Maioria dos norte-americanos apóia ataque ao Iraque

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

Nas últimas semanas, temos assistido a uma enxurrada de discursos, colóquios e advertências bem diretas, que veiculam uma única mensagem: entrar em guerra com o Iraque pode ser desastroso. E parece que todo mundo tem um palpite a dar. Esses profetas do apocalipse estão representados por vários setores, desde os nossos aliados europeus até às nações árabes, de famosos republicanos de administrações passadas a democratas do atual Congresso, de colunistas de jornais a comentaristas de televisão.

Sendo assim, é de se imaginar que o público norte-americano esteja seguindo a mesma tendência, pronto a marchar sobre Washington, exigindo que o presidente Bush abandone a sua política da "mudança de regime" com relação ao Iraque, e que "viva e deixe viver". Mas as coisas não são bem assim.

Segundo uma pesquisa de opinião pública do USA Today-CNN-Gallup, realizada na semana passada, mesmo após todas as previsões negativas, 53% dos norte-americanos são favoráveis ao envio de tropas terrestres ao Iraque para derrubar Saddam Hussein.

É verdade que a onda alarmista teve o efeito de erodir parte do consenso quanto a essa guerra. Dois meses atrás, 61% dos norte-americanos afirmavam que enviar tropas ao Iraque era uma boa idéia.

Conforme observou Karlyn Bowman, analista de pesquisas do Instituto Americano de Empresas, a verdade é que, mesmo após essa profusão de análises negativas, o fato de a maioria dos norte-americanos ainda desejar lançar uma ofensiva militar contra o Iraque "é bastante notável".

E o fato é notável porque, historicamente, os norte-americanos relutaram em apoiar ações militares antes que os primeiros tiros fossem disparados. Mas, assim que começa o tiroteio, a população se une em torno da bandeira, pelo menos no início das campanhas militares.

Foi necessário um ataque japonês a Pearl Harbor para convencer a maioria dos norte-americanos de que a entrada na Segunda Guerra Mundial era uma boa idéia. Franklin Roosevelt, assim como Bush neste momento, parecia estar cuspindo contra o vento quando dizia que cedo ou tarde os Estados Unidos teriam que se mobilizar e combater Hitler, ou então se defrontariam com a guerra no litoral do país.

Os norte-americanos expressaram relutância semelhante antes de as tropas dos Estados Unidos se engajarem em combates na Coréia, no Vietnã, no Golfo Pérsico e na Bósnia.

"De maneira geral, a história demonstra a existência de uma persistente cautela pública por todo o período após a 2ª Guerra Mundial", escreveu o já falecido Everett Ladd, famoso analista de pesquisas de opinião, em uma edição de 1986 da revista Public Opinion. "Como povo, gostaríamos de pender consistentemente para o caminho da não intervenção".

Por que então a maioria dos norte-americanos é a favor de uma guerra contra o Iraque?

A pesquisa de opinião do USA Today-CNN-Gallup traz algumas pistas reveladoras que podem ajudar a explicar o fenômeno. Considerem os seguintes números:

- Oitenta e seis por cento dos entrevistados acreditam que Saddam apóia grupos terroristas que planejam atacar os Estados Unidos; 53% estão convictos de que ele está envolvido com os ataques de 11 de setembro.

- Noventa e quatro por cento acham que Saddam tem armas de destruição em massa ou que as está desenvolvendo.

- Oitenta e três por cento daqueles que dizem que Saddam possui tais armas acreditam que o ditador iraquiano as utilizaria para atacar os Estados Unidos.

Portanto, embora somente 53% sejam favoráveis a uma guerra com o Iraque neste momento, maiorias absolutas consideram Saddam como sendo uma ameaça direta e acreditam que mais cedo ou mais tarde ele terá que ser neutralizado.

Assim, a questão fundamental nas mentes daqueles que não são favoráveis a uma intervenção agora é, será que Saddam poderia ser contido através de meios menos drásticos do que uma guerra?

Bush fez uma escolha correta ao se concentrar nessa séria ameaça à segurança de todos os norte-americanos, assim como no processo de descobrir a melhor forma de enfrentar essa ameaça e derrotá-la.

A acalorada polêmica pública, que muitos setores da mídia entendem como uma rejeição às políticas de Bush, é simplesmente um produto da sociedade democrática na qual vivemos. É um debate saudável, ainda que de quando em vez adquira um caráter um pouco exagerado e hiperbólico.

Mas, como sempre, o publico norte-americano está cruzando um nevoeiro de dúvidas e chegando à sua própria conclusão. No momento, a maioria ainda deseja que Saddam seja derrubado do poder -- por bem ou por mal.

Tradução: Danilo Fonseca

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