Arte marcial israelense faz sucesso como método de defesa pessoal

Jack Bertram
USA Today

No mundo das artes marciais, uma luta chamada "krav maga" é, atualmente, uma das mais procuradas.

A crescente popularidade de instrutores civis do sistema oficial de defesa pessoal das Forças de Defesa Israelenses tem sido documentada em filmes de Hollywood, assim como em incontáveis jornais, revistas e programas de televisão de todo o mundo.

Durante as aulas, luzes estroboscópicas piscam em flashes, confundindo os sentidos e aumentando a sensação da velocidade e da intensidade dos atacantes.

A vítima fica rodeada por um grupo de agressores, malfeitores, arruaceiros, além de um funcionário de uma companhia de gás e um professor de música.

A luta se desenrola e, enquanto "todos na sala aprendem como se controlar", a lição principal da noite é que "a defesa pessoal precisa incluir a neutralização do atacante", afirma David Cook, instrutor e dono da academia David C. Cook's Luta & Defesa Pessoal. A luta em questão é a krav maga.

Essa técnica de defesa pessoal também foi adotada por várias agências policiais em todo os Estados Unidos. Mark Peterson, aluno de Krav Maga, viu pela primeira vez essa arte marcial no filme "Enough", com Jennifer Lopez, no qual a personagem representada pela atriz utiliza a luta para enfrentar o marido que a maltrata.

DaRon Maughon, músico de 32 anos, leu sobre a luta israelense na revista Time.

Segundo Cook, a luta o atraiu devido à simplicidade do estilo, "e ao objetivo direto de se eliminar a ameaça o mais rapidamente possível, eliminando os contra-ataques".

Ao contrário de outras artes-marciais mais conhecidas, nas quais a técnica e o ritual são os fatores mais importantes, a essência da krav maga é essencialmente "terminar o serviço", lançando mão de todos os meios disponíveis.

Mas isso não significa que o treinamento em krav maga ignore os detalhes.

Em uma aula típica, Cook demonstra técnicas para escapar de estrangulamentos e para aplicar golpes efetivos contra atacantes que portam armas de fogo, assim como técnicas de ataque, como, por exemplo "dar um abraço de urso em um oponente, imprensando-o contra uma parede, enquanto se arranca os seus globos oculares".

"Os Estados Unidos querem responder às agressões", afirma Cook, e a popularidade da arte-marcial israelense se deve em grande parte à indignação pública para com as ameaças terroristas e a atual epidemia de seqüestros de crianças.

Segundo Cook, "os 'heróis' do Vôo 93, que atacaram seqüestradores da aeronave, no dia 11 de setembro de 2001, possuíam o espírito da krav maga. Eles manifestaram a vontade de reagir, ao invés de se tornarem vitimas".

Há quem diga que a krav maga traça uma linha tênue entre a defesa pessoal e a brutalidade.

De fato, se o objetivo é escapar, a vítima vai querer que o seu atacante fique incapacitado de alguma forma, ou, pelo menos, vai desejar desencorajar o agressor a continuar seguindo a sua linha de ação.

"Se você simplesmente bloquear um soco e revidar com um outro, jogando o oponente no chão, ele ainda poderá se levantar", afirma Cook.

O filho de Cook, Bryan, que tem 14 anos e está no primeiro ano do segundo grau, pratica a luta com tanto afinco que, em julho, trouxe para casa um troféu da competição da Associação Internacional de Krav Maga.

"E, caso eu tivesse uma filha, o treinamento seria obrigatório", diz Cook.

Devido ao fato de as forças armadas israelenses recrutarem tanto homens quanto mulheres, os militares procuram enfatizar a equalização de quaisquer disparidades físicas em termos de peso e força dos combatentes.

Mario Gonzalez, assessor de combate da academia Courthouse Gynmastics, não está surpreso com a emergência da krav maga.

"Essa é a tendência", explica Gonzalez. "Atualmente, todos estão praticando defesa pessoal. Todo mundo anda nervoso com tudo o que tem acontecido".

Embora a academia de Cook tenha mais alunos do sexo masculino, ele diz que uma aluna de Memphis, Tennessee, recentemente se matriculou para as aulas. Ela havia ouvido falar da krav maga, mas não encontrava uma academia na área em que morava. Um outro aluno da academia tem 62 anos.

O aluno Peterson enfatiza que o treinamento se constitui em "um exercício físico muito bom. É algo muito atraente".

Segundo Cook, uma faixa amarela em algumas artes marciais pode exigir um teste de habilidades com a duração de 15 minutos. Já na krav maga, esse teste pode demorar um mínimo de uma hora.

Cook diz que um teste para a faixa preta em krav maga exige um exame de nove horas.

"É preciso demonstrar capacidade de luta e suportar o teste físico", diz ele.

"Mesmo assim, é fácil aprender krav maga", diz Peterson. "Eles te ensinam uma abordagem simples para a defesa pessoal".

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos