Apesar da recessão mexicana, empresários dos EUA ainda investem no vizinho

Max Jarman
USA Today

Com a atual confusão em que está imersa a economia mexicana, a idéia de fazer negócios ao sul da fronteira parece maluca.

Mas Robert Cashdollar está acreditando nela.

Após ter demonstrado interesse pelo México durante anos, a sua empresa, a Apache Nitrogen Products, em Benson, no Arizona, que vende fertilizantes, entrou naquele país um ano atrás, quando várias fábricas de adubos químicos fecharam as suas portas em Sonora. Os negócios estão agora atravessando uma onda de prosperidade, compensado o declínio das vendas da companhia nos Estados Unidos.

"Em um ano, o México se transformou em uma fração significativa dos nossos negócios", afirma Cashdollar.

A Swift Transportation também está caminhando para a expansão em território mexicano. Em 2000, a Swift, a maior companhia de transportes por caminhões do país, comprou 49% das ações da Trans-Mex Incorporation, uma empresa de transportes mexicana que passava por dificuldades. A Swift pretende comprar o restante da empresa em 2004, quando a posse de companhias de transporte nacionais por estrangeiros será permitida.

Atualmente, a empresa faz transporte de mercadorias entre os dois países, trocando de caminhões que levam as carretas nos seus terminais de frete, em seis entradas de fronteira, de Laredo, no Texas, a Otay Mesa, na Califórnia.

Apear de uma queda no volume comercializado, vários companhias estão pensando em fazer negócios no México, ou em manter operações naquele país, de olho na possibilidade de expansão.

"Ainda enxergamos grandes oportunidades de crescimento no México", afirma Bill Riley, vice-presidente da Swift.

O México é o maior parceiro comercial do Arizona, tendo gerado US$ 1,5 bilhão em vendas no primeiro semestre de 2002. Para se ter idéia do crescimento, basta comparar tal cifra aos US$ 1,92 bilhão comercializados em todo o ano de 1993, um ano antes de o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) ter entrado em vigor.

Devido à Nafta, vários produtos são transportados sem tarifas alfandegárias entre o Canadá, os Estados Unidos e o México. Em 2000, o índice médio das tarifas mexicanas incidentes sobre produtos dos EUA era de 1,3%. A maior parte dos produtos agrícolas, novos equipamentos de computadores e software atualmente são transportados sem tarifas entre os países da América do Norte. Em 2009, todas as tarifas restritivas, tais como aquelas sob os automóveis e equipamentos usados, serão abolidas.

Nesse ínterim, as empresas estão enfrentando a tempestade econômica.

Os problemas nos Estados Unidos lançaram a economia mexicana em uma recessão, segundo Fernando Jimenez, especialista em comércio com o México do Departamento de Comércio do Arizona. A recessão fez com que caísse a demanda por produtos dos EUA no México, e uma recente desvalorização do peso tornou a situação ainda pior. O aumento da segurança na fronteira, após o 11 de setembro, também desacelerou o fluxo de mercadorias.

Um recente relatório divulgado pela Universidade do Arizona determinou que a fronteira entre Sonora e o Arizona sofreu um impacto econômico mais severo devido à recessão do que aquele que atingiu outras áreas fronteiriças. Segundo Jimenez, tudo se resume a um velho ditado: Se os Estados Unidos ficarem gripados, o México pega uma pneumonia.

Mas, para muitas empresas do Arizona, isso não significa que abandonarão os seus planos quanto ao México.

A Fender Musical Corporation, com sede em Scottsdale, que há 15 anos fabrica as famosas guitarras Fender nas suas instalações em Ensenada, no México, mantém o rumo pré-estabelecido, embora o desaquecimento da economia tenha reduzido a demanda por guitarras, afirma Bashar Darcazalie, vice-presidente de manufatura da empresa. Os 850 operários da fábrica montam e dão o acabamento em 470 guitarras por dia.

"Ela salta para lá e para cá, dançando salsa e tango", diz Darcanzallie, referindo à economia de fronteira. Até o momento, a Fender não despediu nenhum dos seus empregados em Ensenada. Independente da recessão, fazer negócios no México pode se constituir em um desafio. Ainda há tarifas restritivas sobre alguns produtos, e a língua e os choques culturais podem se constituir em obstáculos, explica Jimenez.

Riley diz que a Swift esbarrou com diferenças de ordem cultural e legal durante o processo de aquisição da empresa de transportes, mas tais problemas não eram insuperáveis. A transação foi facilitada pelo fato de a participação da Swift ter ajudado a companhia mexicana a sobreviver.

No entanto, o sistema de créditos mexicano demora a ser compreendido.

"As contas precisam ser apresentadas pessoalmente, não podendo ser enviadas pelo correio", afirma Riley. "Como resultado, os recibos demoram tempo para se materializar".

Para as pequenas empresas, Jimenez recomenda que vendam produtos no México através de um distribuidor. Ele diz que podem ser necessários dois anos para a criação de uma filial mexicana de uma empresa dos Estados Unidos.

"Com a utilização de um distribuidor mexicano, o empresário começa a fazer negócios de forma relativamente rápida", diz ele.

Tradução: Danilo Fonseca

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