Onde já chegamos com a engenharia genética?

Elizabeth Weise
USA Today

Você comeu algum hambúrguer transgênico recentemente? Não é provável. Não houve liberação de consumo de carne de animais geneticamente modificados nos Estados Unidos ou em qualquer outro país do mundo.

Evidentemente, os seres humanos vêm modificando animais geneticamente há dezenas de milhares de anos, por meio de cruzamento seletivo. Mas a clonagem e os transgênicos levam essa prática um gigantesco passo adiante --e alguns dizem que longe demais.

Clones são cópias genéticas quase exatas de um animal. Transgênicos são animais, plantas ou até mesmo bactérias que tenham genes de outra espécie qualquer inserida em sua composição genética para acelerar seu crescimento, conferir resistência a doenças ou produzir medicamentos ou outras coisas úteis para os seres humanos.

Se você já comeu queijo, cereais matinais ou tomou refrigerantes, as chances são de que tenha encontrado produtos geneticamente modificados. A Associação dos Fabricantes de Produtos Alimentícios dos Estados Unidos estima que 70% dos alimentos processados contenham ingredientes oriundos de safras modificadas por biotecnologia.

Os transgênicos propiciam peixes maiores para a pesca --mas também provocam problemas imensos.

Os celeiros talvez jamais voltem a ser os mesmos à medida que a ciência continua a criar animais por engenharia genética com o objetivo de que cresçam mais rápido e com mais saúde, ajudem o meio ambiente ou produzam medicamentos. Eis algumas indicações sobre o que a ciência já conseguiu produzir:

Porcos ambientais: Animais como porcos ou aves domésticas não podem usar a forma indigerível do fósforo encontrada nos grãos, o fitato, de modo que os fazendeiros precisam suplementar suas dietas com outra forma de fósforo para obter um crescimento ideal. Mas os porcos foram modificados por engenharia genética para que sejam capazes de digerir fitato --eliminando a necessidade de suplementar suas dietas e ao mesmo tempo reduzindo o conteúdo de fósforo poluente em seu esterco em até 75%. Os eflúvios gerados por esterco com alto conteúdo de fósforo é um importante agente poluente de rios e lagos, reduzindo os níveis de oxigênio, causando a formação de algas que matam peixes e contaminam o suprimento de água.

Bagres capazes de curar a si mesmos. A doença é o problema número um para os criadores de bagres, e causa prejuízos de até US$ 150 milhões anuais. Cientistas da Universidade Auburn, do Alabama, transferiram um gene de mariposa para bagres, que lhes permite excretar uma proteína de combate a bactérias que os protege contra infecções bacterianas e melhora suas chances de sobrevivência em entre 200% e 400%.

Bodes sedosos. A Nexia Biotechnologies, do Canadá, criou bodes que produzem seda semelhante à das aranhas em seu leite. Ela pode ser extraída para aplicações industriais como a produção de coletes a prova de balas leves e resistentes.

Sêmen de porcos. Os fabricantes de medicamentos vem há muito sendo limitados em sua capacidade de produzir certas proteínas complexas de maneira fácil e barata nos laboratórios. Frangois Pothier, um professor de Ciências Animais na Universidade Laval, em Quebec, inseriu um gene de proteínas difíceis de sintetizar em embriões de porcos. Quando os porcos machos amadurecem, excretam essa proteína em seu sêmen. Ela pode ser extraída para produzir remédios para os seres humanos. Porque o sêmen, diferentemente do leite, não contém gordura, é mais fácil extrair a proteína visada. Porcos machos podem produzir até um litro de sêmen ao dia.

Salmões maiores. A Aqua Bounty Farms, sediada em Waltham, Massachussets, criou um salmão que cresce de quatro a seis vezes mais rápido do que o salmão comum. Espera-se que ele seja o primeiro animal transgênico a ser aprovado sob o processo regulatório da Food and Drug Administration (FDA, a agência federal norte-americana que regulamenta e fiscaliza alimentos e remédios), assim que ele estiver em vigor, talvez já no ano que vem.

Mais órgãos. Os porcos, cujos órgãos têm tamanho parecido com os dos seres humanos, estão sendo modificados por engenharia genética para que se assemelhem quimicamente aos seres humanos. No futuro, suas válvulas cardíacas e fígados poderão ser usados para aliviar a escassez de órgãos para pacientes de transplantes, sem causar rejeição.

Tradução: Paulo Migliacci

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