Infidelidade vai além do sexo: intimidade emocional e casos virtuais predominam no local de trabalho

Karen S. Peterson

O cibersexo e os chamados casos virtuais na Internet são o que mais atrai a
atenção dos profissionais que estudam cônjuges desgarrados.

Mas o terreno realmente fértil para ligações emocionais fora do casamento é
muito mais convencional: o local de trabalho. À medida que os funcionários
trabalham mais horas juntos, as amizades cada vez mais se estreitam. E à
medida que as mulheres avançam em profissões antes dominadas pelos homens,
há maiores tentações para ambos os sexos.

Há um nova "crise de infidelidade" se desenvolvendo no local de trabalho,
disse a psicóloga e pesquisadora de casais de Baltimore, Shirley Glass.
Geralmente não envolve buscadores de emoções sexuais, mas "boas" pessoas,
pares que estão em bons casamentos.

"A nova infidelidade ocorre entre pessoas que sem perceberem formam ligações
profundas e apaixonadas, até perceberem que cruzaram a linha entre a amizade
platônica e o romance", disse Glass.

Os 25 anos de pesquisa de Glass de "relações extraconjugais" adiciona uma
maior compreensão do que constitui a infidelidade e o motivo de acontecer.

Ela acredita que os casos não precisam incluir sexo. "Na nova infidelidade,
os casos não precisam ser sexuais. Às vezes as maiores traições ocorrem sem
contato físico. A infidelidade é qualquer intimidade emocional ou sexual que
viola a confiança".

Este conceito revisto de caso é adotado por um número cada vez maior de
colegas de Glass. As pessoas ficam "incrivelmente devastadas pelo caso
emocional de seus parceiros", disse Peggy Vaughan, que tem pesquisado a
infidelidade há 20 anos. "Eles se separam por causa dela, se divorciam por
causa dela, desta quebra da confiança, do vínculo". A terceira edição de seu
"The Monogamy Myth" (o mito da monogamia) será lançado neste mês.

Uma amizade platônica, como aquelas que se desenvolvem no trabalho, se
aproxima do caso emocional quando três elementos estão presentes, disse
Glass:

- Intimidade emocional. Os transgressores compartilham mais de seu "eu
interior, frustrações e triunfos do que com seus cônjuges. Eles se encontram
em uma rampa escorregadia quando começam a compartilhar a insatisfação com
seu casamento com um colega de trabalho".

- Segredo e mentira. "Eles se recusam a dizer: 'Nós nos encontramos toda a
manhã para tomar café'. Assim que a mentira começa, a intimidade se afasta
cada vez mais do casamento".

- Química sexual. Apesar dos dois não se esforçarem para isto, há pelo menos
uma não reconhecida atração sexual.

Glass resume sua pesquisa e a de outros em "Not 'Just Friends': Protect Your
Relationship from Infidelity and Heal the Trauma of Betrayal" (não 'apenas
amigos': proteja seu relacionamento da infidelidade e cure o trauma da
traição, Free Press, US$ 24), que está chegando agora às livrarias.

"Esta é a essência da nova crise de infidelidade: amizades, relações no
trabalho e na Internet se tornaram a mais recente ameaça aos casamentos",
disse Glass.

Casos que transcorrem em salas de bate-papo na Internet são exemplos
clássicos de infidelidade emocional.

Quantos têm casos, sejam emocionais ou sexuais, é difícil de avaliar. Após
revisar 25 estudos, Glass acredita que 25% das esposas e 44% dos maridos
tiveram relações extraconjugais.

Cerca de dois terços dos 350 casais que ela tratou incluem um ou ambos os
parceiros tendo algum tipo de caso intenso, sexual ou emocional. Os mais
ameaçadores ao casamento combinam ambos, disse ela. 62% dos homens infiéis e
46% das mulheres conheceram seu parceiro ilícito no trabalho.

Os pesquisadores identificaram muitos fatores que contribuem para a
infidelidade. A proximidade no escritório é fundamental para Glass. "Minha
pesquisa e as pesquisas de outros apontam a oportunidade como fator
primário. (...) A atração é um fato da vida quando homens e mulheres
trabalham lado a lado".

Muitos outros fatores podem entrar em ação. Eles incluem:

- Padrões familiares. Pais infiéis tendem a gerar filhos que traem suas
esposas e filhas que aceitam os casos como sendo normais ou que são infiéis,
disse Glass.

- Desejos bioquímicos. Mudanças na química do cérebro durante um caso podem
criar um "barato que se torna quase viciante", disse o psiquiatra Frank
Pittman, de Atlanta, autor de "Mentiras Privadas: Infidelidade e a Traição
da Intimidade" (Artmed).

Bonnie Eaker-Weil, autora de "Adultery, the Forgivable Sin" (adultério, o
pecado perdoável), disse que a necessidade biológica de ligação pode
resultar de "estresse severo, perda ou separação" que freqüentemente podem
ser rastreados até a infância.

- Tentações na Internet. Um número cada vez maior de cibercasos estão
acabando com casamentos estáveis, disse a psicóloga Kimberly Young, autora
de "Tangled in the Web: Understanding Cybersex From Fantasy to Addiction"
(emaranhado na rede: compreendendo o cibersexo da fantasia ao vício). Ela
cita o anonimato e a conveniência da Internet, assim como a fuga que ela
fornece do estresse do dia a dia.

- Aumento do sexo pré-conjugal. Quanto maior a atividade sexual
pré-conjugal, maior a chance de um caso extraconjugal, disse Glass. "Como as
garotas são cada vez mais ativas sexualmente em idades cada vez mais jovens
do que costumavam ser, as mulheres casadas cada vez se inibem menos a cruzar
a linha".

- Casamentos centrados nos filhos. Quando tanto o pai quanto a mãe tem uma
carreira e tempo limitado, eles "freqüentemente combinam em dar o tempo
restante às crianças. A ligação deles se resume à paternidade, e eles não
têm tempo para si mesmos", disse Glass. Seguindo o estereótipo, o marido
encontra alguém no trabalho para compartilhar seus interesses adultos.

Segundo Glass, alguns casos acontecem "porque as pessoas têm certas crenças
que acham que as protegerão. Elas acreditam que se amarem seus cônjuges e
terem um bom casamento, elas não terão com que se preocupar. Elas não
praticam a cautela que pode ser necessária ou criam os laços para tornar
seus casamentos seguros".

Parceiros basicamente monógamos atraídos por colegas interessantes no
trabalho se vêem em "grande conflito interno". Seu melhor conselho: "Quanto
mais atraente acharmos alguém, mais cuidadosos devemos ser".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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