Agricultura dos EUA pode ser alvo de bioterrorismo

Tim Friend
USA Today

A agricultura dos Estados Unidos é vulnerável a um ataque realizado com organismos biológicos, e pouco pode ser feito para a prevenção contra essa ameaça, concluiu um estudo federal feito por autoridades no assunto.

No entanto, a infraestrutura já existente para evitar a ocorrência de epidemias naturais capazes de atingir o setor agrícola e a pecuária do país poderia ser fortalecida para possibilitar uma resposta rápida e a contenção de um ato terrorista, segundo uma comissão de pesquisadores da Academia Nacional de Ciências.

A comissão foi formada pelo Departamento de Agricultura antes dos ataques de 11 de setembro, a fim de investigar as ameaças potenciais à agricultura. As conclusões devem ser divulgadas neste final de semana. Elas foram passadas em março para a Casa Branca.

Devido ao fato de as fazendas estarem espalhadas por áreas muito extensas, um ataque não seria capaz de colocar em risco a produção geral de alimentos, afirma James Cook, vice-diretor da comissão e especialista em pesquisa sobre trigo da Universidade do Estado de Washington. "Mas poderia haver um caos econômico", adverte Cook.

O impacto de um ataque terrorista sobre a agricultura, diz ele, seria similar ao da epidemia da doença da vaca louca no Reino Unido e no resto da Europa. Os criadores foram obrigados a destruir rebanhos inteiros, vários produtos foram colocados em quarentena, os consumidores passaram a desconfiar da segurança dos alimentos e o turismo foi seriamente prejudicado.

A disseminação intencional de micro-organismos poderia também lembrar a maneira como se desenrolou a epidemia do vírus West Nile: mortes de seres humanos, estoques contaminados de sangue e mortalidade em massa de populações de animais selvagens. Acredita-se que o vírus West Nile tenha sido introduzido acidentalmente em Nova York. Harley Moon, membro da comissão e professor de medicina veterinária da Universidade do Estado de Iowa, afirma que a agricultura norte-americana se baseia em um sistema composto de grandes extensões de trigo, milho, soja e outras culturas que são impossíveis de se monitorar. Da mesma forma, a indústria de laticínios, granjas e instalações pecuárias são especialmente vulneráveis a ataques terroristas, devido ao seu tamanho e à concentração dos animais.

A comissão estudou exemplos de ataques terroristas realizados no passado contra a agricultura, inclusive relatórios de envenenamento de frutas cítricas exportadas de Israel para a Europa e tentativas, tanto por parte dos Estados Unidos quanto da ex-União Soviética, de transformar certos agentes patogênicos, como aquele que provoca o ressecamento dos pés de trigo, em armas biológicas.

A fim de aprimorar a resposta a uma ameaça terrorista de tal natureza, a comissão fez as seguintes recomendações ao governo:

- Abertura dos canais de comunicação entre agências de inteligência e especialistas em agricultura.

- Estabelecimento de uma rede ligando os laboratórios, de forma a detectar, identificar e diagnosticar rapidamente os agentes patogênicos.

"O céu não está caindo sobre as nossas cabeças", diz Cook. "Mas, cedo ou tarde, alguém vai visar a nossa agricultura. Agora é o momento de adotar os sistemas de resposta a essa ameaça".

Tradução: Danilo Fonseca

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