EUA acreditam que respostas sobre o 11 de setembro estão próximas

Kevin Johnson e Toni Locy


Washington - O chefe de operações da Al Qaeda, Khalid Shaikh Mohammed, detido nos Estados Unidos, está fornecendo às autoridades federais norte-americanas tantas informações sobre os alvos potenciais do grupo, sobre as suas tática e operações, que pode levar anos para que tudo o que tem a dizer o mais importante suspeito de terrorismo que está sob custódia dos Estados Unidos seja processado, afirmou uma autoridade graduada do governo.

Após interrogarem Mohammed por quase um mês, as autoridades passaram a acreditar que ele cedo ou tarde fornecerá respostas a todas as questões pendentes sobre a forma como a Al Qaeda realizou os ataques de 11 de setembro. Segundo as autoridades, Mohammed também poderia fornecer aos norte-americanos um relato minucioso das operações do grupo durante mais de uma década, possivelmente começando com a primeira vítima de assassinato.

Ao contrário de outros líderes da cúpula da Al Qaeda, que inicialmente se recusaram a cooperar com os interrogadores ou que passaram informações falsas, Mohammed começou a falar poucos dias após a sua captura, em 1º de março, no Paquistão, segundo fontes do governo. Não se sabe ao certo por que Mohammed está falando, mas, até agora, segundo a autoridade graduada, não há motivos para se acreditar que os interrogadores estejam obtendo nada menos do que "informações valiosas".

Entre as questões sobre as quais Mohammed teria falado, segundo as autoridades, estão:

  • as identidades de dezenas de membros da Al Qaeda nos Estados Unidos e no exterior, inclusive a do ex-morador de um subúrbio de Miami, Adnan El Shukrijumah, que emergiu como um organizador potencialmente perigoso da organização extremista e que é objeto de uma caçada humana mundial.

  • as autoridades também esperam que outros nomes fornecidos por Mohammed possam levar à descoberta de dezenas de graduados em campos de treinamento da Al Qaeda, que se acredita estarem nos Estados Unidos.

    Mohammed falou sobre possíveis alvos, incluindo a contínua obsessão da Al Qaeda com um retorno a Washington, D.C., a fim de atacar monumentos e instalações, inclusive os sistemas de transporte público da capital norte-americana.

    A informação passada por Mohammed ajudou as autoridades a entenderem mais sobre a conspiração de 11 de setembro. Ele reforçou as conclusões de investigadores do FBI segundo as quais o suposto conspirador da Al Qaeda, Zacarias Moussaoui, não teria ligação com os 19 seqüestradores suicidas ou com os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono.

    Os investigadores acreditam que Moussaoui fazia parte de uma outra conspiração da Al Qaeda para atacar algum outro alvo quando foi preso por violação das leis de imigração em agosto de 2001.

    Promotores dos Estados Unidos acusaram Moussaoui de fazer parte de uma ampla conspiração da Al Qaeda que estaria por trás dos ataques de 11 de setembro. Moussaoui admitiu no tribunal que é membro da Al Qaeda, mas negou estar envolvido com os seqüestros.

    Devido a Mohammed, disse uma autoridade graduada, "Seremos capazes de responder cada uma das questões obscuras relativas ao 11 de setembro". Entre elas: por que vários dos seqüestradores viajaram para Las Vegas para uma reunião nos meses anteriores aos ataques; por que dois seqüestradores, inclusive o líder da conspiração, Mohamed Atta, colocaram em risco a sua missão ao viajarem para Portland, no Maine, na noite anterior aos ataques; por que três seqüestradores se encontraram em Atlanta nas semanas anteriores aos ataques, e se havia mais ataques planejados para o 11 de setembro e para o futuro, e quais poderiam ser os alvos e os métodos utilizados.

    Mohammed também está começando a fornecer pistas sobre as táticas e estratégias utilizadas pela Al Qaeda em vários ataques. Por exemplo, agora as autoridades acreditam que à época do primeiro ataque contra o World Trade Center, em 1993, Mohammed teria fornecido US$ 600 a Ramzi Yousef, o planejador do atentado a bomba na garagem subterrânea do edifício. Yousef, que segundo os investigadores seria sobrinho de Mohammed, está cumprindo pena de prisão perpétua em uma penitenciária federal no Estado do Colorado. Ainda não se sabe se os US$ 600 foram utilizados para ajudar a financiar o ataque de 1993.

    "Vale a pena conhecermos todos os indivíduos conhecidos pelos líderes da Al Qaeda", afirmou a autoridade. "E também é importante conhecermos todos os planos da organização, inclusive aqueles que ainda estão na fase de esboço".

    "Mohammed é o estrategista", disse a autoridade. "Ele sabe o que está se passando, o que queria fazer. É um indivíduo que pode nos ensinar muita coisa sobre várias áreas".

    Ainda surpreendente para as autoridades dos Estados Unidos é a forma como Mohammed começou a falar rapidamente e a quantidade de informações que ele já forneceu. Mohammed ofereceu pouca daquela resistência demonstrada durante a captura pelo gerente da Al Qaeda, Abu Zubaydah, e por Ahmed Ressan, condenado devido a um plano fracassado para atacar o Aeroporto Internacional de Los Angeles por volta da passagem do Ano Novo de 2000.

    Os interrogadores descreveram Zubaydah como sendo um indivíduo particularmente difícil, dizendo que ele teria passado falsas informações, segundo as quais a Al Qaeda poderia estar planejando atacar bancos norte-americanos. Demorou 18 meses para que Ressam cooperasse com as autoridades - após um tribunal tê-lo condenado e um pouco antes do dia estipulado para o decreto da sentença.

    "Se pararmos e pensarmos um pouco sobre como eles nos odeiam de forma veemente - especialmente Aby Zubaydah e Khalid Shaikh Mohammed, pessoas dessa hierarquia na organização - é surpreendente constatar que não tenham ficado simplesmente de boca fechada", afirmou a autoridade graduada.


    Tradução: Danilo Fonseca
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