EUA vivenciam em um único dia as emoções de um ano

Clique aqui para visitar o site especial do 11 de setembro

Chuck Raasch
USA Today
Em Washington (EUA)

Um ano inteiro de emoções foi condensado em um dia longo e solene, quando os Estados Unidos e o mundo lembraram o aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro.

Marcado por tristeza e esperança, medo e desafio, o dia apontou para duas direções. Uma delas era relativa às memórias de 11 de setembro do ano passado, a outra dizia respeito às incertezas do futuro.

Como se para ilustrar a dureza da realidade, um vendo inclemente soprou sem parar durante as cerimônias em Nova York, Washington e Shanksville, na Pensilvânia.

"Estamos reafirmando o nosso compromisso em vencer a guerra que começou aqui", disse o presidente Bush durante a cerimônia pela manhã, no Pentágono.

À distância, o vento agitava uma gigantesca bandeira dos Estados Unidos que envolvia um hotel em frente ao centro militar do país.

Em meio a antigos medos e a novos alertas quanto a atentados terroristas, as emoções estiveram sempre à flor da pele. No local onde ficava o World Trade Center, a jovem Brittany Clark leu um poema ao pai, que morreu no desmoronamento das torres gêmeas. Ela disse que o poema a fez sentir como se o pai ainda estivesse presente.

Bush, com o humor nitidamente mais sombrio do que um ano atrás, foi estóico, apesar de se mostrar um pouco abalado, durante a cerimônia matinal no Pentágono.

"Um ano atrás, homens, mulheres e crianças foram mortos por serem norte-americanos", disse Bush, enfatizando a palavra "crianças".

Tratou-se de uma conexão sutil com as ameaças ainda presentes. O terrorismo, por sua própria natureza, é o caos planejado, indiferente quanto à escolha das vítimas, e pronto a comemorar qualquer morte -- por mais inocente que seja o alvo. Um dos supostos mentores dos ataques de 11 de setembro teria se gabado, em um rede árabe de televisão, esta semana, de que os ataques poderiam atingir até mesmo os jardins-de-infância norte-americanos.

Em parte devido ao formato dos eventos, em parte porque foi algo de inevitável, os atos em memória das vítimas, realizados na quarta-feira, também serviram para nos lembrar que esta é uma nação em guerra, ainda que os rituais diários da vida nos Estados Unidos não sugerissem tal fato.

Washington estava rodeada por baterias antiaéreas pela primeira vez desde os dias mais sombrios da Guerra Fria.

Um serviço religioso, realizado ao meio-dia, na Igreja Metodista Unida de Farlington, há cinco quilômetros do Pentágono, foi interrompido por um momento, quando aviões de caça sobrevoaram o local. Vários membros da congregação trabalham no Pentágono ou possuem amigos e cônjuges que são funcionários naquele centro militar.

O luminoso altar da igreja Farlington estava decorado com orações escritas há um ano, quando o país estava imerso em dor. Nele havia uma pintura retratando o Pentágono sob ataque e uma outra do céu noturno de Nova York, com dois fachos de luz onde ficava o World Trade Center.

Os helicópteros que sobrevoavam Washington davam por vezes a impressão de que se estava na Saigon de 1972, e não na capital dos Estados Unidos, em 2002.

"O caminho que temos pela frente é longo", disse o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld.

E não é um caminho que tenha um final lógico à vista. Ao contrário do que ocorreu em guerras passadas, nas quais exércitos discerníveis, fronteiras definidas e terras ocupadas se constituíam em um parâmetro de avaliação das tarefas com as quais o país se defrontaria, os mentores dos atentados de 11 de setembro não reconhecem fronteiras civilizadas.

Na quarta-feira, os seus atos foram lembrados na dor que afligia as famílias das vítimas, e nas tristes cerimônias realizadas em todo o país. E também nos vagos alertas quanto a novos atentados.

Em Fairlington, foram feitas orações até mesmo pela alma dos terroristas.

Para muitos, o aniversário foi um dia terrível -- nem tanto pelo temor de que houvesse imitações dos atentados, ou um "capítulo dois" dos ataques -- mas pelas memórias que trouxe à tona.

O ritmo normal da vida foi novamente interrompido.

O setor empresarial dos Estados Unidos, que vem sendo pressionado nos últimos meses devido aos escândalos contábeis de que foi protagonista, fez um pausa para se juntar às cerimônias. Wall Street abriu as portas mais tarde. A Kmart solicitou um minuto de silêncio nas suas lojas. A J.C. Penney ofereceu fotos de bandeiras. A Macy's pediu aos clientes que doassem sangue. A Lord & Taylor imprimiu um poema em uma página inteira de jornais, que terminava com a frase "Viveremos pela paz".

À medida que o dia se desenrolava, certas questões continuavam no ar.

"O assassinato de inocentes não pode ser explicado, apenas suportado", disse Bush no Pentágono.

Agora, entretanto, as questões que persistem são diferentes. A memória de um ano e o dia de temor, estão passando para as páginas da história. O que mais importa agora é o que acontecerá daqui para frente.

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos