Em sua autobiografia, Clinton fala de política e ignora Mônica Lewinsky

Bob Minzesheimer
USA Today

O ex-presidente americano Bill Clinton, que receberá cerca de US$ 12 milhões por sua autobiografia, afirma que todas as pessoas deveriam escrever a história de sua vida.

"As pessoas sempre dizem que escrever um livro é uma coisa terrível. Eu me diverti", disse o ex-presidente em uma entrevista ao canal americano C-Span que irá ao ar neste domingo (18h30 e 21h30).

Ele deixa a sugestão: "Todos aqueles que tiverem a felicidade de completar 50 anos de idade deveriam sentar-se em algum momento e redigir a história de sua vida ainda que somente para si próprio, seus filhos ou sua família".

É importante, diz ele, "tentar aceitar a vida que se viveu e pensar em como passar os anos que ainda se terá pela frente".

Clinton, que afirma ter escrito sem o auxílio de um "ghostwriter" (um jornalista contratado para escrever a autobiografia de personalidades), pretende exibir um "esboço publicável" no mês de agosto - ou seja, dois meses após a data de publicação das memórias de sua mulher, a senadora Hillary Clinton (que recebeu US$ 8 milhões).

Durante esta entrevista de 25 minutos e um passeio de 15 minutos pela biblioteca presidencial que atualmente está sendo montada em Little Rock, Arkansas, Clinton tratou de sua passagem pela Casa Branca, seu legado e o processo de impeachment, mas nada disse sobre Mônica Lewinsky. A seguir, leia trechos da entrevista:

O Sr. e sua mulher lêem o que o outro escreve?

Lemos um pouco. Às vezes, os escritores têm bloqueios. Você vai indo bem, começa a escrever sobre um período de cinco ou seis anos de sua vida e tudo funciona, mas de repente você precisa fazer uma transição. É aí que você se pergunta: "Mas o que eu posso dizer sobre este período da minha vida?... Como dizer isso sem parecer defensivo ou indulgente?"... São problemas deste gênero. E quando o bloqueio aparece, nós nos ajudamos. De resto, posso dizer que cada um faz o seu trabalho".

Tem usado seus arquivos pessoas?

Eu costumo guardar as cosias... tenho o programa do concerto da banda do colégio. Minha mãe guardou o livro dos meus primeiros anos. Tenho todas as cartas escritas por minha mãe quando eu estava na faculdade, guardei minhas provas e outras coisas. Portanto, tive sorte. Outro dia me deparei com um relatório que dizia tudo o que fiz na quinta série - não sei porque guardo essas coisas. Mas sempre tive o costume de guardá-las.

Usou como modelo as memórias de outros presidentes?

A autobiografia de Grant foi um sucesso porque ele estava morrendo e passava necessidade, mas Mark Twain o ajudou porque o presidente tinha uma ótima história para contar e porque ele pôde escrever tudo... Já as memórias de Truman não venderam tanto porque o livro parece um pouco rígido. Mas se examinarmos o relato oral feito por Truman em parceria com Merle Miller ("Falando Francamente"), veremos que ele escreveu quase tudo, pois ali temos uma história oral - isto é, um conjunto de entrevista. Foi um sucesso porque ali Harry Truman era Harry Truman. O leitor sabia que aquilo era verdadeiro. Poderia não gostar de tudo o que se dizia, mas ele estava inteiro ali.

O que destacaria em seu livro?

"Decidi que não me preocuparia com o sucesso do livro: o que eu queria era escrever tudo... queria tomar decisões sobre o que inserir e o que deixar de fora.. queria que fosse um livro autêntico; e se tivermos um livro autêntico, o público e os americanos de todo o mundo em seguida decidirão se ele será ou não um sucesso de vendas".

O vídeo que contém a entrevista e o passeio pela biblioteca de Clinton está disponível no site do canal C-Span.

Tradução: André Medina Carone

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