Um em cada cinco adultos com mais de 40 anos sofrerá de insuficiência cardíaca, diz estudo

Steve Sternberg
USA Today

Uma em cada cinco pessoas com mais de 40 anos vai desenvolver um dia insuficiência cardíaca congestiva, segundo o primeiro estudo a calcular os riscos de se sofrer dessa doença potencialmente fatal no decorrer da vida. A pressão arterial alta, quando não tratada, duplica o risco de se padecer da doença.

O estudo, divulgado no início desta semana no periódico "Circulation", oferece aos baby boomers (geração de norte-americanos nascidos nas duas décadas que se seguiram ao fim da 2ª Guerra Mundial) uma oportunidade para avaliar os riscos que correm e a tomar medidas para reduzi-los agora, quando estão entrando na idade propensa ao surgimento das doenças cardíacas.

A insuficiência cardíaca congestiva ocorre quando o músculo cardíaco aumenta de volume e perde a sua capacidade de bombear o sangue. Ela é a principal causa de hospitalização de indivíduos com mais de 65 anos. Quase 60% dos homens e 49% das mulheres morrem em um prazo de cinco anos após o diagnóstico da doença.

"Tendo em vista que a insuficiência cardíaca é tão comum e tão letal, esperamos que as descobertas motivem os indivíduos a evitar a hipertensão, os ataques cardíacos e a insuficiência congestiva", diz Donald Lloyd-Jones, o principal responsável pelo Framingham Heart Study, uma pesquisa que avaliou os fatores de risco de doença cardíaca presentes na população norte-americana.

A pressão alta ocorre quando as artérias se enrijecem ou se estreitam, obrigando o coração a trabalhar mais intensamente e fazendo com que o órgão aumente de volume. Nos homens, a pressão alta e os ataques cardíacos são responsáveis por metade dos riscos de insuficiência cardíaca (cada um desses problemas é responsável por 50% do risco). Já nas mulheres, a pressão alta é um fator mais importante, segundo Lloyd-Jones.

Embora as mulheres tenham menos ataques cardíacos do que os homens, elas também vivem por mais tempo. As mulheres contam assim com mais tempo para desenvolver uma hipertensão -- que as aflige por mais tempo, devido a sua maior longevidade, diz o pesquisador.

Lloyd-Jones e os seus colegas acompanharam a saúde de 8.000 homens e mulheres por um período de até 25 anos. Quase 600 desses indivíduos desenvolveram insuficiência cardíaca desde o início do estudo. O vínculo entre insuficiência cardíaca crônica e pressão arterial alta foi evidenciado tanto nos homens quanto nas mulheres. O estudo demonstrou que:

- Um homem de 40 anos de idade, cuja pressão seja menor do que 140 quando o seu coração se contrai (o número mais alto), possui 15% de chance de vir a sofrer de insuficiência cardíaca no decorrer de sua vida, comparado a um risco de 28% para indivíduos de 40 anos cuja pressão chega a 160.

- Já uma mulher de 40 anos cujo número mais alto fique abaixo de 140 tem 12% de chance de desenvolver insuficiência cardíaca, comparado a 29% de chance para mulheres de 40 anos que têm a pressão de 160 ou maior.

Segundo Michael Bristow, chefe do departamento de cardiologia do Centro de Serviços de Saúde da Universidade de Colorado, em Denver, a pesquisa consiste em uma oportunidade para se traduzir o risco de insuficiência cardíaca para uma linguagem que todos possam entender.

"Levamos esse estudo bastante a sério", afirma Bristow. "Ele nos diz que devemos redobrar os esforços em termos de prevenção, reconhecer a questão como sendo um grande problema de saúde pública e obter recursos para encararmos esse desafio".

Tradução: Danilo Fonseca

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