Excessos do natal prejudicam crianças, dizem pais e especialistas

Mary Kaye Ritz
Em Honolulu

Quando os dois filhos de John Rosemond eram pequenos, cada um recebia uma cópia do catálogo da Sears. Eles folheavam as páginas em papel brilhante, circulando tudo o que chamava a atenção e "nós saíamos para comprar", lembra o especialista em orientação aos pais.

Ele lembra de forma vívida quando ele e sua esposa, Willie, perceberam que as crianças tinham atingido um excesso de presentes de natal.

"Era obsceno", ele disse de sua casa no Estado da Carolina do Norte. "Não havia espaço na sala de estar para nos movermos porque sob a árvore havia aquele exagero, aquela cornucópia (de presentes)".

Ele observou seus filhos se transformarem em robôs, desembrulhando cada presente, dizendo algo indiferente como, 'Ah, legal", colocando de lado e então partindo para abrir o próximo presente.

"Foi o fim", disse ele, "quando percebemos que eles estavam viciados em coisas materiais, mas não estavam gratos por terem recebido tanto".

Ele acabou com aquilo rapidamente, e até mesmo se recusa a mimar seus netos com presentes. Neste ano, por exemplo, eles receberão pulôver de lã, disse ele. ("Muito bons, da Patagônia", acrescentou Willie.) Nada mais. Eles preferem ser lembrados como avós que fazem coisas com os netos -que os levam a lugares, que lêem livros para eles, que mandam cartas- ao invés bolsos sem fundo.

Neste ano, como aponta uma pesquisa da International Mass Retail Association (associação internacional de empresas de varejo), o comprador das festas deverá gastar em média cerca de US$ 863 em presentes. As pessoas entre 35 e 45 anos geralmente gastam mais. Mas quando é que o gasto deixa de criar um natal mágico e entra no território do excesso?

"Quando o aspecto material encobre qualquer indício do significado espiritual deste dia em particular", respondeu Rosemond, que é cristão.

Kuulei Kalahiki, uma havaiana que trabalha fora e é mãe de três, reservou US$ 200 para cada filho. Isto dá para o filho dela ganhar o PlayStation 2 que ele pediu, mas ela teve que conversar com a filha para explicar que apesar do ar-condicionado que ela quer estar dentro do limite, ela não pensou na conta de luz mensal. Kalahiki sabe que seus filhos ganham mais do que precisam.

"Eu acho que se você realmente olhar para isso, é difícil impedir, gastar somente em um presente para as crianças", ela disse. "Eu vejo algo e penso, 'Oh, ele quer isto'. É mais do que eles realmente precisam?"

Não foi difícil para Lisa Fowler colocar um fim ao excesso após testemunhar o exagero do natal há dois anos. Sua filha, Jada (agora uma aluna da primeira série de 6 anos), se deparou com uma árvore com uma quantidade ultrajante de presentes.

"Eu a bombardeei com presentes", lembrou Fowler, obviamente envergonhada. "Outras crianças não têm nem o que comer, e minha filha tinha brinquedos suficientes para três crianças".

Enquanto Jada exibia aquele olhar vitrificado que presentes demais podem provocar, Fowler e o marido dela rapidamente tiraram alguns e os guardaram.

"Isto é mau, quando você tem um excesso tão grande que pode guardar alguns para o próximo natal", disse ela.

Fowler já sabe que não vai cometer o mesmo erro com o irmãozinho de Jada, Malcolm, de 9 meses, que este ano passará seu primeiro natal. Mas quando a mãe que agora permanece em casa analisa o motivo para ter feito aquilo, Fowler sabe que a idéia não era dar, mas compensar.

Rosemond conhece este erro comum: "Nós somos ludibriados por nós mesmos e uma certa quantidade de influências culturais a acreditar que esta é a forma como se demonstra o amor. A única época do ano em que você não quer ver uma criança desapontada é no natal. (...) Infelizmente, atenção e apreço na América se tornaram associados a coisas materiais".

Há formas melhores de mostrar que você se importa, disse ele, incluindo a velho contato com as pessoas, disse Rosemond. "O natal se trata de amor", concorda Fowler.

Bob Peters, diretor da Escola Hanahau'oli no Havaí, escreveu sua tese de Ph.D sobre como tornar a celebração das festas na escola significativas, dizendo que o ritual de distribuição de presentes também tem um peso no excesso. Em sua casa, uma pessoa entrega os presentes, e nenhum segundo presente é aberto até que alguém na sala tenha sido agradecido.

"Isto parece tirar a pressão da avançar nos presentes", disse ele, admitindo que demora mais tempo, mas faz o Natal durar mais -e ajuda as crianças a apreciar o que receberam. "Há algo pior do que rasgar papel e correr para a próxima coisa?"

Ele e sua esposa, Pat, uma ex-professora, também tentam reduzir o número de presentes. "Em nossa família, nós sempre identificamos um a três presentes como sendo do Papai Noel, os outros de indivíduos em particular, incluindo nós", disse ele. "Isto lhe dá um número administrável. Os presentes do Papai Noel são os itens principais, e o número depende do tamanho, custo e o que for razoável.

"Nossa meta tem sido não deixar que o natal nos controle, mas sim termos algum controle sobre o Natal", disse ele.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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