Obesidade pode atingir quase 40% da população dos EUA em cinco anos

Nanci Hellmich
USA Today


Quase quatro entre cada dez adultos nos Estados Unidos serão obesos nos próximos cinco anos, caso a população continue engordando no ritmo atual - colocando a saúde em risco, segundo os mais conceituados estudiosos da obesidade no país.

Atualmente, cerca de 31% da população estadunidense - o que corresponde a aproximadamente 59 milhões de pessoas - é obesa, um termo utilizado quando o indivíduo está mais de 13,5 quilos acima do peso normal. Quase 65% da população é obesa ou tem excesso de peso (entre 4,5 e 13,5 quilos a mais do que o peso normal), o que faz aumentarem as chances de que venham a sofrer de diabetes, cardiopatias, alguns tipos de câncer e uma série de outros problemas de saúde.

O custo médico associado ao tratamento dessas doenças vai sobrecarregar o sistema de saúde e a economia nos próximos anos, afirmam os especialistas.

Os norte-americanos estão engordando a uma taxa de 450 a 900 gramas por ano, alerta James Hill, diretor do Centro de Nutrição Humana do Centro de Ciências de Saúde da Universidade do Colorado, em Denver. Hill prevê que, a se manter o ritmo atual, 39% dos norte-americanos serão obesos por volta de 2008.

Ele é um dos vários especialistas nacionais em perda de peso que indicaram possíveis soluções para a epidemia de obesidade na edição de sexta-feira (7) da revista "Science". Esse relatório se segue a um outro, que causou impacto, em janeiro deste ano, que revelou que a obesidade diminui a duração da vida do indivíduo em cerca de sete anos. Já o fato de se estar acima do peso, sem entretanto chegar a ser obeso, faz com que um indivíduo viva menos três anos.

Segundo Hill, para cessar de ganhar peso, uma pessoa precisa queimar 100 calorias a mais por dia com atividades físicas ou ingerir diariamente 100 calorias a menos. Isso poderia ser feito em etapas, cortando-se um refrigerante ou andando um quilômetro e meio a mais por dia, o que corresponderia a uma caminhada de 15 a 20 minutos, afirma.

"Tais providências não fariam com que a pessoa perdesse muito peso, mas impediria que ela engordasse mais", afirma Hill.

Outros trabalhos publicados na "Science" enfatizam o papel desempenhado pelos seguintes fatores:

  • Genéticos. Jeffrey Friedman, cientista do Instituto Médico Howard Hughes, da Universidade Rockfeller, afirma que diferenças básicas no componente genético das pessoas podem explicar em parte porque algumas exibem um corpo mais esguio no meio atual, caracterizado por "fast food" e porções enormes de alimentos, enquanto que outros estão dezenas de quilos acima do peso ideal.

    Friedman diz que entre 3,15 e 4,5 quilos do aumento de peso da população no decorrer da última década pode ser explicado pelo ambiente. Mas ele disse que o motivo pelo qual certas pessoas estão dezenas de quilos acima do peso é em grande parte atribuído a um conjunto de genes, que montam um poderoso sistema fisiológico responsável pela manutenção da consistência de peso em cada indivíduo.

    O corpo humano possui sistemas biológicos complexos que incluem hormônios da fome e do apetite, o que faz da tarefa de perder peso e mantê-lo baixo um difícil desafio, explica Friedman.

    Por exemplo, quando uma pessoa perde peso, os níveis do hormônio leptina no organismo caem, o que faz com o indivíduo se sinta faminto e, possivelmente, diminua a sua taxa metabólica, afirma.

    "Não se pode colocar a culpa pela obesidade apenas no meio em que se vive. Ao tentar perder peso, o obeso está travando uma batalha difícil", diz Friedman.

  • Tratamento médico. Xavier Pi-Sunyer, diretor do Centro de Pesquisa sobre a Obesidade e chefe do setor de endocrinologia do Hospital Saint Luke's-Roosevelt, em Nova York, declara que os profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros, precisam ser mais bem treinados para tratar da obesidade e dedicar mais tempo a ajudar pacientes a perder peso e mantê-lo baixo.

    Além do mais, programas de tratamento, incluindo dieta e exercícios de apoio, precisariam ser cobertos pelos planos de saúde, pelos postos de saúde e por programas governamentais como o Medicaid e o Medicare, afirma. Além do mais, são necessários melhores medicamentos para ajudar as pessoas a perder peso.

    "A perda de peso é uma meta difícil, mas possível de ser atingida", garante Pi-Sunyer. "A manutenção do peso é ainda mais difícil, mas também possível."


    Tradução: Danilo Fonseca
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