Pesquisa revela a popularidade dos EUA ao redor do mundo

Mike Madden
USA Today
Em Washington (EUA)

A população de países muçulmanos está cética quanto a guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo e à postura agressiva em relação ao Iraque, e grande parte do restante do mundo acredita que autoridades norte-americanas só pensam nos interesses dos Estados Unidos. Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa global divulgada na quarta-feira (04).

Enquanto o presidente Bush e o seu governo tentam persuadir o resto do mundo a se juntar a qualquer ação militar contra o Iraque, o relatório do Pew Global Attitudes Project ressalta as diferenças -- às vezes enormes -- que separam os Estados Unidos das outras nações.

"Não acredito que sejamos isolacionistas, mas creio que estamos sendo isolados pelos outros, já que eles nos vêem pisando na bola", afirma a ex-secretária de Estado Madeleine Albright, que liderou o projeto de pesquisa. "Precisamos explicar melhor nossa política e não deixar que ela seja vista como se apenas atendesse aos interesses norte-americanos".

A pesquisa ouviu mais de 38 mil pessoas em 44 nações da Europa, África, Ásia, América Latina e Oriente Médio. As entrevistas foram realizadas em 63 línguas diferentes. A margem de erro variou de país para país, mas nunca foi maior que 4,4 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O Attitudes Project, organizado pelo Centro de Pesquisas Pew, está conduzindo uma série de pesquisas sobre visões globais. A nova pesquisa é a segunda da série.

Na Europa e na América Latina, os Estados Unidos foram vistos de forma mais favorável, embora vários entrevistados tenham discordado de elementos da política externa norte-americana. Os africanos tiveram impressões bastante favoráveis sobre os Estados Unidos, assim como muitos asiáticos.

Porém, na Turquia e no Paquistão, os Estados Unidos são vistos de forma muito ruim, demonstrou a pesquisa. Albright afirmou que esse fato poderia representar sérios problemas para a guerra contra o terrorismo e para qualquer guerra contra o Iraque, já que esses países são importantes aliados diplomáticos e militares.

Na Turquia, um membro da Otan que os Estados Unidos esperam utilizar como uma base contra Saddam Hussein, somente 30% dos entrevistados tiveram uma opinião favorável sobre os norte-americanos. Menos de 50% dos turcos que responderam a pesquisa disseram que o Iraque representaria uma ameaça à estabilidade no Oriente Médio, e 53% afirmaram que um ataque contra o Iraque pelos Estados Unidos seria parte de uma guerra de dimensões globais contra nações muçulmanas hostis.

Embora os líderes de vários países apóiem as políticas norte-americanas, a pesquisa indicou que tal postura não atinge as bases. Albright sugere que isso se deve ao fato de vários líderes mundiais terem passado por dificuldades ao recusar os apelos dos Estados Unidos.

"Há algo de inacreditável quanto ao poderio norte-americano", disse ela. "Existe essa tendência de passar por cima das populações".

Em todo o mundo, os entrevistados disseram que se ressentem da esmagadora influência da cultura dos Estados Unidos, embora muitos tenham afirmado que gostam dos filmes de Hollywood, da música e da tecnologia norte-americanas.

Tradução: Danilo Fonseca

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