. E algumas técnicas de biotecnologia causam um aumento do número de nascimentos de animais deformados.

"Alguns dos resultados não são bonitos de se ver", afirma Joseph Mendelson, do Centro para a Segurança de Alimentos, em Washington. "Basicamente, estão sendo criados animais que são horrivelmente deformados e que sofrem demais".

O relatório da academia, escrito a pedido da Administração de Alimentos e Remédios (FDA), gera questões quanto a propriedade do atual processo regulador referente aos animais criados pela bioengenharia. O relatório questiona se as agências envolvidas possuem a capacidade legal e tecnológica para lidar com os dilemas que certamente virão à tona, à medida que essa tecnologia for desenvolvida.

Atualmente, a FDA controla a produção de animais transgênicos através do Novo Processo de Aprovação de Drogas Animais. Os animais transgênicos são considerados pela legislação norte-americana como sendo "drogas", já que são produtos da engenharia genética. Mas a agência ainda está trabalhando no sentido de adaptar as suas políticas a esse campo emergente, afirma Stephen Sundlof, diretor do Centro de Medicina Veterinária da FDA.

Ele diz que a FDA está integrando políticas, de forma que possa informar as companhias a respeito de que pesquisas elas necessitarão, a fim de avaliar até que ponto os novos animais são seguros. Segundo Taylor, os membros do comitê acreditam que esse processo vai exigir que se adotem novas regulamentações.

"A sociedade precisa prestar atenção para ver se está fornecendo à FDA as ferramentas necessárias para que se garanta a proteção contra quaisquer riscos", diz ele. "Seria bem melhor se formulássemos questões agora do que mais tarde jogar a culpa sobre a agência, caso ficássemos insatisfeitos com o trabalho realizado".

Quanto à perspectiva de se contar com pedaços suculentos de bife clonado no futuro, a equipe chegou à conclusão de que não há qualquer prova de que esse tipo de produto seja perigoso para o consumo -- mas acrescentou que não há muitos dados para se avaliar, de forma que é uma boa idéia que se realizem mais pesquisas.

Não se trata, no entanto, de algo que vá aparecer tão cedo, já que ainda não existem produtos transgênicos de origem animal nos Estados Unidos, embora muitos estejam passando pela fase de testes. Ainda não foram formuladas políticas sobre o assunto, diz Sundlof, e, até que isso ocorra, "não poderemos aprovar a utilização comercial de qualquer animal transgênico ou clonado".

Tradução: Danilo Fonseca

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