Conheça os seis pontos fortes de Bush que deram a vitória aos republicanos

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

Muita gente bufou e esbravejou, sem entender por que os republicanos ganharam e os democratas perderam as eleições parlamentares da semana passada.

A polêmica vai continuar por dois anos, até que votemos novamente, em 2004.

Mas há seis motivos relativamente simples para explicar por que Bush foi capaz de liderar o Partido Republicano rumo a uma vitória histórica, rompendo com a tradição que diz que o partido que conquista a Casa Branca perde cadeiras no Congresso nas eleições parlamentares.

Caráter: Bush -- segundo muitos eleitores, republicanos, democratas e independentes -- restaurou a honra, a dignidade e o respeito à Presidência, após o governo Bill Clinton. Os eleitores apreciam Bush como pessoa. E, embora digam que não se importam com o caráter pessoal de um presidente, contanto que este faça um bom trabalho, a realidade é que se importam sim. Era fácil dizer que o comportamento de Clinton não vinha ao caso porque a economia estava em boa forma. Bush venceu em um contexto econômico não tão bom. O respeito pelo seu caráter ajudou a desviar os olhos dos eleitores da sua responsabilidade pelos problemas econômicos.

Liderança Bush diz aquilo que pensa, e pensa aquilo que diz. Ele não balbucia ou retrocede quando a situação fica crítica. E, acima de tudo, ele lidera. O povo norte-americano gosta dessa característica em um presidente. Os eleitores não precisam necessariamente concordar com ele. Mas esperam que o presidente assuma o comando e lhes diga para onde deseja levar o país. Tal estratégia funcionou para Ronald Reagan, e está funcionando para Bush. A população não acredita por um minuto sequer que ele esteja blefando com relação ao Iraque. Ele conquistou a confiança da população com a sua resposta arrojada e rápida ao 11 de setembro. E o público não vai abandoná-lo facilmente, a menos que ele dê motivos para que os eleitores acreditem que o presidente não merece mais a sua confiança.

Personalidade: Ele passa uma imagem real, humana, de quem gosta do contato com o povo, humilde, amigável, um pouco esquisito, mas, acima de tudo, sincero. As multidões respondem a Bush de forma positiva, até mesmo aquelas que não o apóiem necessariamente. No verão passado ele visitou uma igreja de negros em Atlanta e foi muito bem recebido. Muitas mulheres o cobriram de elogios, embora admitissem não ter votado nele. "Talvez o faça da próxima vez", disse uma mulher. Dois adolescentes que em 2004 terão idade para votar, disseram que "com certeza" votarão em Bush.

Moderação: Bush foi bem sucedido na tarefa de conferir ao Partido Republicano uma face mais branda e gentil. Ele se tornou a personificação do partido, no lugar dos Newt Gingriches, Dick Armeys e Bob Barrs, que projetaram uma imagem de extrema-direita, altamente combativa e, às vezes, mal humorada, do Partido Republicano na década de 90.

Ele também evitou ou minimizou a importância de questões polêmicas -- aborto, oração nas escolas, armas e créditos escolares -- que costumam fazer com que muitas mulheres e moderados se distanciem da mensagem republicana.

E com os seus temas "conservadores e relativos à compaixão", ele teve sucesso em transmitir a imagem de que os republicanos não estariam mais ansiosos para desmantelar todos os programas governamentais elaborados para ajudar os pobres e necessitados. Em cada discurso da campanha, ele falou sobre o seu apoio à educação, ajudando a apagar da memória dos eleitores o fato de que os republicanos já quiseram acabar com o Departamento de Educação dos Estados Unidos.

Um fator de união, e não um divisor: Enquanto fazia uma campanha intensa, pedindo aos eleitores que votassem para os republicanos, ele evitou ataques diretos aos democratas em seus discursos. A palavra "democrata" raramente foi pronunciada em um contexto pejorativo. Quando o fazia, era em frases como, "Essa não é uma questão de republicanos ou democratas; é uma questão norte-americana", ou "Os democratas e os republicanos se uniram para apoiar essa lei de educação".

Apelo junto às mulheres e aos negros: Embora Bush tenha contado com apenas 43% dos votos femininos em 2000, o índice atual de aprovação do seu trabalho entre as mulheres é de 60%. Tal fato pode ter ajudado a persuadir algumas mulheres que tradicionalmente votam para os democratas nas eleições parlamentares a considerarem a votação no Partido Republicano. E ele amenizou a velha raiva dos negros com relação ao partido. Embora tenha recebido apenas 10% dos votos negros em 2000, o índice de aprovação de Bush entre esse grupo étnico é, atualmente, de 40%. Isso pode ter suprimido a abstenção dos negros em Estados chave, um fenômeno muitas vezes motivado pela animosidade contra um presidente republicano de quem eles não gostam.

Tradução: Danilo Fonseca

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