Até que ponto a imagem dos EUA realmente é ruim no exterior?

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington (EUA)

Uma vez mais, nos defrontamos com uma pesquisa de opinião feita no exterior que nos diz o quanto todos lá fora odeiam os Estados Unidos.

Desta vez a pesquisa foi feita pelo Centro de Pesquisas Pew sobre População e Imprensa, para o seu Projeto Posturas Globais.

Em parte porque o Pew possui a reputação de realizar pesquisas legítimas, e em parte porque as agências norte-americanas de mídia parecem gostar de anunciar aquilo que acreditam ser erros da política externa dos Estados Unidos, os resultados da pesquisa foram um dos principais assuntos da semana passada.

- "Imagem dos Estados Unidos está em declínio", dizia uma manchete do "Washington Post".

- "Pesquisa mundial demonstra que percepção negativa em relação aos Estados Unidos está aumentando", afirmava o "New York Times".

- A Associated Press enviou a notícia para os jornais que contam com o serviço da agência com o seguinte título: "Pesquisa mundial: Imagem dos Estados Unidos em queda".

- E a Reuters adotou uma linha um pouco diferente: "Ameaça de guerra com o Iraque parece alimentar a ira muçulmana em todo o mundo".

No fim da contas, não importa que matéria se tenha, as notícias não foram auspiciosas para os Estados Unidos. Os responsáveis pela pesquisa, em sua maioria, atribuem a imagem negativa dos Estados Unidos no exterior à fúria com a política norte-americana relativa ao Iraque ou ao fracasso da Casa Branca em levar a sério a postura de outras nações na sua abordagem de política externa.

A ex-secretária de Estado do governo Clinton, Madeleine Albright, que liderou a comissão que fiscalizou a pesquisa, explicou as coisas da seguinte forma: "Os números na verdade demonstram que temos um problema com relação à forma como achamos que os outros nos vêem, versus a maneira como essas pessoas realmente nos vêem".

Talvez. Mas se alguém examinar uma cópia do relatório da pesquisa sem se basear na avaliação feita pela mídia, verá que, embora as opiniões negativas sobre os Estados Unidos tenham aumentado na maioria dos países, aqueles que nutrem tais opiniões continuam sendo uma minoria distinta.

Moradores da Alemanha, França, Itália, Rússia, Reino Unido, Polônia, Japão, México, Canadá, Indonésia e Venezuela, entre outros países, deram aos Estados Unidos um índice de aprovação de 60% ou mais.

E, naqueles países que são democracias emergentes e que outrora viviam sob o jugo soviético --República Tcheca, Ucrânia, Uzbequistão e Bulgária -- as opiniões favoráveis foram de mais de 70%.

Além do mais, os países que deram aos Estados Unidos um baixo índice de aprovação eram, na sua maioria, muçulmanos. Nenhuma surpresa quanto a esse fato. E perceba a seguinte fração da pesquisa que não foi mencionada nas notícias da mídia: "Apesar do toda a crítica dos franceses quanto às políticas norte-americanas, a imagem dos Estados Unidos na França não piorou no decorrer dos últimos dois anos".

Mas o relatório divulgou esse fato de maneira negativa: "Os índices de aprovação dos Estados Unidos pelos franceses continuam entre os mais baixos na Europa".

E até que ponto esses índices são baixos? Sessenta e três por cento, segundo a pesquisa.

Portanto, quanto a que devemos nos aborrecer? Bem, podemos ser a única superpotência do mundo, mas precisamos de amigos.

Grande parte da antipatia expressa para com os Estados Unidos pode derivar desse status de superpotência e do fato de que muitos nos vêem como tendo mais probabilidade de contar com sucesso econômico do que o restante do mundo. Há um certo fator de inveja envolvido nessa história.

Os outros países se preocupam com a possibilidade de uma guerra com o Iraque prejudicar os índices econômicos, mas não a um ponto tal em que precisemos entrar em pânico.

Apesar de todo o negativismo, os Estados Unidos continuam sendo a terra prometida para imigrantes de todo o mundo. Um número maior de pessoas imigra anualmente para cá do que para qualquer outro país. A nossa imagem pode estar em queda no exterior, mas a imigração não está.

Em 2000, mais de 850 mil cidadãos de outros países do globo vieram para a nossa nação. Segundo o censo, mais de 28 milhões de moradores dos Estados Unidos -- ou um em cada dez -- nasceram em um outro país.

Ao ser perguntado se o presidente estaria aborrecido com os resultados da pesquisa, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, ressaltou que vários aspectos positivos do relatório foram ignorados pela mídia.

"Esse é um dos exemplos mais gritantes de uma pesquisa cujos dados demonstraram uma coisa e cuja análise imediata apontou para algo diferente", afirmou Fleischer.

Ele parece ter razão.

Tradução: Danilo Fonseca

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