Governo reduz nível de alerta contra terrorismo nos EUA

Mimi Hall, Kevin Johnson e Toni Loci


Washington - O governo Bush rebaixou o nível de alerta contra o terrorismo na nação na última quinta-feira, indicando que as autoridades não acreditam mais que seja iminente a ameaça de um ataque terrorista no país. Mas, ao mesmo tempo, o FBI relatou que continua bastante preocupado com a possibilidade de que ocorram atentados suicidas a bomba nos Estados Unidos.

A decisão do governo no sentido de rebaixar o nível de alerta de "alto", o segundo maior dos cinco níveis da escala, para "significante", aconteceu 20 dias após as autoridades terem sido feitas advertências drásticas sobre a possibilidade de ocorrência de ataques biológicos, químicos ou radiológicos, e de as autoridades terem pedido a todos os norte-americanos que se preparassem para tais ataques.

O chefe da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Ashcroft, e o secretário de Segurança Interna, Tom Ridge, disseram que a decisão de rebaixar o nível de alerta se deveu em parte ao fim do Hajj, um período religioso muçulmano que terminou em meados de fevereiro. A decisão teria sido tomada após uma "cuidadosa avaliação" da forma como informações específicas de inteligência que levaram ao elevado estado de alerta "evoluíram e progrediram no decorrer das três últimas semanas, juntamente com as ações de contra-terrorismo".

"O rebaixamento do nível de alerta não se constitui em um sinal para o governo, as autoridades policiais ou os cidadãos de que a ameaça de um ataque terrorista tenha cessado", disseram as autoridades federais em uma declaração pública.

O estado de alerta "alto" implica em medidas reforçadas de segurança, tais como a inclusão de mais seguranças nos vôos, a imposição de acesso limitado aos prédios governamentais e de escritórios, além de um controle mais rigoroso nos postos de fronteira. O nível de alerta foi aumentado em duas ocasiões de "significante" para "alto" quando as autoridades acreditaram que um ataque parecia ser iminente. A medida sempre foi tida como de curto prazo, já que o governo e companhias privadas são incapazes de sustentar indefinidamente a implementação de normas de segurança mais rígidas.

Porém, Ashcroft e Ridge frisaram que, mesmo sob um nível médio de alerta, "os norte-americanos precisam continuar atentos e devem se recusar a serem intimidados".

Especula-se em Washington que o nível de alerta será aumentado novamente, caso os Estados Unidos invadam o Iraque. Mas as autoridades dizem que não há maneira de saber ainda se as informações contidas em relatórios das agências de inteligência vão fazer com que se adote mais uma vez tal medida em caso de guerra.

Enquanto isso, uma fonte graduada do FBI disse que as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de que grupos radicais respondam às recentes mensagens gravadas por Osama Bin Laden, que exortou os seus seguidores a realizarem ações contra os Estados Unidos.

O FBI enviou agentes a Israel para que estudassem o fenômeno dos ataques suicidas a bomba. "Fico algo perplexo com o fato de não termos ainda presenciado algo desse tipo neste país", disse a autoridade. O FBI está preocupado com a possibilidade de que ocorram esses tipos de ataque caso uma guerra contra o Iraque incendeie os ânimos de grupos pró-palestinos e pró-iraquianos.

O FBI está reunindo provas contra membros do Hezbollah. A agência acredita que alguns desses extremistas tenham deixado os Estados Unidos rumo ao Líbano para receber aulas de terrorismo, após o que teriam retornado.

O FBI advertiu as agências de segurança nesta semana que militantes da Al Qaeda podem estar utilizando câmeras ocultas e outros dispositivos de vigilância para planejar ataques nos Estados Unidos. O órgão alertou para a possibilidade de esses militantes estarem disfarçados de mendigos, manifestantes de passeatas, vendedores de flores ou mesmo garis.


Tradução: Danilo Fonseca

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