Norte-americanos apóiam guerra caso Saddam tenha armas de destruição em massa

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

A maioria dos norte-americanos apoiaria uma guerra contra o Iraque, caso fosse comprovado que Saddam Hussein possui armas de destruição em massa. Mas a população primeiro quer dar às Nações Unidas todas as oportunidades para desarmar o presidente iraquiano de forma pacífica antes que sejam tomadas ações militares, segundo um pesquisa de opinião realizada pelo USA Today/CNN/Gallup.

A pesquisa de âmbito nacional, realizada no último final de semana, revela uma população determinada, cuja esmagadora maioria acredita que o Iraque possui armas químicas, biológicas ou nucleares, e que as usaria contra os Estados Unidos. A pesquisa revela ainda que a grande maioria acha que um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque seria justificado, caso Saddam tentasse impedir a realização dos trabalhos dos inspetores de armas da ONU, que devem começar a sua missão na quarta-feira.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revela atitudes complexas quanto ao que poderia justificar uma invasão militar. Quase dois em cada três entrevistados - 64% - dizem que os Estados Unidos deveriam primeiro recorrer novamente à ONU, pedindo uma autorização para lançar um ataque, caso o Iraque se recusasse a acatar as condições estabelecidas para as inspeções.

Um grupo de tamanho similar - 63 % - concorda em não atacar Saddam, caso armas sejam descobertas e ele concorde em destruí-las.

E, caso os inspetores da ONU não encontrem evidências de armas de destruição em massa ou de instalações onde elas possam ser produzidas, então 52% se oporiam ao envio de tropas norte-americanas.

"Se houver qualquer providência possível, que não seja a guerra, que possa ser tomada para desarmar o Iraque, a maior parte dos americanos irá aceitá-la", afirma Karlyn Bowman, analista de pesquisas, que trabalha para o American Enterprise Institute.

A pesquisa feita entre 22 e 24 de novembro, com 1.017 adultos, tem uma margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa revela ainda que, por detrás da relutância natural de ir à guerra, a maioria dos norte-americanos está pronta a enviar tropas dos Estados Unidos caso Saddam continue a desafiar a comunidade internacional:

- Oitenta e sete por cento dizem que um ataque seria justificado caso fossem encontradas armas de destruição em massa e Saddam se recusasse a destruí-las.

- Oitenta e quatro por cento afirmam que um ataque seria justificado caso o Iraque impedisse repetidamente o acesso de inspetores a locais suspeitos.

- Sessenta e quatro por cento dizem que um ataque seria justificado, caso os inspetores tenham o acesso negado a pelo menos um local suspeito.

- Cinqüenta e dois por cento afirmam que um ataque seria justificado no caso de instalações de produções - mas não as armas - fossem encontradas.

Porém, no momento em que os esforços da ONU começam para valer, a maioria dos norte-americanos parece acreditar que a guerra é inevitável.

Em média, 58% acreditam que o presidente Bush já decidiu invadir o Iraque, mas que só o fará por intermédio das Nações Unidas, a fim de contar com o apoio internacional.

E também 58% apóiam o uso de tropas terrestres norte-americanas para remover Saddam do poder, uma percentagem que tem se mantido inalterada desde meados de outubro.

No cômputo geral, o apoio da população a Bush continua alto. Em média, 65% aprovam o trabalho que vem sendo feito pelo presidente, contra 68% há duas semanas.

"A população não quer recorrer à guerra, mas se for forçada a faze-lo, ela apoiará o presidente", afirma Merle Black, cientista política da Universidade Emory.

Tradução: Danilo Fonseca

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