Disseminação da pneumonia asiática pode elevar preço dos calçados nos EUA

Jim Hopkins


SÃO FRANCISCO - Os preços dos calçados nos Estados Unidos e o lançamento de novos estilos poderão ser ameaçados caso a pneumonia asiática continue a se espalhar pela China.

Na quinta-feira, a empresa de material esportivo K-Swiss foi a mais recente fabricante de calçados a alertar para interrupções de fornecimento em um setor que é mais dependente de fábricas chinesas do qualquer outro do setor manufatureiro americano. O alerta já havia sido feito pela Vans, Converse e Stride Rite, a fabricante das marcas Keds e Tommy Hilfiger.

Mais de 70 empresas, da Accenture até a Waterpik, apontaram a pneumonia asiática como problema potencial em declarações junto a Comissão de Valores Mobiliários nas últimas quatro semanas, disse a empresa de pesquisa 10K Wizard.

Mas é o setor de calçados de US$ 45 bilhões que sofre o maior risco por ter deslocado grande parte de sua produção para a China desde 1990. Mais de 64% dos calçados vendidos nos Estados Unidos são feitos na China, em comparação com 55% em 1998.

A transferência de trabalho para fábricas em outros países -uma última medida caso a pneumonia asiática provoque o fechamento das fábricas chinesas- poderá provocar um aumento nos preços para o consumidor em um momento em que o crescimento da receita anual é nulo, disse Peter Mangione, presidente da Distribuidores e Varejistas de Calçados dos Estados Unidos, um grupo setorial.

Isto também poderá atrasar o design e produção de calçados. "Nós nunca estivemos em uma situação como esta", disse Mangione.

As empresas não relataram problemas de fornecimento, disseram ele e representantes das empresas. Mas elas estão limitando os riscos:

- Empregando tecnologia. A líder do setor, a Nike -que produz quase 90% de seus calçados na Ásia e 38% apenas na China- está usando teleconferência para ligar os designers americanos com as fábricas. Também está empregando mais design feito por computador para envio de imagens eletrônicas dos calçados para as fábricas via Internet.

A Vans e a Stride Rite, que proibiram viagens para a região chinesa afetada, estão usando tecnologia semelhante.

Mas tal tecnologia é limitada em um setor no qual os designers querem ver os produtos enquanto estão sendo feitos, para assegurar que atendam aos padrões de qualidade. "É um negócio muito tátil", disse Peter Charles, executivo da Stride Rite.

- Alertar os investidores. Em meio aos escândalos corporativos, muitas empresas não estão medindo esforços para relatar quaisquer problemas possíveis, como a pneumonia asiática, que possam afetar os resultados, disse Ken Scott, um professor de lei de valores mobiliários da Universidade de Stanford. Tais relatórios extras são uma defesa contra processos de acionistas.

A K-Swiss, que na quinta-feira divulgou um salto de 41% na renda líquida no primeiro trimestre em relação ao ano passado, incluiu um alerta sobre a pneumonia asiática em sua declaração. Ela não tem tido qualquer problema, disse o presidente Steven Nichols. O alerta foi incluído juntamente com outros fatores negativos possíveis, incluindo terrorismo, disse ele.


Tradução: George El Khouri Andolfato

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