Cresce o apoio popular aos planos de Bush para a economia americana

Richard Bendetto e William M. Welch


Washington - O apoio dos americanos à redução de impostos para estimular a economia está aumentando, no momento em que o Congresso se prepara para atuar sobre versões reduzidas da mais importante meta relativa à política doméstica do presidente Bush.

Uma pesquisa de opinião pública do USA Today/CNN/Gallup revela que 52% dos norte-americanos acreditam que a redução de impostos proposta por Bush seja uma boa idéia, o que significa um aumento de 10 pontos percentuais em duas semanas. E 53% aprovam a forma como Bush administra a economia, no que consiste na sua maior taxa de aprovação nessa área nos últimos seis meses.

Esses aumentos na popularidade da política de Bush ocorrem às vésperas de duas votações-chave na Câmara e no Senado:

  • Nessa sexta-feira, a a Câmara votou a respeito de um pacote de US$ 550 bilhões de dólares, relativo a um período de dez anos, que reduz os impostos cobrados sobre os lucros de corporações e ganhos de capital.

  • E na quinta-feira, o Comitê de Finanças do Senado se organizou no sentido de enviar uma proposta mais modesta de redução de impostos, no valor de US$ 350 bilhões, a todo o Senado, para ser avaliada na semana que vem. Ela serve como contrapeso à proposta de Bush para a eliminação de impostos sobre dividendos corporativos, por meio do estabelecimento de um teto até o qual haveria isenção. Os impostos poderiam aumentar para alguns norte-americanos que trabalham no exterior.

    As diferenças entre as versões da Câmara e do Senado - ambas mais modestas do que a proposta de redução de impostos da ordem de US$ 726 bilhões, em um período de dez anos, feita por Bush - terão que ser aparadas mais tarde.

    O crescente apoio público e a movimentação no Congresso ocorrem no momento em que a taxa de desemprego da nação chega à casa dos 6% ao mês (índice de abril) e os democratas aumentam as críticas à forma como a economia vem sendo conduzida pelo presidente Bush. Esse fato pode vir a refletir a mudança do foco de atenção de Bush nas duas últimas semanas, da guerra no Iraque para a economia, assim como a alteração correspondente ocorrida nas manchetes da imprensa.

    Bush planeja divulgar a sua mensagem na semana que vem, com discursos no Novo México, Nebraska e Indiana. A Casa Branca espera que o apoio público reforce a argumentação do presidente.

    "A pergunta é a seguinte: o Congresso vai responder de forma suficientemente enérgica para ajudar aquelas pessoas que estão desempregadas a encontrar um emprego?", disse Bush na última quinta-feira.

    Esperava-se que a proposta de redução de impostos da ordem de US$ 350 bilhões em um período de dez anos, apresentada na quinta-feira, eliminasse o principal obstáculo no Comitê de Finanças do Senado, após os líderes republicanos terem introduzido mudanças no pacote. O senador Chuck Grassley, republicano de Iowa e presidente da comissão, firmou um compromisso que poderia eliminar os empecilhos no comitê e, possivelmente, em todo o Senado.

    A lei resultaria em reduções de impostos de US$ 413 bilhões em um período de dez anos, além da remessa de US$ 20 bilhões aos Estados a fim de auxiliá-los a lidar com problemas de orçamento. A medida elevaria outros impostos e taxas, e eliminaria certas brechas fiscais, a fim de fazer com que o custo líquido do pacote ficasse em US$ 350 bilhões.

    O plano eliminaria a atual isenção de US$ 80 mil por indivíduo e de US$ 160 mil por casal no caso de cidadãos estadunidenses trabalhando em países estrangeiros, a partir de 2005.

    A proposta certamente deverá gerar a oposição daqueles que moram no exterior e das companhias norte-americanas operando em outros países. Entre elas estão gigantescas companhias do setor petrolífero, a companhia internacional de construção Bechtel e a empresa de equipamentos de exploração do petróleo, Halliburton, que foram escolhidas para realizar grande parte do trabalho de reconstrução no Iraque.

    A proposta do Senado substitui o ponto central do plano de Bush: a eliminação dos impostos que os acionistas pagam sobre dividendos corporativos. Os contribuintes evitariam pagar impostos sobre os primeiros US$ 500 em dividendos anuais. A medida também agilizaria outras reduções de impostos e aumentaria a restituição por criança de US$ 600 para US$ 1.000.

    A Casa Branca e republicanos conservadores disseram que o novo plano do Senado introduz cortes excessivos na proposta de Bush. Mas eles admitiram que foi o melhor que poderiam ter feito, dada a preocupação entre vários membros do Congresso quanto ao aumento dos déficits do orçamento federal.

    Enquanto Bush luta com o Congresso para aprovar a redução de impostos, o presidente desfruta de uma vantagem junto à população. As pesquisas indicam que 51% dos norte-americanos confiam no presidente para gerenciar a economia, contra 39% quando se trata dos parlamentares do Partido Democrata.

    Analistas afirmam que, com o sucesso dos Estados Unidos no Iraque ainda impresso na memória do povo, Bush pode estar desfrutando do benefício da dúvida com relação à economia. Ao mesmo tempo, dizem os analistas, os democratas não contam com um líder ou uma mensagem nítidos.

    "Bush está conjugando com sucesso segurança e economia nacionais em seus discursos, e os democratas não têm sido capazes de conter de forma eficaz essa estratégia", explica James Regalado, cientista político da Universidade Estadual da Califórnia em Los Angeles.

    A pesquisa realizada entre a segunda-feira e quarta-feira com 1.005 adultos possui uma margem de erro de 3% para mais ou para menos.


    Tradução: Danilo Fonseca
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