Lojistas nos EUA se preparam para surto patriótico de compras

Greg Wright
USA Today
Em Washington (EUA)

Muita gente acredita que o apetite de consumo dos norte-americanos por todos os objetos nas cores vermelho, branco e azul vai crescer enormemente, conforme a nação se prepara para lembrar o primeiro ano decorrido desde os ataques terroristas de 11 de setembro, embora alguns especialistas afirmem que os consumidores estão saturados de artigos relacionados à data fatídica.

- As lojas da rede Wal-Mart estão mantendo um número maior de bandeiras em estoque. A Wal-Mart vendeu quase cinco milhões de bandeiras norte-americanas nos primeiros oito meses após os ataques terroristas, o que representou um aumento de quatro vezes nas vendas, segundo a porta-voz da empresa, Karen Burk.

- A Hallmark Cards está confeccionando mais cartões com temas patrióticos e decalques da bandeira. A expectativa é que a demanda por tais artigos seja intensa entre o dia 11 de setembro, que o presidente Bush denominou de "Dia do Patriota", até o Dia dos Veteranos, em 11 de novembro, de acordo com a porta-voz da companhia, Rachel Bolton.

- Uma edição especial dos gibis da Marvel, que homenageia os trabalhadores das equipes de resgate de 11 de setembro, e uma boneca Barbie nos trajes da Mulher Maravilha, vestida com a bandeira dos Estados Unidos, são artigos de consumo que fazem sucesso na loja Dolls America, segundo Greg Yano, o dono da empresa de vendas pela Internet.

- Os diretores do maior site de vendas na Internet, o eBay, acreditam que mais artigos relativos ao 11 de setembro serão movimentados através do seu Web site à medida que o aniversário dos ataques se aproxima, segundo o porta-voz Kevin Pursglove. Em agosto, dezenas de artigos já estavam à venda, inclusive insígnias policiais e um documentário em DVD.

Durante séculos, as populações compraram lembranças relacionadas a eventos trágicos e heróicos, afirma Bruce Gronbeck, professor de comunicação política da Universidade de Iowa.

Artesãos na antiga Grécia fizeram estátuas para comemorar batalhas famosas, diz ele. As pessoas também corriam a comprar fotografias e livros comemorativos após a devastadora Enchente Johnstown, que ocorreu em 1889, na Pensilvânia, e o naufrágio do Titanic, em 1912, afirma Henry Rinker, que administra o Instituto de Estudos de Objetos Antigos e de Coleção, em Emmaus, na Pensilvânia.

O ímpeto dos norte-americanos para comprar artigos comemorativos do 11 de setembro é forte porque os ataques ainda estão bem marcados nas mentes da população, afirma Paul Levinson, especialista em comunicação e cultura popular da Universidade Fordham, em Nova York.

Os Estados Unidos ainda estão às voltas com as repercussões dos ataques, a guerra contra a Al Qaeda está em andamento no Afeganistão e Osama bin Laden não foi encontrado.

"Pode demorar décadas até que superemos esse trauma", afirma Levinson.

Mas Gronbeck diz que existe a possibilidade de que a demanda por tais artigos venha a sofrer uma desaceleração, em parte porque a economia enfrenta problemas e os consumidores estão ficando saturados com o assunto.

"O público já absorveu uma grande quantidade de lembranças sobre a tragédia", diz Gronbeck.

Gronbeck, Rinker e Levinson concordam que os artigos que lembram o 11 de setembro têm sido de bom gosto e discretos, quando comparados às enxurradas de pratos de porcelana, pôsteres, bonecas e camisas de malha vendidos após outras tragédias.

Realmente, o eBay suspendeu as vendas de todos os produtos relacionados ao 11 de setembro durante os 90 primeiros dias após os ataques. Os vendedores têm tido cuidado para não enfurecer parentes das vítimas, especialmente após a indignação pública que houve quando alguém tentou vender botas de bombeiros mortos no World Trade Center pela Internet, logo após os ataques.

Purgslove diz que o seu Web site vai permitir que qualquer artigo ligado ao 11 de setembro seja comercializado, desde que não seja propriedade do governo.

Tradução: Danilo Fonseca

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