Hotel dos EUA oferece bufê de ossos para os clientes caninos

Amanda Tyler e Kathy Mccabe
USA Today
Em Alexandria (EUA)

Apesar da baba que escorre dos seus lábios negros, Cosmo Russel dá o melhor de si para parecer atraente no pátio cheio de fêmeas disponíveis.

Embora esta seja apenas a sua terceira visita ao World Famous Doggie Happy Hour -- um evento de confraternização canina -- Cosmo, um Basset Hound de seis anos, já segue uma rotina invariável.

"Ele não é aquele tipo de cão que late para os outros cachorros", explica Margie Fehrenbach, a dona de Cosmo. "Cosmo é um amante, e não um lutador".

Cosmo se reúne com outros 75 cães todas as terças e quintas-feiras, de abril a outubro, na pista do hotel Old Town Holiday Inn Select, em Alexandria, Virginia, que é sede daquele que provavelmente consiste no maior evento de confraternização canina nos Estados Unidos.

Enquanto os cães se divertem com um bufê de ossos especiais e recebem bastante água fresca, os seus donos -- desde jovens profissionais até cidadãos idosos -- conversam entre si.

"As happy hours de todos os tipos fazem sucesso, porque todos nós estamos longe das nossas comunidades originais, e temos que encontrar formas de nos relacionarmos e conhecermos pessoas novas", diz Susan Culter, psicóloga e cinófila de Washington. "Quem possui cães tem um jeito de ser que facilita a conversa com outras pessoas que compartilham da sua paixão".

De fato, eventos similares para animais e donos -- desde à festa Mardi Paw, em Nova Orleans, até um cruzeiro canino no Rio Chicago -- estão aparecendo em toda a nação.

Aqui, a multidão de pessoas e cães é tranqüila, um pré-requisito para esse tipo de encontro. "Creio que ele pegou um pedaço de fruta", diz um dono maravilhado, após um Fox Terrier sair correndo com algo que roubou do seu prato. Os acidentes sanitários ocorrem sem parar, e o hotel fornece sacolas e material de limpeza.

"Não houve nenhuma reação negativa a esses eventos -- nem do meu patrão nem da corporação em Atlanta", afirma Tim Ruth, o diretor de bebidas do hotel, que teve a idéia quatro anos atrás, quando os moradores locais que levavam os cães para passear se reuniam no pátio do Holiday Inn para conversar e tomar água.

Ruth, que diz ser muito ocupado para ter um cão, recebe telefonemas e e-mails do Colorado ao Kentucky, de gente que quer organizar a sua própria festa canina. A Doggie Happy Hour exige uma "quantidade significante de dinheiro", adverte.

A happy hour também promove um outro tipo de ação. A Liga para o Bem-Estar dos Animais traz cães sem lar para o evento, anunciando que eles estão disponíveis para serem adotados. "Isso dá aos cães uma chance de sair e de brincar com outros cães", afirma Tara Blot, diretora da liga de Alexandria.

E entre as festividades há uma festa de Halloween canina. No ano passado, houve tantos inscritos que donos e cães tiveram que se retirar do local lotado.

A festa de Halloween é um evento competitivo. Ao falar sobre as fantasias, as vozes se reduzem a sussurros. Somente um dono se dispõe a revelar a fantasia utilizada pelo seu cão.

"Ela vai fantasiada de jogadora de Las Vegas", diz Elizabeth Bresnock, apontando para a sua cadela Possum, uma Boston Terrier de três anos.

Tradução: Danilo Fonseca

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