Cidades da Califórnia são, mais uma vez, campeãs em poluição do ar

Anita Manning


Por quatro anos, as cidades da Califórnia foram apontadas como as campeãs americanas de smog, névoa visível que se forma em razão da poluição do ar. A "vitória" foi apontada em um ranking anual de qualidade do ar, divulgado na quarta-feira pela Associação Americana de Pulmão, que espera que seu relatório "Estado do Ar" ajude a formar oposição às mudanças propostas na Lei do Ar Limpo.

Los Angeles, Fresno, Bakersfield e a área metropolitana de Visalia-Tulare-Porterville estão no topo da lista, que se baseia na freqüência com que a qualidade do ar das cidades atinge níveis insalubres de poluição de ozônio, segundo dados da Agência de Proteção Ambiental para 1999-2001, o ano mais recente para o qual há dados disponíveis.

O relatório "Estado do Ar" nota "melhorias moderadas nos níveis de smog", mas as atribui ao tempo -menos dias quentes, mais chuva e vento- ao invés do cumprimento das leis antipoluição. "A realidade é que nada realmente mudou", disse Janice Nolen, diretora de política nacional da associação.

As mudanças planejadas pelo governo Bush na Lei do Ar Limpo "vão nos prejudicar no futuro", disse Nolen, ao permitir que níveis mais elevados de poluentes sejam produzidos pela indústria e ao restringir as exigências de controles de poluição nas novas usinas elétricas.

O ozônio é produzido pela interação da luz solar com hidrocarbonos e óxidos de nitrogênio, produzidos durante a queima de combustíveis. Quando inalado, ele reage com os tecidos do pulmão provocando sua inflamação, dificultando a respiração, disse o presidente da Associação do Pulmão, Tony DeLucia, professor de cirurgia da Universidade Estadual do Leste do Tennessee. Isto é especialmente perigoso para pessoas com asma, enfisema ou bronquite, disse ele.

O relatório disse que a qualidade do ar melhorou em 93 condados desde o relatório de 2002, mas 26 condados receberam avaliações piores.

Carros e fábricas produzem ozônio, mas a principal culpada é a produção de eletricidade por queima de carvão, disse Nolen. Algumas empresas de energia estão realizando esforços para reduzir as emissões, disse ela, mas outras têm adiado as modificações obrigatórias para redução de poluição por meio de ações na Justiça.

"As pessoas não economizam", disse DeLucia. "O crescimento de nossa necessidade de eletricidade está sendo atendido pelas empresas de eletricidade, e quando elas realizam expansões, elas não usam tecnologias para controle das emissões".

Dan Reidinger do Instituto de Eletricidade Edison, uma associação setorial das empresas de eletricidade, argumentou que a indústria tem feito muito para reduzir as emissões.

"Até o próximo ano, nós teremos reduzido nossas emissões de óxidos de nitrogênio em cerca de 40% em comparação aos níveis mais elevados de 1980. E além deste prazo, nossas emissões continuarão caindo".

Clique aqui para ler o relatório "Estado do Ar" 2003 no site da Associação Americana do Pulmão.


Tradução: George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos