"Fator Jar Jar Binks" é colocado em xeque em Hollywood

Claudia Puig
USA Today

Jar Jar Binks está enfrentando alguma competição para valer no universo dos astros coadjuvantes cinematográficos. Estão em exibição nos cinemas neste momento, ou serão exibidos em breve:

- A rena falante Comet, obra das técnicas de animatrônica, no filme "Santa Clause 2". A rena ingere uma overdose de barras de chocolate e se torna flatulenta.

- Dobby, um elfo resmungão e travesso, gerado por computador, em "Harry Potter e a Câmara Secreta", que estréia em 15 de novembro.

- B.E.N., um robô tagarela que literalmente perde o juízo em "Treasure Planet", que estréia em 27 de novembro.

Esse trio vem se juntar a uma longa tradição de personagens coadjuvantes de filmes infantis, que fornecem alívio de natureza cômica, desde o Grilo Falante aos andróides do "Guerra nas Estrelas" original, além do esquilo pré-histórico Scrat, de "A Era do Gelo".

Mas, assim como Jar Jar, as travessuras às vezes irritantes dos novos personagens podem acabar desinteressando os pais, e tal fato poderia se constituir em um problema de bilheteria. Afinal, são os pais que controlam o dinheiro, e se eles acharem os personagens insuportáveis, as crianças não vão assistir ao filme por uma segunda ou terceira vez.

"Corre-se o risco de não se agradar ao público que está pagando pelas entradas e levando as crianças ao cinema", diz Paul Dergarabedian, presidente da Exhibitor Relations, empresa que avalia a performance dos filmes nas bilheterias dos cinemas.

Os cineastas ficaram surpresos com a resposta sarcástica a Jar Jar, que apareceu pela primeira vez em 1999, no filme, "Guerra nas Estrelas, Epísódio I: A Ameaça Fantasma". O anfíbio alienígena nervoso e de longas orelhas foi vítima do escárnio de críticos e fãs. (um crítico o chamou de "irritação sem sentido" e "camarada cara de sapo"). O personagem apatetado só apareceu em umas poucas cenas na seqüência deste ano, "Episódio 2: O Ataque dos Clones".

Quem viu a atual safra de coadjuvantes cômicos afirma que nenhum deles é aborrecido como Binks. "Esses personagens não são para todos, mas nenhum é semelhante a Jar Jar", afirma Robert Bucksbaum, presidente da Reel Source.

Algumas vezes, os estranhos maneirismos e aparência física possuem objetivos específicos.

Dobby, de Harry Potter, que tem uma voz quase tão irritante quanto a de Jar Jar, precisa ser um pouco irritante, porque é assim que ele é descrito no livro de J.K. Rowling. E a fórmula funciona, de acordo com Bucksbaum. "O personagem é interessante. Quando está na tela, não dá para tirar os olhos dele".

Algumas características têm a intenção de torná-los mais amigáveis para as crianças e menos ameaçadores.

"Seria bastante assustador para uma criança entrar em uma sala de exibição e ver uma criatura como Dobby, o elfo caseiro, e olhá-lo nos olhos", como Harry faz no filme, explica Bucksbaum. "Mas, após ouvi-lo falar e ver como ele é de fato, constatando que é fácil lidar com a criatura, a aparência ameaçadora cai por terra.

Já B.E.N., de "Treasure Planet's", é engraçado e atrapalha os outros, assim com fazem muitas crianças.

Quase todos esses personagens têm grandes olhos, semelhantes aos de um cão filhote, o que ajuda a torna-los cativantes. "Tudo isso remonta a E.T.", diz Bucksbaum. "Um alienígena ou animal assustador que é amigável sempre tem olhos grandes".

E o antropomorfismo sempre foi um ingrediente básico dos filmes familiares. As crianças não conseguem deixar de simpatizar com uma criatura fofa e peluda, com uma fraqueza por barras de chocolate, como Comet, de "Santa Clause".

"Provavelmente, as maiores risadas dadas durante o filme ocorrem quando ele expele gases", diz Bucksbaum. "Essa é a mentalidade 'Jackass' da platéia norte-americana. É isso o que as pessoas querem ver atualmente".

O truque para os cineastas é fazer os personagens tão cativantes para as crianças que os pais não dêem atenção aos seus próprios sentimentos". " A maior parte dos pais está disposta a perdoar um personagem irritante, se ele agradar aos seus filhos", diz Dergarabedian. "E, aquilo que é irritante para uma pessoa de 40 anos, pode não ser para uma de 4". A maioria das crianças com menos de 15 anos gostou até mesmo de Jar Jar.

"Por mais ultrapassados que sejam os personagens, o objetivo é que façam com que a estória fique mais leve e que dêem às crianças um assunto sobre o qual falarem", diz Bucksbaum.

Bucksbaum observa que, o que realmente conta é que as crianças gostem dos coadjuvantes de forma suficiente para brincar com eles. "Para cada personagem que você vê nas telas, há provavelmente 10 mil brinquedos diferentes na loja mais próxima".

Tradução: Danilo Fonseca

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