Verdadeiros "caçadores de fantasmas" reclamam de preconceito

Thomas Nord
USA Today

Simplesmente não é justo. Troy Taylor só viu um fantasma em sua vida e não estava nem um pouco interessado em caçá-lo.

Mas sabem como é a mídia. Tão preguiçosa.

"Você acaba se cansando de todo artigo que é publicado dizendo, 'Ele não tem medo de nenhum fantasma'", diz Taylor. "Ou de quantas vezes vão dizer 'Quem você vai chamar para fazer esse tipo de serviço?'".

A aparição singular presenciada por Taylor foi vista no verão de 2001. Sendo um dos mais importantes pesquisadores de assuntos paranormais dos Estados Unidos, Taylor foi levado até um estábulo no norte do Estado de Indiana que, segundo os moradores locais, seria assombrado.

Na grande maioria das vezes, esse tipo de alegação significa coisas como sons estranhos, portas que batem sozinhas ou calafrios inexplicáveis.

"Não estamos procurando fantasmas", explica Taylor, parecendo contradizer a sua própria atividade. "O que buscamos são explicações naturais para aquilo que se vê ou ouve. Noventa por cento dos casos que investigamos demonstraram não ter nada a ver com fantasmas".

O ceticismo é uma condição necessária para a atividade, mas é bem difícil resistir aos atrativos de um estábulo assombrado quando se é presidente da Sociedade Americana de Fantasmas, e quando se escreveu 25 livros sobre o assunto.

"Sentamos no estábulo por horas a fio. Estava tudo muito escuro e quente", conta Taylor. "Através da porta trancada do estábulo apareceu uma luz branca -- ofuscante, mais clara do que qualquer lanterna que já vi -- com cerca de 30 centímetros de largura por um metro de altura. Ela iluminou tudo dentro do estábulo".

A seguir, a coisa ficou realmente assustadora.

"A luz passou a se movimentar de um extremo a outro do estábulo", conta ele. "Ela atravessou as paredes sólidas das baias dos cavalos com a velocidade de uma pessoa andando rapidamente. Tudo isso levou cerca de 20 segundos".

Naturalmente, ele tirou uma porção de fotografias, não é mesmo?

"E é assim que termina a história", diz ele, embaraçado. "Nenhuma foto! Após 20 anos como caçador de fantasmas, fiquei lá sentado com a boca aberta olhando a coisa se mover à minha frente".

Ele não se importa muito com o fato de as pessoas acreditarem ou não na sua história. Taylor já ultrapassou essa fase há muito tempo.

"Mas me preocupo muito com isso", diz ele, falando da sua casa, em Alton, Illinois. "Não é necessário que as pessoas acreditem em algo para que eu continue a investigá-la e a procurar por ela. Estou buscando evidências mais para mim próprio do que para os outros. Não tenho uma agenda definida".

O que ele possui é uma carreira de sucesso como autoridade com relação aos fenômenos paranormais. Estes fenômenos são simplesmente aqueles que a ciência não é capaz de explicar.

Além dos seus próprios livros -- o último, "Confessions of a Ghost Hunter" ("Confissões de um Caçador de Fantasmas"), deve ser lançado este mês -- a sua editora Whitechapel Press publica obras de vários outros autores do gênero. Ao mesmo tempo, a livraria de Taylor, The History & Hauntings Book Company, em Alton, é uma verdadeira Meca para os que apreciam o assunto.

Caçador de fantasmas desde a adolescência, Taylor, de 35 anos, diz que o interesse por assombrações, espectros e outros fenômenos espirituais está maior do que nunca. Ele acredita que isso pode ter algo a ver com o crescente fascínio que o inexplicado exerce sobre a sociedade -- um fenômeno refletido em séries como "Arquivos X" -- e pela maior tolerância para com o bizarro e o excêntrico.

"Se alguém dissesse nos anos sessenta que acreditava em fantasmas, pense só no que diriam dessa pessoa", diz Keith Age, fundador da Sociedade de Caçadores de Fantasmas de Louisville, Kentucky. Simplesmente não dava para sair por aí dizendo tal coisa às pessoas".

Assim como Taylor, Age afirma que o fato de não se importar com aquilo que os descrentes pensam ajuda muito.

"Todos têm a sua própria opinião", diz ele. "Isso é algo que nunca vai mudar".

Age, de 39 anos, investiga o inexplicado há 20 anos. Como se para reforçar a sua autenticidade, ele afirma nunca ter visto um fantasma. E, assim como Taylor, ele não tem nada de personagem do desenho "Scooby-Doo". Age não está tentando nos livrar dos fantasmas. Tudo o que ele busca são evidências.

Ele já viu coisas estranhas, como sombras que dançam na extremidade do campo visual, e detectou pontos gelados em casas que deveriam estar bem aquecidas. Age chegou até a namorar uma garota cuja família afirmava que a casa em que morava era habitada por espíritos.

"Mas, se eu já vi um fantasma? Nunca", afirma. "Vi coisas estranhas, mas nunca um fantasma. Há quem diga ter visto um, mas, para citar a frase de um dos membros da nossa sociedade, 'Não acredito no diabo até que veja Satanás dançando um sapateado sobre uma mesa com um chapéu nas mãos".

Poder parecer irônico, mas Age diz que um caçador de fantasmas sério é mais cético do que a maior parte das pessoas. "Eu nunca disse que um lugar estivesse 'assombrado' -- essa é uma palavra que não vou usar", diz ele. "Agora, quanto a atividades paranormais, há muitas delas ocorrendo".

Não sendo uma ciência exata, e nem mesmo altamente reconhecida, a investigação dos fenômenos paranormais não conta com muitos instrumentos de trabalho.

Caçadores de fantasmas como Age investem em aparelhos que medem a energia eletromagnética, na esperança de que os espíritos gerem energia que possa ser detectada, e em termômetros sofisticados, capazes de apontar variações de temperatura em uma sala, um outro suposto indicador de atividades fantasmagóricas. Uma boa câmera é indispensável, já que os fantasmas são às vezes captados por películas fotográficas, mesmo quando escapam à detecção pelos olhos humanos.

Age não leva a sério aqueles que acham que tudo isso diz respeito a sessões espíritas e tábuas Ouija.

"Sou provavelmente a pessoa mais cética que existe", alega Age. "É necessário que haja evidências muito concretas para me convencer. Nem tudo é paranormal. Muitas vezes há uma razão científica que determina um fenômeno".

Os fantasmas, diz Taylor, nem sempre ficam em velhos asilos assustadores ou em cemitérios indígenas. Essas estórias, segundo ele, são apenas fruto do trabalho dos mistificadores. A realidade é mais complicada.

"Você se surpreenderia", diz ele. "Tem gente que me procura para falar de aparições de fantasmas em casas novas em folha. Ouço falar de fatos estranhos que se passam em pizzarias, aeroportos e shopping centers. Por outro lado, o simples fato de uma pessoa ter sofrido uma morte violenta em determinado local não significa que o seu espírito esteja rondando tal lugar".

Taylor tampouco parece apreciar muito aquelas pessoas cujas mentes dão a impressão de serem excessivamente abertas.

"Ouço pessoas dizendo a toda hora que os fantasmas estão por toda parte", diz ele. "Bem, isso não é verdade. Porque, caso assim fosse, seria bem mais fácil encontrá-los".

Tradução: Danilo Fonseca

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