Especialistas desaconselham mudanças súbitas na política econômica americana

Barbara Hagenbaugh
USA Today
Em Jackson Hole (EUA)

A alteração das políticas fiscais ou das taxas de juros a fim de se promover ajustes a cada alteração da economia se constitui em um rumo perigoso a se seguir, já que tais medidas nem sempre funcionam e podem causar mais malefícios do que ajudar. A avaliação foi feita por economistas que participaram de uma conferência realizada no último final de semana em Wyoming, nos EUA.

Embora a discussão não tenha se concentrado diretamente na economia dos Estados Unidos, a conclusão a que se chegou na conferência, patrocinada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), veio em boa hora.

O governo Bush está estudando maneiras de modificar as políticas fiscais, a fim de estimular os negócios e os investimentos do consumidor. Alguns analistas desejariam que o Fed reduzisse ainda mais as taxas de juros, que estão no nível mais baixo dos últimos 40 anos, a fim de reativar a empacada economia norte-americana.

Mas, segundo os participantes do evento, um grupo de famosos economistas do Fed, da Casa Branca e de Wall Street, as políticas monetárias e fiscais não devem ser consideradas jamais como uma panacéia para a cura de todos os males da economia, especialmente ao se considerar que as informações em tempo real sobre o universo econômico são geralmente nebulosas. Isso quando tais informações estão de fato disponíveis. "O ativismo em termos de políticas econômicas não significa necessariamente que essas políticas terão sucesso", afirmou Alan Auerbach, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, ao se referir aos impostos.

Elogiando a conferência de dois dias, realizada nas proximidades do Parque Nacional Grand Teton, em Wyoming, o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, argumentou que o Fed não tinha como "perfurar" com sucesso a bolha do mercado de ações do final da década de 90, um fato que foi responsável, em parte, pela recessão do ano passado, segundo os economistas. Alguns dizem que o Fed deveria ter adotado uma política no sentido de desinflar vagarosamente a bolha, ao invés de deixar que ela explodisse.

Mas Greenspan afirmou que é difícil constatar a existência de uma bolha, até que ela de fato estoure. Desinflar uma bolha por meio do aumento das taxas de juros poderia levar a uma "contração substancial" da atividade econômica.

"A idéia de que um incremento cronologicamente bem controlado poderia ter sido calibrado para prevenir o surgimento da bolha do final da década passada é quase que com certeza ilusória", disse o presidente do Fed.

Ao invés disso, o Fed deveria se concentrar em manter a inflação em níveis baixos e o crescimento em um patamar estável de forma que, caso uma bolha -- no que tange ao mercado de ações ou a outros setores da economia -- venha a estourar, a "recuperação seja mais rápida", afirmou o diretor da Merrill Lynch International, Jacob Frenkel.

Em 24 de setembro o Fed vai fazer uma reunião para discutir as taxas de juros. Nas últimas semanas, as autoridades da instituição têm minimizado a possibilidade de que haja um outro corte nos juros, alegando que as taxas já estão em um patamar suficientemente baixo para conferir sustentação à economia.

A política fiscal é um método ainda menos desejável para se atuar sobre a economia, em parte porque demora muito tempo para que as mudanças dessas políticas passem pelos meandros do processo legislativo. Quando a nova lei fiscal fosse aprovada, o problema já teria sido superado. Tão logo a nova política seja adotada, fica mais difícil reverter as alterações nas taxas de juros, disseram os economistas.

Vários economistas manifestaram preocupação quanto ao retorno dos déficits de orçamento nos Estados Unidos, especialmente ao se considerar que não vai demorar muito para que os "baby boomers" (geração nascida nas duas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial) se aposentem e passem a viver dos rendimentos do sistema previdenciário. Eles recomendaram cautela quanto a novas medidas capazes de diminuir a coleta de impostos de pessoas físicas e jurídicas.

Tradução: Danilo Fonseca

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