Uso da aspirina pode retardar o início do Mal de Alzheimer

Kathleen Fackelmann
USA Today

O uso regular da aspirina ou de analgésicos semelhantes pode impedir o Mal de Alzheimer, de acordo com um novo estudo.

As conclusões reforçam a esperança de que um dia os pesquisadores encontrem uma proteção efetiva contra o Mal de Alzhmeimer, uma doença cerebral progressiva que lentamente priva as pessoas de sua capacidade mental e afeta quatro milhões de pacientes nos Estados Unidos.

John Breitner, pesquisador do Centro de Saúde Puget Sound, e sua equipe sabiam que outros estudos haviam indicado que os remédios anti-inflamatórios não esteróides (conhecidos por NSAIDS), como a aspirina e o ibuprofen, poderiam ajudar a retardar o início do Mal de Alzheimer.

Para confirmar essas conclusões preliminares, a equipe recrutou mais de cinco mil pessoas com mais de 65 anos que não sofriam de Alzheimer. A equipe perguntou aos participantes se eles usavam os NSAIDS regularmente.

Os pesquisadores acompanharam o número de pacientes de Alzheimer que surgiram ao longo do estudo de três anos, dentre os participantes. Uma análise estatística sugere que as pessoas que tomavam ibuprofen ou naproxen tinham redução de risco da ordem de 70%, e que os usuários de aspirina, freqüentemente em doses baixas para evitar o risco de doenças cardíacas, haviam reduzido seu risco de Alzheimer em cerca de 50%, disse ele.

As conclusões do estudo, publicadas na edição desta terça-feira de Neurology, a revista da Academia Norte-Americana de Neurologia, sugerem que esses remédios ajudam apenas quando usados por diversos anos antes do surgimento dos sintomas. Assim que uma perda leve de memória surgir, provavelmente será tarde demais para usá-los, diz Breitner.

O Mal de Alzheimer, a causa mais comum de demência em pessoas com mais de 65 anos, gera perda de memória, mudança de personalidade, equívocos de julgamento, dificuldades de linguagem e, no final, incapacidade para executar tarefas simples.

Diversos fatores podem causar o Mal de Alzheimer, mas alguns estudos sugerem que uma proteína tóxica presente no cérebro chamada beta amilóide pode desempenhar um papel no desenvolvimento da doença. Alguns especialistas acreditam que a aspirina e remédios semelhantes podem ajudar a evitar o Mal de Alzheimer por meio da redução do volume de beta amilóide no cérebro.

O estudo não oferece prova científica de que a aspirina e assemelhados protejam contra o Mal de Alzheimer, acautela David Knopman, neurologista da Clínica Mayo, em Minneapolis. Essa conclusão, que poderá ser confirmada por estudos maiores, talvez demore ainda cinco anos.

Até lá, os especialistas dizem que as pessoas saudáveis não deveriam tomar aspirina apenas para prevenir o Mal de Alzheimer.

"Não o recomendo", diz Breitner, acrescentando que a aspirina e os outros remédios podem causar sangramento estomacal.

Tradução: Paulo Migliacci

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