Como se desenrolaria a guerra contra o Iraque?

Dave Moniz


Washington - Em algum momento do mês que vem, Saddam Hussein e os seus assessores mais leais têm grande probabilidade de ouvirem os primeiros sons assustadores da guerra: o barulho característico composto por estalos e zunidos, quando as aletas das "bombas inteligentes" fizerem ajustes de último segundo para acertar seus alvos.

Um ataque incessante com bombas guiadas por laser ou satélites, explodindo simultaneamente com mísseis de cruzeiro lançados de navios da marinha dos Estados Unidos, vai sacudir centros de comando e quartéis militares das tropas de elite de Saddam Hussein, em Bagdá e na periferia da cidade.

Ao mesmo tempo, as luzes vão se apagar - literalmente - para os comandantes militares e forças de segurança de Saddam, cujos rádios, telefones e computadores serão danificados por novas e poderosas armas conhecidas como "bombas-e". Essas bombas utilizam energia eletromagnética para gerar picos repentinos de tensão elétrica capazes de destruir equipamentos eletrônicos.

O que vai se seguir ao bombardeio com milhares de "bombas inteligentes" será um tipo de guerra nunca antes visto: uma invasão rápida e violenta cujos objetivos não são a captura de território ou a destruição de um grande exército. Ao invés disso, se tudo sair de acordo com o planejado, as forças dos Estados Unidos vão tentar matar todos que colaborem para manter Saddam no poder, deixando, entretanto, as forças armadas regulares, a população civil e a maior parte das cidades e vilas intocadas.

Os analistas militares advertem que o ato de desencadear uma nova guerra no Golfo Pérsico vai exigir, ao mesmo tempo, um pulso de ferro e uma luva de veludo. As tropas dos Estados Unidos precisarão usar a força bruta e rápida para neutralizar as forças armadas, matar ou capturar Saddam Hussein, e impedir que os iraquianos incendeiem os poços de petróleo ou utilizem armas químicas ou biológicas. E, com precisão cirúrgica, os norte-americanos terão que fazer tudo isso sem massacrar os civis iraquianos ou destroçar um país que terá que ser reconstruído e ocupado nos anos vindouros.

A parte rápida e brutal do plano de invasão dos Estados Unidos está praticamente garantida. Sem muito alarde, o Pentágono e seus aliados cercaram o Iraque com uma força devastadora. Cinco porta-aviões com grupos de combates estão posicionados na região ou a caminho do Golfo Pérsico e do Mar Mediterrâneo. Cerca de 800 aviões de guerra estão a bordo de embarcações ou em bases localizadas dentro do raio de ataque ao Iraque. Tropas, tanques e helicópteros de unidades militares dos Estados Unidos e do Reino Unido estão se deslocando para os seus postos no Kuait, na Turquia e outras localidades na região.

Diplomatas norte-americanos e turcos ainda estão negociando a permissão para que tropas dos Estados Unidos ataquem a partir de bases na Turquia. Uma recusa das bases, possibilidade que os oficiais do Pentágono consideram improvável, complicaria o plano de ataque e tornaria mais difícil para as forças norte-americanas atingir rapidamente os campos de petróleo e áreas estratégicas no norte do Iraque.

Embora o contingente de invasão norte-americano e britânico, composto de 250 mil soldados, seja menor do que a metade da força utilizada na Operação Tempestade no Deserto, em 1991, ele será muito mais letal, devido ao avanço ocorrido na tecnologia de armamentos, nas comunicações e nas táticas de guerra, afirmam oficiais militares.

A guerra possivelmente vai começar com o bombardeios de precisão na calada da noite iraquiana. Forças de tanques e comandos de elite poderiam chegar a Bagdá 48 a 72 horas após o início da invasão, de acordo com oficiais militares e analistas do setor de defesa.


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Tradução: Danilo Fonseca

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