Planta criada por biotecnologia absorve resíduos venenosos do solo

Elizabeth Weise
USA Today

Cientistas anunciaram na segunda-feira (07) que criaram, com técnicas de biotecnologia, uma planta capaz de absorver arsênico do solo e descobriram a seqüência completa dos genes de um micróbio capaz de remover metais pesados da água.

Os anúncios foram feitos na revista Nature Biotechnology. A técnica utiliza plantas e micróbios para limpar áreas com índices perigosos de poluição, de forma barata e eficiente. Alguns cientistas chegam a antever o dia em que árvores e grama serão utilizadas para a mineração sem que se danifique o solo.

Segundo Richard Meagher, autor principal dos artigos, o primeiro grupo de pesquisadores acrescentou um novo gene da bactéria Escherichia coli e um outro da soja à Arabidopsis thaliana, uma parente distante do repolho, para fazer com que a planta adquirisse apetite pelo arsênico.

A Arabidopsis retira de forma eficiente o arsênico presente no solo e o armazena nas suas folhas, que podem ser colhidas e destruídas com facilidade. A contaminação por arsênico é um problema grave no mundo todo mas, retirar esse elemento do solo é uma tarefa de preço proibitivo, que exige que sejam feitas escavações na área contaminada e que se enterre o material coletado novamente em locais mais seguros.

O segundo grupo de cientistas anunciou o sequenciamento do genoma da Shewanella bacterium. A bactéria, que é encontrada em quase todos os sedimentos em água doce e na foz de rios, possui a curiosa característica de respirar metais, e não oxigênio.

Quando a bactéria respira, ela retira poluentes, tais como o urânio e o cromo, dissolvidos na água, e os transforma em partículas sólidas. Essas partículas podem ser, em seguida, removidas.

Conhecendo a seqüência, dizem os cientistas, é possível utilizar melhor a Shewanella para evitar a dispersão de poluentes nos lençóis aqüíferos. Poderia também ser possível descontaminar lençóis freáticos já poluídos, segundo o microbiólogo ambiental John Heildelberg, do Instituto de Pesquisas Genômicas, em Rockville, Maryland, que é autor do estudo.

"É só bombear a água dos lençóis para que, com a bactéria, possamos filtrar os metais pesados", diz ele.

Jane Rissler, pesquisadora associada à União de Cientistas Preocupados, de Washington D.C., afirma que pode haver grandes benefícios advindos da bio-remediação, mas adverte que é necessário uma análise de risco e benefício.

"Haveria a possibilidade de essas plantas ficarem localizadas em regiões onde o fluxo de pólen pudesse afetar as reservas de alimentos?", questiona Rissler. "Que organismos seriam afetados pela ingestão dessas plantas?".

A bio-remediação foi notícia pela primeira vez nos anos setenta, quando cientistas começaram a utilizar bactérias devoradoras de petróleo para limpar regiões atingidas por vazamentos desse produto.

Há muito considerado uma espécie de "primo louco" da ciência, esse campo está começando a adquirir um caráter próprio. Grandes iniciativas de pesquisa ocorrem na Alemanha, Inglaterra, Austrália e Canadá. Nos Estados Unidos, o número de laboratórios aumentou de um punhado, há uma década, para cerca de 30.

Megher afirma que esse campo de pesquisas está finalmente começando a deslanchar. O seu laboratório está fazendo experiências com árvores que são capazes de retirar do solo uma concentração de até 50 partes por milhão de mercúrio, a cada três meses. "Não estava certo de que viveria o suficiente para presenciar essa revolução científica, mas, agora, tenho convicção de que sim".

Tradução: Danilo Fonseca

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