Cientistas desenvolvem método para refrigerar alimentos com ondas sonoras

Dan Vergano
USA Today

Uma geladeira resfriada por ondas sonoras pode estar rumando para as sorveterias e para a sua cozinha, segundo pesquisadores.

As geladeiras e congeladores utilizam substâncias refrigerantes vinculadas à destruição da camada de ozônio e ao aquecimento global, o que faz aumentar o interesse pelas "alternativas verdes" como a geladeira "termo-acústica". Divulgada nesta semana em uma conferência sobre acústica, no México, o protótipo, resfriado com sons, utiliza o ar como elemento refrigerante.

Chefiados por Steven Garrett, da Universidade do Estado da Pensilvânia, os pesquisadores acreditam que a tecnologia termo-acústica possibilitará o desenvolvimento de refrigeradores, aparelhos de ar-condicionado e geradores de eletricidade doméstica ecologicamente corretos. Estes últimos aparelhos são, atualmente, movidos a gás natural.

Financiada em parte pelo fabricante de sorvetes Bem & Jerry's, a equipe espera transformar o seu protótipo em uma linha de aparelhos de armazenamento de sorvete do mesmo tamanho dos atuais, diz Garrett.

A refrigeração termo-acústica aproveita o aquecimento natural que sofre um gás quando comprimido, e o resfriamento que ocorre quando ele se expande, assim como acontece em todos os refrigeradores.

No interior do protótipo, que tem 38 centímetros de altura e 23 de largura, o ar pressurizado é bombardeado com uma onda sonora estridente de 173 decibéis (para efeito de comparação, o nível de ruído a 24 metros de um jato decolando é de 140 decibéis). As ondas sonoras comprimem e expandem o gás, de forma alternada, removendo calor do lado frio do aparelho, em um transferidor de temperatura, e conduzindo-o para a parte quente do aparelho. Nenhum som é ouvido fora do transferidor de temperatura, que é lacrado, e as temperaturas no lado frio do aparelho podem chegar a -22 graus centígrados.

"Ainda não estamos na reta final, mas o trabalho é muito interessante", afirma o cientista especializado em acústica Greg Swift, do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. Os avanços em artefatos termo-acústicos destinados a gerar energia para refrigeradores, condicionadores de ar e bombas de calor de pequenas dimensões vem aumentando nas últimas duas décadas, segundo Swift. Com relação à eficiência energética, a tecnologia ainda perde para os aparelhos convencionais, mas os aperfeiçoamentos só começaram a ser feitos nos últimos dois anos.

A tecnologia tem limites. Por exemplo, temperaturas muito baixas, "criogênicas", próximas ao zero absoluto (-273 graus centígrados), são muito difíceis de serem alcançadas com esse método.

No entanto, ele oferece vantagens únicas, afirma Garrett. O simples fato de aumentar a freqüência das ondas sonoras termo-acústicas pode possibilitar a criação de refrigeradores menores. E condicionadores de ar movidos a ondas sonoras podem ser fabricados de forma aumentar ou abaixar a temperatura ambiente de forma gradual, ao contrário dos aparelhos convencionais, que operam com potência máxima por um tempo e, a seguida, são desligados, até que a temperatura torne a aumentar. "A nova tecnologia pode significar uma eficiência muito maior", diz Garrett.

Tradução: Danilo Fonseca

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