Mortes causadas por vacina contra varíola reduziriam demanda pela vacinação

Steve Sternberg


Embora os planos do governo no sentido de disponibilizar a vacina contra a varíola para todo cidadão dos Estados Unidos que deseje ser imunizado, as autoridades previram no último fim de semana que a demanda pela inoculação vai diminuir quando as notícias sobre mortes e graves efeitos colaterais começarem a ser divulgadas.

Autoridades federais afirmam que até 20 pessoas vão morrer e cerca de 470 terão efeitos colaterais que causarão perigo de morte nos próximos meses, assim que os Estados vacinarem 500 mil voluntários, membros de equipes médicas dedicadas ao combate à varíola, assim como até 10 milhões funcionários de setores que respondem a emergências, como policiais e bombeiros.

"Tão logo presenciemos alguns eventos adversos, achamos que haverá um impacto que será um balde de água fria sobre o programa", afirma Jerome Hauer, do Departamento de Preparação para Emergências de Saúde Pública. "Acreditamos que os benefícios advindos do fato de contarmos com pessoas protegidas contra a doença superam os riscos. Mas, é bom que se volte a frisar que se trata de um programa voluntário, e será uma decisão que cada indivíduo terá que tomar".

Na última sexta-feira o presidente Bush recomendou que as pessoas que não estiverem na "linha de frente" de defesa contra um ataque com a varíola não deveriam se vacinar, já que a vacina implica em riscos e a probabilidade de um surto da doença é desconhecida. Bush afirmou que será vacinado por ser comandante em chefe das forças armadas, mas a sua família, seus assessores e membros do seu governo não serão imunizados. Ele acrescentou, porém, que o governo possibilitará que a vacina esteja disponível para aqueles que desejem utiliza-la, mesmo conhecendo os seus riscos.

Três em cada cinco norte-americanos afirmaram que optariam pela vacinação, caso a vacina estivesse disponível, independente dos efeitos colaterais, segundo uma pesquisa realizada na semana passada pela Escola de Saúde Pública de Harvard. Três quartos afirmaram que seriam vacinados se houvessem casos de varíola em suas comunidades. Quase 10% garantiram que não seriam vacinados.

Pesquisas concentradas em grupos de indivíduos sugerem que muitos daqueles que atualmente estão ansiosos para arregaçar as mangas a fim de enfrentar a agulha vão mudar de idéia quando tiverem mais informações sobre os riscos da vacina, afirma Julie Gerberding, diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. A vacina dificilmente será distribuída para a população em geral antes do segundo trimestre do ano que vem, disse ela.

Aqueles que ainda assim desejarem ser vacinados poderão tentar participar de um programa de pesquisas. (Um dos testes, de uma vacina chamada Acambis-Baxter 2000, contará com cerca de 10 mil voluntários. Um outro teste vai determinar a potência de vacinas diluídas da varíola, que estão congeladas desde 1958).

Ou então os voluntários poderão concordar em doar sangue uma ou duas vezes por mês após a vacinação, de forma que o governo possa obter 30 mil doses de anticorpos bastante potentes, que serão utilizadas para tratar as pessoas que sofrerem com os efeitos colaterais da vacina.

Mesmo assim, esses testes serão muito poucos caso haja uma demanda maciça, afirma Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. "Digamos que um milhão de indivíduos se apresentem, de um total de centenas de milhões que vivem neste país. Não há a menor chance de que os testes clínicos possam contemplar a todos". Ele afirma que o governo poderia fornecer a vacina como parte de um programa de pesquisas especialmente elaborado, caso fosse necessário, por meio de clínicas de saúde pública ou instituições de pesquisas.

"A vacina não estará disponível nos consultórios médicos", afirma o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Tommy Thompson. Ele disse no domingo que não será vacinado.

As forças armadas começaram a vacinar o seu contingente dedicado aos serviços de saúde na última sexta-feira, no Centro Médico Walter Reed, do Exército, em Washington, D.C., naquilo que se constitui na primeira onda das 500 mil inoculações planejadas. O Departamento de Estado vacinará certa de 23 mil funcionários em embaixadas no Oriente Médio, afirma Cedric Dumont, diretor-médico da agência.

Estima-se que 60 milhões de norte-americanos com certos problemas de saúde - HIV/Aids e outras deficiências imunológicas, câncer, órgãos transplantados e problemas dermatológicos - possuem maior probabilidade de apresentar sérias reações à vacina, feita da vaccinia viva, uma "prima" da varíola.

Tradução: Danilo Fonseca USA Today

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