Exército dos EUA precisam de uma arma simples, porém fundamental

Tom Squitieri
USA Today
Em Washington (EUA)

Dos bombardeiros B-2 aos dispositivos especiais de mira que permitem que um soldado no solo oriente um ataque aéreo lançado de uma altitude de 12 mil metros, as forças militares norte-americanas contam com uma abundância de armamentos avançados que podem ser utilizados em uma invasão do Iraque.

Mas, por ora, esse poderio militar não dispõe de um armamento barato, mas potencialmente indispensável: uma arma de assalto capaz de abrir buracos com rapidez em edifícios, no decorrer de uma guerra áspera, de quarteirão em quarteirão, que poderia ser travada em Bagdá e outras cidades iraquianas.

Tal armamento é uma peça-chave para a guerrilha urbana, segundo a opinião de especialistas militares, já que ela fornece aos soldados uma maneira segura e eficiente de entrar em edifícios para matar ou expulsar combatentes inimigos. Considerando que as portas e janelas estarão provavelmente protegidas por armadilhas ou cobertas por inimigos fortemente armados no interior das construções, uma arma "abridora de brechas" permitiria que as tropas norte-americanas criassem a sua própria entrada.

A maior parte das alternativas é acompanhada de riscos que fazem delas substitutos menos desejáveis. De uma forma improvisada, os soldados poderiam colocar explosivos junto a uma parede que desejassem abrir, mas isso exigiria que deixassem um local protegido, que instalassem os explosivos e que batessem em retirada antes da explosão, em uma operação que os deixaria expostos ao fogo inimigo.

A artilharia e os bombardeios aéreos são capazes de derrubar paredes, mas também destroem edifícios que as forças norte-americanas podem querer preservar para uma reconstrução de pós-guerra. E ataques pesados desse tipo significariam um alto risco de morte e ferimentos para a população e para os soldados norte-americanos próximos à área atacada.

Armamentos de ataque a blindados podem penetrar paredes com facilidade, mas a tendência é que façam buracos pequenos, através dos quais os soldados não podem se esgueirar. Além disso, tais projéteis possuem um alto poder de penetração, atravessando as três ou quatro paredes por detrás daquela por onde os soldados desejam entrar.

O exército ainda está pesquisando uma arma leve, produzida em massa, para abrir paredes, destinada a soldados de infantaria. Essa arma poderia ser o equivalente do século 21 da bazuca, utilizada na 2ª Guerra Mundial. O exército está desenvolvendo também uma "peça especial de artilharia destruidora de bunkers", que seria usada por veículos blindados para abrir buracos com precisão nas paredes dos edifícios.

"Se examinarmos as formações militares da 2ª Guerra Mundial, tanto as alemãs quanto as de outras países, que possuíam excelentes grupos de infantaria, perceberemos que um componente fundamental desses grupos era a arma de assalto de fogo direto, algo que nunca utilizamos no exército dos Estados Unidos", disse recentemente o secretário do Exército, Thomas White.

White afirmou que as tropas de infantaria poderiam utilizar o Stryker, o novo veículo blindado leve do exército, em conflitos urbanos. Alguns Strykers seriam equipados com um canhão de 105 milímetros, capaz de abrir buracos nas paredes das construções, disse White.

Mas tal opção não estaria disponível até meados do ano que vem, na melhor das hipóteses, já que os primeiros Strykers só devem ser entregues ao exército em maio de 2003, de acordo com oficiais militares. Caso fossem invadir o Iraque, as forças norte-americanas prefeririam fazê-lo no final deste ano ou início do próximo (período de inverno no Hemisfério Norte), antes que o calor iraquiano intenso tornasse difícil para os soldados operar com as roupas de proteção incômodas, elaboradas para protegê-los contra armas químicas ou biológicas.

A falta de uma bazuca moderna, equipamento que o exército desativou durante a Guerra do Vietnã, sem desenvolver um substituto, coloca em questão o objetivo declarado do exército de criar uma força mais leve e eficiente.

"Não contamos com armas elaboradas para tal missão", afirma Andrew Krepinevich, consultor do Pentágono e diretor-executivo do centro de Avaliações Estratégicas e Orçamentárias. "Eles podem modificar ou adaptar armas anti-tanques e outros tipos de armamentos para lidar com o problema, mas, ainda que se utilize esse material, estaremos falando de estratégias que desvalorizam a tecnologia de combate. Somos uma potência militar que substitui o material humano pela tecnologia sempre que temos oportunidade mas, neste caso, estamos trilhando a direção inversa".

Forças armadas de outras nações, especialmente as de Israel, possuem uma arma sucessora da bazuca. Uma firma israelense, a Rafael, criou o Simon 150, uma arma projetada para ser instalada sobre um fuzil e disparar um projétil que utiliza pressão para destruir portas ou abrir buracos em paredes.

Os franceses também utilizam uma variação do armamento, que dispara munição de festim. O exército dos Estados Unidos experimentou a arma, mas insistiu em que ela fosse modificada para disparar também munição real.

Tradução: Danilo Fonseca

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