Dose diária de aspirina pode reduzir risco de câncer do cólon

Steve Sternberg


Uma dose diária de aspirina parece reduzir os riscos de que um indivíduo venha a apresentar os tumores que se transformam em câncer do cólon, anunciaram nesta semana médicos norte-americanos.

Dois estudos publicados no The New England Journal of Medicine revelam que a aspirina é capaz de reduzir a incidência de pólipos pré-cancerosos em até 35% nos pacientes que já tiveram câncer ou tumores pré-cancerosos.

Os estudos foram elaborados para que se determinasse se a aspirina funciona em indivíduos que não tiveram câncer. Os médicos advertem que a utilização da aspirina não se constitui em um substituto para a detecção e o tratamento precoces do câncer.

O câncer do cólon é a segunda principal causa de mortes por câncer nos Estados Unidos, matando cerca de 57 mil pessoas por ano. Os médicos são capazes de remover o câncer do cólon, mas somente quando a doença é detectada em seu estágio inicial. Depois que ela se espalha, a quimioterapia geralmente tem resultados desapontadores.

"Não queremos que a população pense que tudo que precisa fazer é tomar uma aspirina por dia", explica um dos principais participantes de um dos estudos, Robert Sandler, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. "Os indivíduos que desejam prevenir o câncer do cólon têm que fazer uma colonoscopia ou algum outro exame específico".

A despeito disso, Ernest Hawk, chefe de prevenção do câncer gastrointestinal do Instituto Nacional do Câncer, que financiou os estudos, afirma que os resultados são "a melhor evidência até o momento de que a aspirina reduz o risco do câncer do cólon".

"Os exames e a remoção de pólipos são essenciais", adverte. "A aspirina oferece mais uma opção para os nossos pacientes."

O primeiro estudo envolveu 517 antigos pacientes de câncer. A metade tomou uma dose diária de aspirina de 325 miligramas; o restante ingeriu um placebo. Os cientistas descobriram que 27% daqueles pacientes do grupo que ingeriu placebo desenvolveram pólipos, comparados a 17% do grupo que tomou aspirina. Isso representa uma redução de 35% do risco de câncer do cólon.

Além disso, os tumores também demoraram mais para se desenvolver no grupo que tomou aspirina. Os resultados foram tão decisivos que o estudo pôde ser interrompido antes do esperado.

Um segundo estudo, chefiado por John Baron, do Centro Médico Dartmouth-Hitchcock, na cidade de Lebanon, em New Hampshire, envolveu pacientes que tiveram pólipos, mas não câncer. O estudo resultou em informações conflitantes quanto à dose mais apropriada de aspirina a ser utilizada.

Após três anos, os pesquisadores descobriram novos pólipos ou câncer em menos de 8% dos 377 indivíduos que tomaram uma dose baixa diária de aspirina, de 81 miligramas, comparados a 12% no grupo de 372 pacientes que tomaram um placebo.

Nesse estudo, a dose de 325 miligramas não pareceu ajudar em nada. Cerca de 11% dos 372 indivíduos que tomaram aspirina desenvolveram pólipos ou tumores, a mesma percentagem do grupo que ingeriu placebo. "É algo difícil de ser explicado cientificamente", diz Sandler. "O meu palpite é que há uma chance de que a aspirina realmente funcione."


Tradução: Danilo Fonseca

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