Bush aceita pequenas nações na Otan para obter apoio moral contra o Iraque

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

Em meio à cobertura dispensada ao Iraque e à criação de um departamento de segurança interna, a recém-concluída conferência da Otan ficou relegada à insignificância.

Naquele encontro, os 19 países da Aliança votaram pela entrada de sete novos membros, todos eles nações que eram parte do bloco soviético: Letônia, Lituânia, Estônia, Bulgária, Romênia, Eslovênia e Eslováquia.

Há quem diga que, com o colapso da União Soviética, a Otan é um anacronismo, superada pela evolução das políticas mundiais e pela modificação das ameaças internacionais.

De fato, parte do encontro em Praga se concentrou na reestruturação das forças militares da Otan, não para que essas respondam a grandes ataques aéreos e terrestres, com tanques, aviões e mísseis, mas a ataques terroristas que se materializam de uma forma bem menos estruturada.

Conforme o presidente Bush observou em Praga, embora os ataques contra os Estados Unidos tenham sido os mais espetaculares, "os países que amam a liberdade não estão imunes contra essa gente. Estamos falando de assassinos de sangue frio, e temos a missão de contê-los por um longo período. E a melhor forma de cumprir essa missão é trabalhar em conjunto".

Bush, mais do que qualquer outro líder da Otan, acolheu os novos membros calorosamente. E os líderes dessas nações foram, de forma recíproca, calorosos com relação a Bush, dando declarações contra o Iraque bem mais enfáticas do que o próprio comunicado formal da Otan.

Embora sejam relativamente fracos militarmente, todos esses países que outrora viviam sob regime totalitário pareciam dispostos a auxiliar em uma eventual luta contra o Iraque. Tal posição contrasta vivamente com a dos seus vizinhos europeus, muito maiores e militarmente poderosos, que manifestaram mais ambigüidade ao abordar a questão.

O presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, descreveu os fortes sentimentos característicos da sua nação da seguinte forma: "A Letônia perdeu a sua independência por um período muito longo... e sabe o significado da independência e da sua perda, conhece o sentido de segurança e do fato de não contar com ela".

Bush aproveitou esse espírito de liberdade para lembrar aos seus parceiros da Otan menos entusiásticos com relação a uma guerra, que eles devem confrontar o Iraque.

Em uma entrevista concedida na última quinta-feira a uma rede de televisão lituana, Bush disse: "Os países bálticos sabem o que é viver sob o medo e a falta de liberdade, e o fato de ter esses países aliados aos Estados Unidos e outras nações é importante para a nossa alma. É importante contar com esse sentido de liberdade como uma fonte de vigor e força".

Na sexta-feira, Bush comemorou a entrada da Lituânia na Otan, ao visitar a capital do país, Vilna, tornando-se o primeiro presidente norte-americano a fazê-lo.

Na sua entrevista para a TV lituana, Bush ouviu a seguinte pergunta: "Algumas pessoas perguntam por que os Estados Unidos, a superpotência do mundo, prestam tanta atenção ao pequeno Estado báltico da Lituânia. O que o senhor poderia dizer a essas pessoas?".

Bush respondeu de pronto: "Bem, posso dizer a elas que tudo importa. Veja que o nosso país acredita no valor de cada indivíduo. Acreditamos que todos sejam preciosos, que todos contam... Toda a nossa história e o nosso ser estão enraizados na noção de pessoas sendo capazes de realizar os seus sonhos".

O presidente disse ainda que os novos membros farão da Otan uma organização melhor, já que vão infundir nela um novo espírito.

"Ouçam, se vocês viveram sob escravidão e dominação e estão livres, isso significa que existe um espírito. Há uma força voltada para uma direção. Há a lembrança daquele período. Não há áreas intermediárias entre o bem e o mal".

Nitidamente, quando se trata do Iraque, bush vê poucas áreas intermediárias. Ele sabe que esses novos membros da Otan podem não trazer muita coisa à aliança em termos de musculatura militar, mas crê que esses países podem contribuir com alguma clareza moral. Foi por isso que os acolheu.

Tradução: Danilo Fonseca

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