Lumpectomia é uma alternativa segura para a mastectomia

Rita Rubin
USA Today

Segundo dois novos estudos, mesmo 20 anos após uma cirurgia, a lumpectomia é tão eficiente quanto a mastectomia para salvar as vidas de pacientes de câncer de mama.

Alguns médicos e pacientes se preocupavam com a possibilidade de que a lumpectomia, uma operação na qual somente o tumor e os tecidos que o circundam são removidos, não fosse um tratamento suficientemente agressivo. Mas, segundo um editorial que acompanha os dois trabalhos, as descobertas acabam com a polêmica sobre lumpectomia versus mastectomia.

"É hora de declarar encerrada a argumentação contra a terapia de conservação da mama e concentrarmos os nossos esforços em novas estratégias para a prevenção e cura do câncer de mama", escreve Mônica Morrow, na Escola de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, em Chicago, na última edição do periódico New England Journal of Medicine.

As novas descobertas deverão trazer mais tranqüilidade para as quase 200 mil mulheres norte-americanas diagnosticada com câncer de mama a cada ano.

Um estudo trabalhou com 1.851 mulheres que participaram da experiência original, demonstrando que a lumpectomia é uma alternativa segura em relação à mastectomia.

Entre 1976 e 1984, o Projeto Nacional de Cirurgia Auxiliar de Seios e Intestinos estudou 2.163 mulheres nos estágios 1 ou 2 de câncer de mama, com tumores de menos de 3,5 centímetros de diâmetro. As mulheres receberam aleatoriamente a indicação a um dos três tratamentos: mastectomia, lumpectomia, ou lumpectomia aliada a tratamento radiológico do seio. Duas décadas após o tratamento, os cientistas envolvidos no projeto descobriram que não há diferenças significantes quanto ao índice de sobrevivência entre os grupos.

Um segundo estudo, uma monitoração em um período de 20 anos de 701 pacientes italianas de câncer de mama que foram escolhidas de forma aleatória para serem submetidas ou à lumpectomia aliada à radiação ou à mastectomia radical -- uma operação obsoleta na qual os nódulos linfáticos e os músculos, assim como os seio, são removidos -- também não revelou diferenças quanto às taxas de sobrevivência.

"A não ser pela preferência da paciente, atualmente não há motivo para se realizar uma mastectomia", afirma o cirurgião de câncer, Bernard Fisher, da Universidade de Pittsburgh, o chefe da equipe que realizou o primeiro estudo. "Ainda tem gente fazendo mastectomia apenas porque optaram por passar por tal operação".

O epidemiologista do câncer, David Gregorio, da Escola de Medicina da Universidade de Connecticut em Farmington, descobriu variações geográficas quanto ao uso da lumpectomia, mesmo no interior do seu próprio Estado.

"Isso provavelmente tem muito a ver com a experiência de amigas", afirma Gregorio. "Mulheres que conheceram sobreviventes da doença podem ficar predispostas a se tratar da mesma maneira que aquelas pacientes. Médicos que tiveram tratamentos bem sucedidos podem se sentir inclinados a continuar utilizando as mesmas técnicas".

Em uma recente análise de dados nacionais sobre a incidência de tumores cancerosos, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Wisconsin, em Milwaukee, descobriram que diferenças socioeconômicas e demográficas quanto ao uso da lumpectomia persistem, mesmo ao se levar em conta que esse tratamento se torna a cada dia mais popular. Por exemplo, as pacientes de câncer de mama de países pobres ainda têm menos probabilidade de se submeter a uma lumpectomia.

"Se essa discrepância nos índices de cirurgia de conservação dos seios se deve a falta de disponibilidade da operação, isso é uma má notícia", afirma a pesquisadora chefe de um dos trabalhos, Mary Ann Gilligan, da Faculdade de Milwaukee. "Mas, se as mulheres estiverem optando pela mastectomia após ouvir falar sobre as diferenças entre os tratamentos, não vejo problema algum".

Algumas pacientes podem preferir a mastectomia porque não querem passar pelas semanas de radioterapia recomendadas após a lumpectomia, diz Gilligan.

O fato de acrescentar a radiação não aumenta as chances de sobrevivência com relação ao uso apenas da lumpectomia, revelou o recente estudo de Fisher.

Mas o estudo demonstrou que a radiação diminui bastante a probabilidade de que haja reincidência de tumores no seio afetado. Somente 14% das mulheres que passaram por lumpectomia e radiação desenvolveram um outro tumor no mesmo seio, comparado aos 39% das mulheres que foram submetidas apenas à lumpectomia.

Tradução: Danilo Fonseca

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