Política nacionalista de Schroeder abala relações entre Alemana e EUA

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

O chanceler alemão Gerhard Schroeder se reelegeu por uma estreita margem, na semana passada, utilizando um programa eleitoral de tom anti-americanista.

E o presidente Bush ficou irritado.

Tão irritado que não enviou a tradicional mensagem de parabéns que os presidentes enviam aos chefes de Estado das nações amigas, quando esses vencem a eleição.

Ao invés disso, Bush deixou claro que Schroeder tem muito trabalho a fazer a fim de reparar os danos infligidos sobre as relações entre os dois aliados, devido aos seus ataques públicos contra os Estados Unidos em geral e, especialmente, contra a política norte-americana para o Iraque.

Normalmente, políticos veteranos como Bush sabem que, durante eleições, os candidatos devem adotar determinadas posturas para ganhar votos de certos segmentos eleitorais. Neste caso, Schroeder estava atrás nas pesquisas, seis semanas antes das eleições. Ele só passou a virar o jogo quando começou a manifestar a sua oposição à participação alemã em uma guerra contra o Iraque, adotando essa postura como o ponto central da sua campanha.

Mas Bush acha que Schroeder ultrapassou os limites, ao deixar as coisas saírem demasiadamente de controle, ao ponto de a sua ministra da Justiça ter, supostamente, comparado às táticas do presidente norte-americano àquelas utilizadas por Adolf Hitler. E o próprio Schroeder enfureceu Bush, ao se referir aos seus planos para atacar o Iraque como uma "aventura".

Além do mais, Schroeder apelou para um sentimento alemão renovado de nacionalismo, ao repetir durante a campanha que gostaria de fazer as coisas "à maneira alemã", uma frase que causou intranqüilidade não só nos Estados Unidos, mas também na Europa.

Após as eleições, Schroeder se apressou em tentar reparar o estrago. Ele demitiu a ministra da Justiça, voltou a anunciar o apoio e a participação alemãs na guerra contra o terrorismo no Afeganistão, e fez com que o seu ministro do Exterior, Joschka Fischer, telefonasse para o seu colega norte-americano, o secretário de Estado Colin Powell, a fim de manter as linhas de comunicação abertas.

Fischer, em uma entrevista ao jornal The New York Times, foi bastante conciliador, chamando os Estados Unidos de "o nosso mais importante aliado".

"Nunca nos esqueceremos de que fomos libertados pelos Estados Unidos", afirmou Fischer. "Vocês nos defenderam durante a Guerra Fria, protegeram Berlim Ocidental e, sem o pai do presidente, nunca teria havido uma caminho tão suave rumo à unificação pacífica. Nunca nos esqueceremos desses fatos".

O presidente George W. Bush ajudou a promover a unificação pacífica da Alemanha e a entrada do país para a Otan, em 1991, após o colapso da União Soviética.

Mas, que ninguém se engane. Existe um sentimento anti-americano que campeia na Alemanha e cuja faceta perigosa pode ir além de uma mera discordância quanto à questão do Iraque. O analista Jeffrey Gedmin, do Instuto Aspen, em Berlim, diz que há três grandes fatores a ser considerados.

- Um crescimento do nacionalismo alemão no período pós-Guerra Fria.

- Uma forte ideologia pacifista predominante entre um grande segmento da população.

- Um ressentimento crescente com relação aos Estados Unidos, que emergiram como a única superpotência mundial.

"Isso alimenta um complexo de inferioridade que muitos alemães possuem", afirma Gedmin.

Ao mesmo tempo, parece que Bush e Schroeder têm personalidades conflitantes: Bush é o texano amigável, que gosta de distribuir tapinhas nas costas; Schroeder, o político abertamente ambicioso, vaidoso e sensível.

Schroeder comprou briga com a imprensa alemã, quando esta especulou que ele havia pintado o cabelo. E, em junho, ele colocou um chapéu de caubói de volta na cabeça do vice-prefeito de Calgary, Canadá, quando o político lhe ofereceu o ornamento de presente, como um símbolo da cidade.

É evidente que é preciso fazer muitos reparos diplomáticos nas relações entre os dois países. E Bush, seja pessoalmente, seja através de emissários, terá que assumir a liderança desse processo. O relacionamento entre Estados Unidos e Alemanha é muito importante para deixar que ele se deteriore ainda mais.

Tradução: Danilo Fonseca

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