João Paulo 2º completa 25 anos de papado e anuncia reformulação do rosário

Cathy Lynn Grossman
USA Today

O papa João Paulo 2º iniciou, na última quarta-feira (16), o 25º ano do seu papado acrescentando mais mistérios -- eventos na história da salvação -- ao rosário, o instrumento de oração mais conhecido no mundo católico.

Ele anunciou essa mudança fundamental, a primeira ocorrida em décadas, em uma carta apostólica, afirmando que este é o Ano do Rosário.

Segundo o papa, os acréscimos darão "vida nova" ao rosário e farão com que este seja alvo de redobrada atenção, como parte vital da espiritualidade cristã. Ele lamentou que esta prática de orações, que é a sua favorita, tenha diminuído muito, especialmente entre os católicos mais jovens.

Enquanto os católicos seguem o rosário, conjunto de contas que guiam as orações dos fiéis, incluindo o Pai Nosso e a Ave Maria, eles contemplam os 15 mistérios da vida de Cristo: os mistérios jubilosos do nascimento de cristo, os mistérios dolorosos da crucificação e os mistérios gloriosos da ressurreição.

Agora, o papa está pedindo aos católicos que, ao invés de repetirem os mistérios gloriosos no domingo, contemplem os "mistérios da luz": o batismo de Cristo, o seu primeiro milagre, a sua proclamação do Reino Vindouro de Deus, a Transfiguração de Cristo em frente a três discípulos e o estabelecimento da Eucaristia como um sacramento.

O apelo aos jovens ficou imediatamente evidente pra Scott Hahn, professor de teologia e de escritura na Universidade Franciscana em Steubenville, em Ohio, onde 60% dos alunos oram com o rosário diariamente. "Quando anunciei o fato aos alunos, estes ficaram eufóricos. Eles acham que é algo incrível, já que liga Jesus a Maria ainda mais do que antes", afirma Hahn, autor de um livro sobre Maria.

No entanto, ao contrário dos alunos ardentes de Steubenville, a maior parte dos católicos norte-americanos raramente recitam o rosário. Segundo a uma pesquisa feita em 2001 sobre a vida e a prática dos católicos, realizada pelo Centro Católico de Pesquisas Apostólicas, da Universidade Georgetown, 39% dizem que nunca recitam o rosário, 33% o fazem algumas vezes por ano e 27% o utilizam várias vezes por mês.

A renovação do rosário vai se equiparar em popularidade à meditação, afirma o reverendo Thomas R. Marcinik, da Faculdade LeMoyne, uma instituição jesuíta de ensino em Siracusa, no Estado de Nova York. "O que o papa está dizendo é que, apesar de todas as mudanças e a abertura do mundo moderno, não se deve perder de vista o espírito da oração tradicional".

Tradução: Danilo Fonseca

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