Terapia de reposição de testosterona é objeto de escrutínio

Riba Rubin

Uma força-tarefa composta de cientistas de várias especialidades vai se reunir nesta semana em Washington, D.C., a fim de começar a avaliar se a terapia de reposição de testosterona em homens idosos deveria ser objeto de um estudo clínico.

A produção de testosterona nos homens atinge o seu ápice na adolescência e no início da idade adulta. Embora tal produção diminua com a idade, ela nunca é totalmente interrompida, como acontece com o estrogênio, no caso das mulheres que entram na menopausa.

Embora a terapia de reposição de testosterona nunca tenha sido estudada em uma experiência clínica de grande magnitude, um número crescente de homens têm se submetido ao tratamento. Em 2001, nos Estados Unidos, foram prescritas mais de um milhão de receitas médicas para produtos à base de testosterona. Os defensores do método vêem a suplementação de testosterona como uma virtual fonte da juventude, capaz de restaurar os impulsos sexuais e de aumentar a energia, ainda que haja poucas provas científicas para sustentar tais alegações.

E não se sabe se os suplementos de testosterona poderiam aumentar o risco do surgimento de certas doenças, tais como câncer de próstata e derrames, dois grandes responsáveis por mortes de indivíduos do sexo masculino. Apesar disso, o Instituto Nacional de Saúde decidiu no verão passado não realizar um experimento clínico de grandes dimensões com os suplementos de testosterona.

A situação da testosterona é, de certa forma, similar àquela dos suplementos de estrogênio em mulheres que passaram pela menopausa. Durante décadas, os médicos prescreveram estrogênio para mulheres mais velhas, acreditando que o suplemento as protegeria das doenças típicas da idade. Mas quando os cientistas finalmente começaram a submeter essa crença a experimentos científicos há alguns anos, descobriam que a combinação hormonal de estrogênio e progestina na verdade aumentava o risco de ocorrência de certas enfermidades. Como resultado, o número de mulheres que tomam hormônios após a menopausa diminuiu drasticamente.

A força-tarefa da testosterona, chefiada pelo Instituto de Medicina e apoiada pelo Instituto Nacional da Velhice, inclui Elizabeth Barrett-Connor, da Universidade da Califórnia em San Diego, e Deborah Grady, da Universidade da Califórnia em São Francisco, duas grandes estudiosas das terapias hormonais pós-menopausa. Entre os membros do grupo está também Baruch Brody, que dirige o centro de ética médica da Faculdade de Medicina Baylor, em Houston e o cardiologista Robert Califf, diretor da Unidade de Pesquisa Clínica Duke, em Durham, Carolina do Norte. O diretor do comitê é Dan Blazer, professor de psiquiatria e de ciências comportamentais na Universidade Duke.

Na reunião da quinta-feira, membros da força-tarefa ouvirão apresentações de Richard Hodes, diretor do Instituto Nacional da Velhice, assim como vários outros cientistas proeminentes do instituto. Glenn Cunningham, da Faculdade de Medicina Baylor, um dos vários cientistas que propôs um experimento de larga escala sobre a terapia de reposição hormonal, vai fazer uma apresentação sintética do problema.

Membros do comitê discutirão tópicos como o número de homens que utilizam a terapia de reposição de testosterona e os riscos e benefícios do tratamento. Em novembro, a força-tarefa vai divulgar um relatório final com recomendações sobre como elaborar e conduzir um estudo clínico de grande magnitude sobre a terapia de reposição de testosterona, assim como opiniões quanto à necessidade ou não de tal experimento.


Tradução: Danilo Fonseca

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