Armas abandonadas vão para o mercado negro

Steven Kovarow


Tikrit, Iraque - O exército dos Estados Unidos está enviando tropas para bases militares abandonadas no Iraque porque os armamentos que foram deixados para trás estão fluindo para o mercado negro.

O coronel Don Campbell, comandante da 1ª Brigada da 4ª Divisão de Infantaria, disse que a base militar próxima a esta cidade - terra natal de Saddam Hussein - estaria cheia de armas de fogo, lançadores de granadas, armamentos pesados e munição.

Até mesmo o hospital da base funcionava como depósito de armamentos. "Nunca vi tanta arma junta", disse Campbell. Na noite do último domingo, soldados do 1º Batalhão da 22º Divisão de Infantaria foram enviados à base, onde se depararam com um grupo de intrusos. Segundo Campbell, os norte-americanos mataram 16 deles. Não houve mortos ou feridos entre os norte-americanos.

"Mas essas armas já estão em meio à população civil", advertiu Campbell.

Comandantes dos Estados Unidos dizem que a existência de arsenais de armas por todo o Iraque continua sendo um dos maiores problemas. O general William Wallace, comandante da 5ª Corporação, ordenou que as unidades de artilharia cujas missões de combate tenham sido finalizadas ajudem a coletar armas e munições abandonadas.

Os soldados norte-americanos estão encontrando dezenas de milhares de armas, desde antigos rifles Enfield a lançadores de mísseis antiaéreos AS-7, disparados do ombro. Centenas de soldados, utilizando caminhões pesados que normalmente levam munição para a frente de batalha, receberam ordens para se agrupar e transportar as armas para pontos de coleta.

Uma dessas forças-tarefa, operando ao sul de Bagdá, já recolheu mais de 300 toneladas de armamentos e munições. As armas serão destruídas.

Uma outra grande preocupação está na base aérea de Taji, um pouco ao norte de Bagdá e a poucos quilômetros da principal base do exército dos Estados Unidos, no Aeroporto Internacional de Bagdá.

Dentro dos cerca de 50 quilômetros de cerca estão bunkers inexplorados, edifícios e veículos abandonados, todos cheios de armamentos. Os saques começaram pouco após as forças dos Estados Unidos terem se deslocado para a área. Agora, os comerciantes do mercado negro estão "vendendo armas da base para locais bem distantes da cidade", afirma o coronel Kevin Stramara, comandante do 4º Batalhão de Infantaria.

Stramara está supervisionando a limpeza do local. "Os soldados precisam andar nas pontas dos pés", devido aos tiroteios na área, afirmou.

Um outro problema relativo a esses armamentos se apresentou em Bagdá. Quando as luzes tornaram a se acender em uma cidade vizinha na segunda-feira, após quase três semanas de escuridão, alguns moradores comemoraram disparando os seus rifles para o ar.

O tiroteio fez com que uma equipe de oito soldados do exército dos Estados Unidos se deslocasse para o bairro de Arasat India, ao sul de Bagdá, para procurar pelos atiradores. Os soldados terminaram por confiscar um rifle automático Kalashnikov de um guarda de segurança de 21 anos.

Para os iraquianos, tudo é motivo de celebração com disparos de arma de fogo, desde as vitórias no futebol aos casamentos. A rápida resposta das forças dos Estados Unidos evidenciaram a lacuna cultural entre os mais de cinco milhões de moradores de Bagdá e os norte-americanos que detém a autoridade sobre eles.

O especialista do exército dos Estados Unidos, Gordon Brown, de Peoria, Illinois, disse que os iraquianos que dispararem para celebrar provavelmente terão suas armas confiscadas. E isso pode ser uma tarefa complicada em Bagdá, onde quase toda família possui pelo menos uma arma.

"Não confiscaremos as armas de todos", diz Brown. "Vai depender do que esses indivíduos estiverem fazendo com elas. Se alguém estiver defendendo sua casa, entenderemos a situação. Mas se estiverem disparando para o ar a esmo, vão perder esse privilégio".


Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos