Mesmo questionado, Al Gore surge como provável rival de Bush em 2004

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

O anúncio de que os democratas escolherão seu candidato à eleição presidencial de 2004 em Boston fez com que começassem as especulações sobre quem poderia ser o escolhido do partido para enfrentar o presidente Bush, que deve disputar um segundo mandato.

Al Gore lidera a lista de candidatos em potencial. É claro que ele é o mais conhecido no grupo dos presidenciáveis, portanto o seu nome é o primeiro a aparecer quando se pergunta aos democratas quem eles gostariam de ter como candidato.

Trinta e oito por cento dos filiados ao partido indicaram Al Gore como seu candidato em uma pesquisa de opinião realizada na semana passada pelo USA Today-CNN-Gallup. A seguir, foram indicados nomes de um grupo de senadores dos Estados Unidos, incluindo Joe Lieberman, de Connecticut; John Kerry, de Massachusetts; Tom Daschle, de Dakota do Sul; e John Edwards, da Carolina do Norte. Nenhum deles obteve mais de 13% de apoio entre os eleitores democratas.

Atrás do grupo de senadores vieram dois outros possíveis candidatos, com percentuais na casa de apenas um dígito: o deputado Dick Gephardt, de Missouri; e o governador de Vermont, Howard Dean.

Por ora, Gore pode aparentar ser o favorito disparado. Mas as chances do ex-vice-presidente de liderar o partido sofreram um forte impacto no dia das últimas eleições parlamentares, quando uma campanha intensa, liderada por Bush, fez com que os republicanos terminassem por controlar as duas casas do Congresso.

Agora, muitos líderes e colaboradores democratas acreditam que a estratégia de se utilizar um Gore "recauchutado" contra um presidente que é considerado mais forte e mais popular do que o então governador do Texas, para quem o democrata perdeu por pouco, em 2000, teria conseqüências desastrosas.

Além do mais, em um momento em que os estrategistas afirmam que o Partido Democrata precisa projetar uma imagem mais moderada, Gore está se inclinando para a esquerda.

Na última quarta-feira, ele disse que é a favor da criação de um sistema de saúde em que o governo ou um fundo coletaria todas as contribuições e pagaria a todos as despesas com médicos, hospitais e remédios. Para muitos, isso é algo semelhante ao Medicare, algo que coloca Gore nitidamente no grupo dos mais progressistas entre os progressistas do seu partido.

Gore também sofreu uma grande derrota tática na Flórida, quando o irmão de Bush, Jeb, conseguiu um segundo mandato como governador no último dia 5 de novembro. O presidente do Comitê Nacional Democrata, Terry McAuliffe, buscando uma vingança pela derrota de Gore naquele Estado, em 2000, decidida pelo tribunal eleitoral, investiu muito dinheiro e trabalho para derrotar Jeb Bush.

Segundo McAuliffe, uma vitória na Flórida não só demonstraria que os eleitores estariam prontos para corrigir a derrota sofrida por Gore, mas também embaraçaria o presidente. Consciente do que estava em jogo, Bush fez uma campanha intensa pelo irmão, e conquistou uma vitória decisiva. Agora, as chances de que Gore obtenha uma vitória na Flórida nas próximas eleições parecem ter sido drasticamente reduzidas.

Após a vitória eleitoral de 2002, e tendo o Congresso sob controle do Partido Republicano, Bush está com um bom perfil para a reeleição. Em uma pesquisa de intenção de votos pós-eleitoral feita pelo "USA Today", 55% dos entrevistados disseram que votariam por um segundo mandato de Bush, caso as eleições fossem hoje.

Mas as eleições não são hoje. Ela acontecerá daqui a dois anos. E muita coisa pode sair errada nos próximos dois anos, de forma a derrubar o presidente do pedestal onde ele agora se encontra.

A economia problemática, a contínua guerra contra o terrorismo e a possibilidade de uma guerra contra o Iraque são sombras que ameaçam os horizontes de Bush. Um fracasso em qualquer dessas frentes poderia fornecer aos democratas as ferramentas que eles necessitam para começar a demolir esse pedestal.

O atual líder da maioria no Senado, Daschle, um potencial candidato à presidência, enviou na última quinta-feira um claro sinal de que os democratas estão prontos a dar início à luta, quando atacou a forma como Bush tem gerenciado a guerra contra o terrorismo.

"Não estamos sendo capazes de encontrar Bin Laden. Não fizemos progressos reais no sentido de encontrar elementos chaves da Al Qaeda. Eles continuam a ser uma ameaça tão grande quanto o eram há um ano e meio", criticou Daschle. "Sendo assim, como é que podemos, até o momento, dizer que obtivemos sucesso?".

Portanto, o negócio é esperar. A corrida de 2004 pela Casa Branca já começou.

Tradução: Danilo Fonseca

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