Vacinas podem conter crise de saúde nos países em desenvolvimento

Anita Maning
USA Today

As vacinas, juntamente com melhorias em higiene e condições sanitárias, salvaram milhões de vidas de crianças no passado, segundo um novo relatório, mas a menos que se adotem medidas para que se superem grandes lacunas no que diz respeito ao acesso a serviços de saúde, incluindo às novas vacinas, as conseqüências poderão ser desastrosas.

O relatório Condições de Vacinas e Imunização no Mundo, compilado pela Organização Mundial de Saúde, Unicef e Banco Mundial, adverte que as desigualdades no âmbito dos países subdesenvolvidos poderiam gerar instabilidade social e a disseminação de doenças.

Os 20% que compõem a parcela mais pobre da população mundial arcam com mais da metade de todas as mortes infantis, decorrentes de doenças como a coqueluche, a poliomielite, a difteria, o sarampo e o tétano, afirma o relatório, divulgado na quarta-feira (20) no Senegal, em uma conferência da Aliança Global pelas Vacinas e Imunização.

As crianças nos países ricos têm acesso a novas vacinas contra a hepatite, doença que causa danos ao fígado, e contra o Haemophilus influenzae, causador da meningite. Mas nos países pobres da região do Sub-Saara, na África, somente 50% das crianças recebem imunização básica contra doenças comuns e potencialmente fatais, como o tétano e o sarampo.

O relatório sugere que sejam feitos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de vacinas, aumentando a capacidade de produção desses produtos nos países subdesenvolvidos e possibilitando um acesso mais igualitário a esses agentes preventivos às crianças que delas necessitam.

"Embora haja várias novas iniciativas para combater as doenças letais, o que está faltando é investimento maciço", afirma Daniel Tarantola, diretor de Vacinas e Agentes Biológicos da Organização Mundial de Saúde. "A campanha global pelo acesso a remédios e vacinas precisa ser conjugada a um compromisso político e financeiro, caso queiramos ir além do campo das palavras e fazer realmente uma diferença para a população".

Tradução: Danilo Fonseca

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